A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, não irá marcar presença no evento “50 anos do Serviço Médico na Periferia”, que vai decorrer esta quinta-feira à tarde no ISCTE, em Lisboa. É nesta conferência que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, irá fazer uma avaliação sobre o estado da Saúde em Portugal.
A decisão de não ir a esta conferência, tomada há poucos dias, baseia-se em motivos de agenda, uma vez que, salienta o gabinete de Ana Paula Martins, a ministra da Saúde ficará, esta tarde, a preparar a audição na Assembleia da República que vai decorrer esta sexta-feira à tarde, no âmbito da apreciação na especialidade da proposta do Orçamento do Estado para 2026. A organização do evento foi informada da ausência da governante, que não tinha confirmado a ida, no último fim de semana.
Na conferência “50 anos do Serviço Médico na Periferia”, organizada pela Fundação para a Saúde, espera-se que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, faça uma avaliação do estado da Saúde em Portugal e, em particular, do SNS. A meio de outubro, à saída de uma escola em Sesimbra, o chefe de Estado disse que iria fazer o tão esperado diagnóstico sobre a Saúde numa conferência no final de outubro.
Presidente da República considera que casos na saúde causam “um grande desgaste” à ministra
“Tenho uma oportunidade e provavelmente vou aproveitá-la daqui a 10, 11 dias. Tenho uma conferência sobre saúde“, referiu Marcelo Rebelo de Sousa. O Observador apurou, junto de fonte da Presidência, que o evento em causa é o que irá ter lugar esta quinta-feira à tarde, em Lisboa. O chefe de Estado vai encerrar o encontro, tendo uma intervenção prevista pelas 18 horas.
No final de setembro, o Presidente da República tinha dito que a “multiplicação” de casos na Saúde deixa “uma ideia difusa de que as coisas não estão a correr bem” e referiu que essas situações causam “desgaste” em Ana Paula Martins. Ter “um membro do Governo, no caso a senhora ministra, a ter quase que, um a um, pronunciar-se sobre a matéria” gera “um grande desgaste”, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa, quando questionado sobre o relatório da Inspeção Geral das Atividades em Saúde relativo à morte de um idoso durante a greve no INEM, e que apontou que o atraso no atendimento teve “influência significativa” no desfecho fatal.
Resta saber até que ponto Marcelo Rebelo de Sousa poderá ir nas críticas ao desempenho da equipa ministerial. Isto numa altura em que aumenta a pressão sobre a ministra da Saúde, devido não só ao aumento dos utentes em lista de espera para consultas e cirurgias como à aparente indicação dada aos hospitais — via Direção Executiva do SNS — para que cortem na despesa em 2o26, mesmo que tal medida implique um abrandamento da atividade assistencial.
Carneiro diz que Montenegro deve demitir ministra da Saúde: “Não tem condições, perdeu a autoridade”
Esta notícia, avançada pelo Público, levou, esta quarta-feira, o secretário-geral do PS a pedir ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, que demita Ana Paula Martins. “Compete ao primeiro-ministro transmitir, com gentileza, à ministra da Saúde que ela está sem autoridade política, que ela já deixou de o ser”, disse José Luís Carneiro.
*Notícia corrigida às 15h23, com informação de que o gabinete de Ana Paula Martins não chegou a confirmar a presença no evento para o qual a ministra tinha sido convidada