FC Porto e Sintrense. Sintrense e FC Porto. Apesar de militarem em divisões distintas, com os dragões a ocuparem a primeira posição do Campeonato Nacional e os sintrenses o nono lugar da Série D do Campeonato de Portugal, o destino tem teimado em colocar estes dois clubes no caminho um do outro. Nos últimos quatro anos, foi a terceira vez que as equipas das cidades do Porto e de Sintra se encontraram na Taça de Portugal, sendo este o primeiro jogo que aconteceu no Estádio do Dragão e numa eliminatória que não fosse a terceira. O primeiro jogo data de outubro de 2021 e disputou-se no Complexo Desportivo do Real SC, terminando com uma goleada azul e branca (5-0). O cenário repetiu-se na temporada passada, mas no Estádio José Gomes (3-0). Agora, em 2025, era altura do reencontro e no estádio oficial de uma das equipas, algo que começa a ser cada vez menos usual no futebol português.
À semelhança do que aconteceu com outras equipas, a pausa para a seleções acabou por não ser benéfica para o FC Porto que, nos últimos dias, viu Victor Froholdt juntar-se a Jan Bednarek e Nehuen Pérez no boletim clínico portista. O médio dinamarquês sofreu um traumatismo no joelho direito, pelo que a sua presença no jogo da Liga Europa, frente ao Nice, poderá também estar em causa. Por outro lado, Francesco Farioli já contou com Luuk de Jong e Pablo Rosario nas suas sessões de trabalhos, prometendo inclusivamente que o avançado neerlandês somasse “alguns minutos” diante do Sintrense, num jogo que serviria para os dragões rodarem o seu onze, a começar pela baliza, com Cláudio Ramos a voltar à equipa.
“Vai ser importante voltar a casa. É um bom momento para os adeptos nos apoiarem e seguir em frente na Taça. Sobre as lesões, o Bednarek ainda está a recuperar e o Froholdt veio da seleção com algumas dores. Treinador do Sintrense? Agradeço o que ele disse. Também comecei nas divisões inferiores. O segredo é trabalhar muito. Estamos num ambiente muito privado, o telefone não tem muita rede e a televisão não funciona muito bem. Temos de nos focar no que controlamos. Somos muito bons na exigência que colocamos. Quando digo isso falo do staff técnico, mas também dos jogadores, liderados por um grande capitão, que todos os dias exige mais dele e dos colegas, tal como os outros jogadores que compõem o lote de capitães. Depois, em alguns momentos de alguns jogos não estivemos no nosso melhor, mas isso faz parte do futebol, sobretudo quando jogamos com intervalos de 72 horas. Faz parte da nossa evolução”, explicou Farioli.
Ficha de jogo
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FC Porto-Sintrense, 3-0
4.ª eliminatória da Taça de Portugal 2025/26
Estádio do Dragão, no Porto
Árbitro: Hélder Malheiro (AF Lisboa)
FC Porto: Cláudio Ramos; Martim Fernandes, Pablo Rosario, Dominik Prpic, Francisco Moura (Alberto Costa, 46’); Alan Varela (Luuk de Jong, 76’), Stephen Eustáquio, Gabri Veiga; Pepê (William Gomes, 62’), Borja Sainz (Rodrigo Mora, 62’) e Samu Aghehowa (Deniz Gül, 46’)
Suplentes não utilizados: João Costa; Jakub Kiwior, Zaidu Sanusi e Tomás Pérez
Treinador: Francesco Farioli
Sintrense: Rodrigo Santos; Romário Carvalho, Rodri Luís (Rodrigo Conceição, 81’), Francisco Gomes; João Guerra, Tomás Lacerda (Anderson Moreira, 58’), André Silva, Pipas (Tiago Feiteira, 58’), Martim Cruz; José Varela (Duarte Bonito, 71’) e Valdu Té (Henrique Henriques, 81’)
Suplentes não utilizados: Tiago Neto; Diogo Nascimento, Matias Mariano e Luizinho
Treinador: David Maside
Golos: Sainz (25’), Gül (70’) e Mora (80’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Rodri (23’) e Lacerda (41’)
Para chegar a esta eliminatória, o Sintrense deixou pelo caminho o Vizela (casa, 2-1) e o Rio Ave (casa, 3-2), adversários das divisões profissionais, apesar de ocupar o nono posto da Série D do Campeonato de Portugal, com 12 pontos, que resultam de três vitórias, três empates e três derrotas. “Não vamos à procura de bater probabilidades ou de estatísticas. Vamos fazer o nosso trabalho normal, como temos feito durante toda a semana, à procura do nosso melhor e não do melhor contra um adversário. Do que conseguimos fazer de bem, do que trabalhamos durante a semana para atingir os nossos objetivos, não os deitando abaixo pelo adversário, independentemente de qual seja. Dou prioridade aos valores da atitude e da responsabilidade que temos em envergar o emblema do Sintrense ao peito, de mostrarmos que somos capazes de estar noutros patamares. Não só a equipa técnica, como a direção e os jogadores, porque acredito que existe muito talento dentro do Campeonato de Portugal para se projetarem para outros campeonatos”, assumiu David Maside, jovem treinador dos sintrenses.
