Aos olhos do Presidente da República a “multiplicação” de casos na saúde deixa “uma ideia difusa de que as coisas não estão a correr bem”. Em declarações aos jornalistas em Belém, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que “um caso que envolve uma morte não é um pequeno caso, é um grande caso”.

Segundo a RTP, esta foi a resposta do chefe de Estado quando questionado sobre o relatório que responsabiliza o INEM pela morte de um idoso de 84 anos, em Mogadouro, Bragança, durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar em novembro de 2024. Até ao momento, a Inspeção Geral das Atividades em Saúde conclui, através de 12 investigações, que três das mortes durante a greve do INEM foram associadas a atrasos no socorro.

INEM. Atraso no atendimento teve “influência significativa” na morte de idoso em Mogadouro durante a greve, conclui a IGAS

“Por outro lado”, disse Marcelo, ter “um membro do Governo, no caso a senhora ministra, a ter quase que, um a um, pronunciar-se sobre a matéria” gera “um grande desgaste”.

Porém, o Presidente não quer falar para já em responsabilização política. “Vale a pena olhar para o conjunto e retirar algumas conclusões. Estou à espera para vos dizer quais as conclusões que tiro”, respondeu. Já quando questionado sobre possíveis consequências políticas para Ana Paula Martins, Marcelo afirmou que “perante a visão de conjunto que eu der, depois perceberão qual a minha visão relativamente a isso”.

“Hoje, porque estava mais um caso sob os holofotes, apenas verifico que, com alguma periodicidade, vão surgindo casos de serviços que funcionam, que não funcionam, episódios que acontecem. E quem aparece a explicá-los não é um porta-voz do Ministério, nem de um instituto, com raras exceções, é a ministra”, afirmou. “Estou a verificar isso, mas depois direi como é que vejo globalmente o problema de fundo que existe e como pode ser resolvido.”

Um relatório da Inspeção Geral das Atividades em Saúde, divulgado esta quinta-feira, que “o atraso no atendimento telefónico por parte do CODU poderá ter tido uma influência significativa” na morte do idoso.

Esta sexta-feira, a ministra da Saúde recusou-se a comentar o relatório da morte do idoso em Mogadouro. “Eu já li o relatório, como é óbvio é uma prioridade ler um relatório daquela importância. Neste momento não vou comentar o relatório. Aliás, não poderia fazer nenhum comentário, além da nota de que o próprio inspetor-geral das Atividades em Saúde fez sair para a imprensa. Está lá tudo escrito, aquilo que no fundo são as conclusões do relatório”, justificou Ana Paula Martins durante uma Oficina de Reflexão sobre Serviços de Emergência Médica Pré-Hospitalar da Comissão Técnica Independente (CTI) do INEM.

(Atualizada com mais informação às 21h52)