Muito ouro, muitos acessórios de golfe e até nomeações para o Nobel. São muitos os líderes internacionais que passam pela Casa Branca e levam presentes a Donald Trump (ou que, mesmo não viajando até Washington, querem enviar ofertas e presentear o atual chefe de Estado — por vezes com lembranças simpáticas, outros que servem para transmitir recados menos “agradáveis”).
Por exemplo: o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que lidera um país que é tradicionalmente um aliado muito fortes dos EUA mas cuja relação tem sido mais difícil por causa da guerra em Gaza, fez questão de enviar, como muitos dos seus homólogos de outros países, um presente que envolve ouro. Mas não é um presente qualquer — depois do ataque em que Israel fez explodir dezenas de pagers que seriam usados por elementos do Hezbollah no Líbano, Netanyahu fez questão de oferecer um pager a Trump, inserido numa estrutura maior, de ouro.
A CNN, que fez o inventário de alguns dos presentes mais extravagantes e marcantes que o Presidente norte-americano recebeu, cita um comentário de Trump ouvido na Casa Branca nessa altura: Trump considerou o presente “ligeiramente desagradável”.
Mas no que toca a presentes mais extravagantes, há um que se destaca facilmente: foi oferecido pelo Qatar e é nada mais nada menos do que um avião, um modelo Boeing de luxo avaliado em 347 milhões de euros (400 milhões de dólares). Segundo a CBS, o avião foi oferecido pelo Qatar e descrito como um presente “incondicional”, mas não demoraram a chegar as críticas que apontavam para um possível “suborno” vindo de um país estrangeiro — sendo que a legislação norte-americana indica que elementos do governo só podem aceitar presentes até ao valor de 480 dólares, ou 415 euros.
O governo norte-americano decidiu doar o avião à biblioteca presidencial de Trump quando este deixar a Casa Branca — mas, para já, a ideia é que funcione como Air Force One, ou seja, como o avião militar onde o Presidente é habitualmente transportado. “Eu podia ser estúpido e dizer que não queremos um avião gratuito”, ironizou em declarações em jornalistas, defendendo que o presente seria uma boa “ajuda” porque os custos com estes aviões são “astronómicos”. “Eu nunca rejeitaria uma oferta destas”.
A CNN conta também que, dado o gosto de Trump por jogar golfe, não faltam presentes relacionados com o desporto: em agosto deste ano, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ofereceu a Trump um taco de golfe que tinha pertencido a um soldado que lutou contra a Rússia e que perdeu uma perna em combate.
Em troca, o Presidente dos Estados Unidos ofereceu-lhe umas chaves “simbólicas” da Casa Branca. E gravou um vídeo em que agradecia ao Presidente, dirigindo-se ao soldado ucraniano e dizendo sentir “amor verdadeiro” graças ao presente.
Há também alguns líderes que levam a Trump um passo para um dos presentes que mais desejará ter: o Nobel da Paz. O Presidente argentino, Javier Milei, foi um dos que emolduraram e levaram uma nomeação para o prémio a Trump na sua visita à Casa Branca, a meio de outubro. Trump considerou a oferta “fantástica” e a delegação argentina frisou que a carta fora escrita antes do último cessar-fogo em Gaza, pelo que esse facto teria de ser acrescentado ao texto.