O rei emérito de Espanha, Juan Carlos I, que abdicou em 2014, será o grande ausente das celebrações oficiais que assinalam os 50 anos da sua coroação e do fim da ditadura. No entanto, vai marcar presença num almoço privado no âmbito das comemorações, no Palácio do Pardo, nos arredores de Madrid, marcado para este sábado, dia 22, reunindo toda a família real.

Fontes próximas do Palácio da Zarzuela afirmaram ao El País que o pai de Felipe VI “não está convidado para qualquer ato institucional”, sublinhando que a decisão se manteve firme apesar das pressões causadas pela recente publicação das suas memórias, descritas como um livro que tem provocado “incómodo evidente” na Casa Real.

Apesar disso, Juan Carlos aceitou o convite para o encontro familiar considerado por Zarzuela como um momento “exclusivamente privado“, no qual estarão a rainha Sofia, os reis Felipe VI e Letizia, a princesa Leonor e a infanta Sofia. A prioridade, segundo a imprensa espanhola, é que “não haja imagens” do reencontro, o primeiro em mais de dois anos de todos os membros da família real.

A decisão de excluir Juan Carlos das cerimónias oficiais foi tomada há meses, justificando-se com o facto de o rei emérito ter optado, em 2020, por viver fora de Espanha, nos Emiratos Árabes Unidos, decidindo deixar também de participar em iniciativas públicas institucionais.

Juan Carlos I ausente nas comemorações oficiais dos 50 anos da democracia espanhola

O almoço no Pardo surge assim como a única ocasião em que Juan Carlos participará nas comemorações, ainda que longe dos holofotes e sem ligação aos atos oficiais que marcam meio século da monarquia constitucional em Espanha.

Os 50 anos da restauração da monarquia em Espanha e o papel que a instituição teve na democratização do país serão celebrados com iniciativas previstas para 21 e 22 de novembro, que inclui uma homenagem pública a Sofia de Borbón, mulher de Juan Carlos I, mãe de Felipe VI.

Na sexta-feira, dia 21, Felipe VI entregará à mãe a mais alta condecoração concedida pela Coroa espanhola, o Toisón de Ouro, numa cerimónia no Palácio Real de Madrid. Receberão a mesma condecoração e na mesma cerimónia o ex-primeiro-ministro Felipe González e dois dos “pais da Constituição” de Espanha, Miquel Roca e Miguel Herrero y Rodríguez de Miñón.

Para o mesmo dia está prevista outra iniciativa no parlamento espanhol com o título “50 anos depois: a Coroa no trânsito para a democracia”, a que assistirão os atuais Reis, Felipe VI e Letizia, e as filhas, a princesa Leonor, herdeira da coroa, e a infanta Sofia.