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O ministro da Educação, Ciência e Inovação desafiou esta quarta-feira, em Leiria, as instituições de ensino superior a diversificar os seus públicos, como forma de combater a quebra demográfica.
“O desafio que se coloca é de facto uma diversificação dos públicos das instituições de ensino superior”, que “não têm de ser apenas instituições de qualificação de jovens, têm de ser, cada vez mais, instituições que qualificam pessoas ao longo de todo o seu ciclo de vida”, disse Fernando Alexandre, durante a sua oração de Sapiência na abertura do ano académico do Politécnico de Leiria.
Reconhecendo que esta diversificação tem vindo a ser feita nos últimos anos, com o Concurso Nacional de Acesso a representar “pouco mais de metade do acesso ao ensino superior, “, o governante sublinhou que “há outras fontes de recrutamento que são importantes” para combater a diminuição demográfica, que a imigração não inverteu.
“Há outros públicos que acedem ao ensino superior que não é o prosseguimento normal de estudos a seguir ao secundário. Temos de diversificar esses trajetos. Queremos chegar aos 50% ou até ir além disso, da população entre os 25 e os 34 anos que tem um curso superior, mas a forma como o fazemos não tem de ser com o prosseguimento de estudos desde o pré-escolar até à conclusão da licenciatura ou do mestrado”, reforçou o ministro.
Insistindo que os percursos podem ser diversificados, Fernando Alexandre exemplificou com os Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), “que permitem aos jovens não ter de fazer necessariamente esse percurso linear”.
Outro desafio das instituições de ensino superior é “a formação ao longo da vida e voltar a trazer adultos, ou fazer com que os adultos que abandonaram a escola mais cedo, nomeadamente no 12º ano”, ingressem no superior.
“Um estudo recente, o PIAAC [Programa de Avaliação Internacional de Competências dos Adultos] mostra que 20% da população adulta que tem o secundário concluído, tem as competências necessárias para frequentar um curso de ensino superior”, observou o ministro.
Outro dos públicos a que é preciso dar atenção é aos estudantes internacionais, que Portugal já tem a “maior percentagem” da União Europeia, mas o ministro considerou importante atrair mais alunos fora dos PALOP — Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e da Europa.
Na sua oração de Sapiência, Fernando Alexandre sublinhou que há um conjunto de desafios que se colocam, face a um mundo que “hoje é mais complexo do que era há 20, 30 , há 50 anos”, existindo um índice de incerteza cada vez maior.
“As instituições de ensino superior qualificam as pessoas e geram conhecimento científico. Quando temos um mundo mais complexo, é muito improvável que as soluções para os problemas que enfrentamos sejam simples. Quando temos mais complexidade, precisamos de mais conhecimento e de mais formação”, disse o ministro.
E a “perceção que a sociedade tenha da importância das instituições de ensino superior para contribuírem para resolver os grandes problemas que a humanidade enfrenta, vai ser decisiva para a disponibilidade que a sociedade vai ter, por exemplo, para financiar o ensino superior, para financiar a ciência”.
Apontando que as instituições de ensino superior têm de “estar cada vez mais atentas aos problemas da sociedade” e “procurar cada vez mais contribuir para a resolução dos problemas da sociedade”, Fernando Alexandre insistiu que o caminho é a qualificação das pessoas ao longo de todo o seu ciclo de vida. Além disso, “têm de gerar conhecimento científico”, também “na área das artes e das humanidades, que não são ciências”.
“Depois temos de conseguir levar esse conhecimento para a sociedade e temos de o saber comunicar. Nós temos já grandes exemplos de produção de conhecimento científico, mas a capacidade de transportar esse conhecimento para a sociedade e para a economia ainda fica aquém”, lamentou.