Um mês de paragem, um filme a dois que ganhou um terceiro protagonista. Depois de um dececionante nono lugar na Hungria muito longe dos McLaren num Grande Prémio ganho por Lando Norris, Max Verstappen foi conseguindo diminuir o fosso para os carros da frente no Mundial a uma cadência contínuo e reabriu uma luta pelo título que parecia estar apenas restrita aos dois carros da escuderia britânica: acabou em segundo nos Países Baixos atrás de Oscar Piastri com Lando fora dos pontos, ganhou em Itália e no Azerbaijão, ficou em segundo em Singapura só superado por George Russell, voltou a ganhar nos EUA. Nem mesmo a terceira posição na derradeira corrida no México mexeu muito com as contas, com o tetracampeão a ter mais quatro corridas até ao final para desafiar o penta. Problema? Não tinha margem de erro – e errou.

O início perfeito de um samba que pode ser decisivo: Norris vence sprint em São Paulo e alarga vantagem para Piastri

Apesar do quarto lugar na corrida sprint ganha por Lando Norris à frente dos Mercedes de Kimi Antonelli e George Russell, que permitiu reduzir em mais cinco pontos a distância para o azarado Oscar Piastri que teve logo uma saída de pista, Verstappen teve também ele uma saída durante a Q1 e não foi além de um 16.º lugar na grelha de partida para a corrida no Brasil. Golpe duro? Não, para o neerlandês um golpe decisivo. “Posso esquecer essa questão do título. Onde estamos a começar não funciona e com este tipo de performances, esqueçam”, comentou num dia em que também o companheiro Yuki Tsunoda não foi além do 19.º posto.

“Tudo isto foi simplesmente mau. Não consegui pressionar de todo. O carro estava descontrolado, a deslizar muito. Portanto, tive de conduzi-lo muito abaixo do potencial apenas para não ter um momento e isso, claro, não funciona na qualificação. Não estava a responder, não tinha aderência lá fora, tive mesmo que conduzi-lo muito abaixo do normal basicamente e isso simplesmente não funcionou”, acrescentou ainda Verstappen, que tentava juntar-se a Carlos Reutemann e Michael Schumacher como segundo piloto com mais triunfos no Brasil (quatro) apenas atrás de Alain Prost (seis). A porta ficava assim aberta para os McLaren, que não tinham uma vitória desde Jenson Button em 2010 e que partiam com a Mercedes como grande rival.

Charles Leclerc conseguiu em parte furar esse domínio ao ficar com o terceiro lugar da qualificação, apenas atrás de Lando Norris e Kimi Antonelli, mas era no duelo entre os dois McLaren que estava o grande ponto de interesse da corrida, com Lando a dominar por completo em São Paulo e com Oscar Piastri a considerar que tinha ainda uma palavra a dizer no Grande Prémio. “Desde a primeira volta dos treinos que me senti confortável. O tempo de volta estava a sair com facilidade. Acredito que ainda tenho uma possibilidade de lutar pela vitória”, referiu o australiano que teve uma saída de pista na sprint que foi descrita a brincar por George Russell como um despiste de Mario Kart quando um adversário atira uma banana ao corredor de trás – e neste caso por “culpa” de Lando, que antes passara pela curva e deixara um pouco de água na zebra.

O que poderia então mudar a história? O arranque, com essa dúvida sobre a capacidade de Kimi Antonelli ou Charles Leclerc poderem discutir com Lando Norris a liderança da corrida (Verstappen optou por sair das boxes) e também com essa incógnita que iria acompanhar toda a corrida pela ameaça de chuva que podia de repente mudar todas as contas. O italiano tentou, o britânico defendeu-se da melhor forma e tudo ficou na mesma entre os pilotos da frente, com Isack Hadjar a pressionar sem sucesso o quarto lugar de Piastri. No entanto, as atenções eram outras… e com más notícias para os milhares de adeptos nas bancadas: Gabriel Bortoleto teve mais uma saída de pista, ainda tentou voltar mas tinha perdido a frente do carro. Ainda não estava cumprida a volta inicial e já havia presença de safety car para retirar o Kick Sauber do traçado.

Novo recomeço, nova confusão, novo problema para a Ferrari e não só: Lando Norris retardou ao máximo o reinício da corrida, Oscar Piastri tentou lançar-se para fazer a curva por dentro, deu um toque em Antonelli e o maior prejudicado de todos acabou por ser Charles Leclerc, que ficou fora de uma corrida onde tinha todas as condições para ir ao pódio. O safety car virtual estava de novo em cena, Piastri tinha mesmo conseguido ficar com a segunda posição e Max Verstappen já subira para o 13.º posto antes de passar pelas boxes devido a um furo num pneu dianteiro que poderia levar a uma nova estratégia de corrida. À nona volta começava de novo a corrida, com Piastri a aproveitar o cone de aspiração para pressionar sem sucesso Lando Norris.

A corrida voltava a estabilizar. Norris liderava como queria, Piastri rodava em segundo sabendo que teria de cumprir uma penalização de dez segundos pelo incidente com Antonelli que terminou a prova de Leclerc, Max Verstappen já estava dentro do top 10 com apenas 18 voltas cumpridas. Chegava o momento da primeira ronda de paragens, com os carros a voltarem na sua maioria com tempos um pouco mais lentos e com Oliver Bearman a ser um dos grandes destaques entre os carros menos “mediáticos”, ganhando várias posições num ritmo sempre interessante ao contrário do companheiro Esteban Ocon. Na frente, Piastri continuava a tentar forçar ao máximo o ritmo para tentar minimizar a penalização de dez segundos só com uma paragem.

A paragem de Piastri serviu para reorganizar de novo posições. Lando Norris assumiu de forma natural a liderança, os dois Mercedes de Antonelli e George Russell estavam em lugares de pódio, Bearman rodava em quarto com Max Verstappen em quinto a ser apoiado pela equipa a dizer que era possível chegar ao top 3. Já o australiano, que liderou o Mundial durante largas semanas, retomou a prova em sexto, tentando nesta fase minimizar o peso da sanção dos dez segundos. Entretanto, e num filme que confirmou os fins de semana de terror que a Ferrari não consegue evitar, Hamilton também desistiu deixando os italianos sem carros.

A 17 voltas do final, com menos uma paragem, Max Verstappen ocupava a liderança da prova à frente de Lando Norris e Kimi Antonelli, altura em que foi fazer a segunda troca de pneus entrando de novo na quarta posição atrás de George Russell. Já Piastri conseguiu superar Bearman e Liam Lawson para regressar ao top 5 da classificação. O tetracampeão assumia o protagonismo na fase final, passando Russell a nove voltas do final e tentando depois seguir no encalço de Antonelli, numa última missão que acabaria sem sucesso pelo desgaste evidente dos pneus do neerlandês. As posições do pódio estavam em definitivo fechadas e com Lando a sair de novo como grande vencedor com um triunfo que reforçou liderança do Mundial.

Com estes resultado, e quando estamos apenas a três provas do final do Mundial de 2025 (Las Vegas, Qatar e Abu Dhabi), Lando Norris chegou aos 390 pontos, mais 24 do que o companheiro de equipa Oscar Piastri e mais 49 do que Max Verstappen. George Russell reforçou a quarta posição com mais 62 pontos do que o Ferrari de Charles Leclerc, sendo que Kimi Antonelli passou a estar apenas a 26 pontos de Hamilton.