A EDP anunciou um lucro de 952 milhões de euros até setembro, o que corresponde a um recuo face ao lucro apurado em igual período do ano passado.
O resultado recorrente, sem efeitos extraordinários, evoluiu na mesma linha, mas a elétrica destaca que, sem os ganhos gerados pela rotação (venda) de ativos, este indicador teria crescido 5%. Nos primeiros nove meses de 2024, a EDP encaixou 191 milhões de euros, valor que contrasta com os 22 milhões de euros alcançados no mesmo período de 2025.
A elétrica diz que o resultado foi impulsionado pelo aumento em 3,4 GW (gigawatts) na capacidade renovável, o que gerou um aumento da produção total de eletricidade de 14%, graças a um forte contributo do mercado dos Estados Unidos onde opera a EDP Renováveis e para o qual foram anunciados dois contratos esta quarta-feira. Foi também positivo o desempenho das redes elétrica em Portugal e Brasil onde se verificou um crescimento do consumo.
Os segmentos de produção e comercialização na Península Ibérica ressentiram-se de um maior custo na aquisição de energia e de uma menor produção hidroelétrica devido à utilização parcial desses recursos para recuperar os níveis dos reservatórios. Por outro lado, registou-se uma maior procura pela bombagem e pelas centrais a gás natural, em resposta a um aumento da procura por “serviços complementares”. É uma referência a uma maior utilização das centrais a gás para reforçar a segurança do sistema elétrico, na sequência do apagão.
Já a margem a bruta do negócio de produção solar e eólica cresceu 9% para 1.405 milhões de euros. O efeito do aumento de capacidade instalada e do crescimento da produção foi mitigado pela queda de 9% no preço médio de venda de energia, para 54,2 euros por MWh (megawatt hora)l
A EDP registou uma margem bruta (EBITDA) consolidada de 3.772 milhões de euros, um recuo de 3% face aos primeiros nove meses de 2024.
A EDP Renováveis também apresentou os resultados esta quarta-feira com o lucro a cair 49% para 107 milhões de euros num período muito marcado pela rotação de ativos.
O grupo EDP apresenta esta quinta-feira em Londres a atualização do seu plano de negócios, um dia depois de ser conhecida o despacho do Ministério Público sobre a venda das barragens, segundo o qual a empresa deverá 334 milhões de euros de impostos relacionados com este negócio.