A bebé da grávida que morreu esta sexta-feira no hospital Amadora-Sintra, onde deu entrada em paragem cardiorrespiratória, também acabou por morrer este sábado. A informação foi avançada pela SIC Notícias e confirmada pelo Observador.

A mãe, de 36 anos, tinha sido sujeita a uma cesariana de emergência na chegada ao hospital e a bebé ficou internada nos cuidados intensivos neonatais, com prognóstico muito reservado. A recém-nascida acabou por falecer na manhã deste sábado.

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Em comunicado, a Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra avançou que, desde o nascimento, a bebé encontrava-se em coma profundo, sem qualquer reflexo neurológico, “tendo ao início da manhã de hoje iniciado quadro de hipotensão e bradicardia progressivas que culminaram na sua morte”. A Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra manifestou assim o seu pesar pela morte da bebé, endereçando “as mais sentidas condolências à família”.

Também a ministra da Saúde apresentou as condolências à família pela morte da bebé, “partilhando a dor por esta tragédia”. Numa nota enviada para a Lusa, o Ministério da Saúde “manifesta o seu profundo pesar” pelo falecimento do bebé, explicando que “a criança não resistiu às lesões sofridas após a mãe ter entrado em paragem cardiorrespiratória no seu domicílio”.  “A ministra da Saúde apresenta sentidas condolências à família e amigos pela morte desta mulher e do seu bebé, partilhando a dor por esta tragédia”, acrescenta o gabinete de Ana Paula Martins.

A Entidade Reguladora da Saúde e a Inspeção Geral das Atividades em  Saúde (IGA) vão investigar as duas mortes e o Hospital Amadora Sintra também já instaurou um processo para “averiguar as circunstâncias que envolveram o triste desfecho”, refere o gabinete de imprensa do Ministério da Saúde.

Na tarde de quarta-feira, a mulher, grávida de 38 semanas, tinha tido uma consulta no mesmo hospital, onde foi detetado um episódio de hipertensão ligeira. Contudo, seguindo o protocolo clínico, como indicou o diretor do serviço de ginecologia/obstetrícia do Amadora-Sintra e corroborou um obstetra ao Observador, a mãe foi enviada para casa. Na madrugada de sexta-feira, o INEM foi contactado para transportar para o hospital uma grávida que “apresentava falta de ar”.

Menos de meia hora depois da primeira chamada para o INEM, foi acionada a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital Amadora-Sintra, uma vez que a utente tinha entrado em paragem cardiorrespiratória. Na chegada ao hospital, foi realizada uma cesariana de emergência e declarado o óbito.

A Entidade Reguladora da Saúde (ERS), a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e o Ministério Público (MP) anunciaram a abertura de inquéritos para investigar o caso. A Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra também procedeu à abertura de um inquérito interno para “apurar as circunstâncias associadas ao ocorrido”.

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Na tarde de sexta-feira, durante a sua audição no Parlamento, a ministra da Saúde foi questionada sobre o incidente e sobre se a levaria a apresentar a demissão. Ana Paula Martins recusou apresentar a demissão. Ainda na área da Obstetrícia, justificou o aumento contínuo dos partos fora do ambiente hospitalar com o crescimento das gravidezes não vigiadas. “Maioritariamente são grávidas que nunca foram seguidas durante a gravidez, recém-chegadas a Portugal, com gravidezes adiantadas, e que, nalgumas vezes, nem falam português”, disse a ministra. A grávida que morreu esta sexta-feira tinha nacionalidade guineense.

(Artigo atualizado às 17h10 com comunicado da Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra e do Ministério da Saúde)