Os EUA atacaram no domingo dois barcos suspeitos de envolvimento no tráfico de droga no leste do Pacífico, matando os seis ocupantes, anunciou esta segunda-feira o secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth.
Numa mensagem publicada na rede social X, Hegseth indicou que “os serviços de informações sabiam que esses navios estavam associados ao tráfico ilegal de drogas”, adicionando um vídeo do ataque, realizado em águas internacionais.
Yesterday, at the direction of President Trump, two lethal kinetic strikes were conducted on two vessels operated by Designated Terrorist Organizations.
These vessels were known by our intelligence to be associated with illicit narcotics smuggling, were carrying narcotics, and… pic.twitter.com/ocUoGzwwDO
— Secretary of War Pete Hegseth (@SecWar) November 10, 2025
O responsável do Pentágono alegou que as embarcações eram comandadas “por uma organização terrorista designada”, justificando as operações no âmbito da luta contra grupos de narcotráfico.
“Com o Presidente Trump, protegemos a pátria e eliminamos estes terroristas, membros de cartéis, que procuram prejudicar o nosso país e os nossos concidadãos”, escreveu Hegseth.
Desde o início de setembro, Washington tem conduzido ataques aéreos regulares no Pacífico e nas Caraíbas contra embarcações que afirma estarem ligadas ao tráfico de droga.
Segundo uma contagem da agência noticiosa France-Presse, com base em dados oficiais, os Estados Unidos destruíram 20 barcos desde o início da campanha, provocando pelo menos 76 mortes.
O Governo norte-americano não apresentou provas públicas das alegadas ligações das tripulações ao narcotráfico, o que tem alimentado críticas de organizações internacionais e especialistas, que comparam as operações a “execuções extrajudiciais”.
No final de outubro, o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, tinha pedido a Washington que cessasse as ações, pedindo investigações “rápidas, independentes e transparentes”.
Os governos de vários países latino-americanos e as famílias das vítimas afirmam que muitos dos mortos eram civis, sobretudo pescadores.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, justifica as operações como parte de um “conflito armado” contra gangues classificados como “terroristas” e acusa o seu homólogo venezuelano, Nicolás Maduro, de integrar um cartel de droga — acusação que Caracas nega, considerando-a uma tentativa de desestabilização.
Washington mantém na região vários navios de guerra, caças e um porta-aviões destacados no âmbito desta ofensiva.