MATCHDAY no Dragão! ????????
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— FC Porto (@FCPorto) November 22, 2025
Em relação à última partida, disputada em Vila Nova de Famalicão, Francesco Farioli fez sete alterações no seu onze, confirmando a disponibilidade de Pablo Rosario, que foi titular no centro da defesa, ao lado de Dominik Prpic. Para além da nova dupla de centrais e de Cláudio Ramos, Martim Fernandes fez o lado direito da defesa, ao passo que Stephen Eustáquio e Gabri Veiga se juntaram a Alan Varela no setor intermédio. No ataque, a única novidade foi Borja Sainz, com Pepê e Samu Aghehowa a manterem a titularidade, à semelhança do médio argentino e de Francisco Moura. No Sintrense, David Maside apostou numa linha defensiva de cinco elementos e optou por colocar o capitão Pipas no meio-campo, ao lado de Tomás Lacerda e André Silva, deixando o ataque para José Varela, com Valdu Té a fechar o lado esquerdo.
Como seria de esperar, o FC Porto mandou no jogo desde o pontapé de saída e colecionou a primeira ocasião, perante o Sintrense na expectativa e a conseguir anular os dragões no último terço. Nessa ocasião, Eustáquio cruzou atrasado para Moura que, à entrada da área, atirou ao lado (5′). Pouco depois, Sainz introduziu a bola na baliza sintrense, mas já estava assinalado o fora de jogo (9′). Seguiu-se um canto na esquerda para Gabri, que atirou diretamente à baliza e obrigou Rodrigo Santos a uma defesa apertada, para a trave da sua baliza. Na sequência do lance, Samu colocou de cabeça em Rosario que, junto à baliza, subiu ao segundo andar, mas desviou por cima (14′).
Os dragões continuaram a colecionar oportunidade e, depois de um mau alívio de Romário Carvalho, o avançado entrou na área e desferiu um remate colocado ao poste mais distante, mas a bola saiu para fora (22′). Pouco depois, num canto na direita, Eustáquio desviou ao primeiro poste para trás, Rosario atirou contra um defesa e, solto de marcação à entrada da área, Sainz e atirou e rematou colocado para o golo inaugural (25′). Com o nó do nulo desatado, o FC Porto continuou a dominar e a controlar e, depois de mais uma arrancada de Borja Sainz da esquerda para o meio, Samu recebeu à entrada da área e desferiu um remate forte que saiu por cima da trave (35′). Assim, os azuis e brancos chegaram ao intervalo na frente, depois de terem estado sempre por cima no primeiro tempo (1-0).
Para a etapa complementar, Francesco Farioli lançou Alberto Costa no lugar de Francisco Moura, o que levou Martim Fernandes a passar para o lado esquerda, bem como Deniz Gül por Samu Aghehowa. Com o central Romário Carvalho a destacar-se na fase inicial com cortes providenciais, David Maside mexeu pela primeira vez a dobrar, colocando Anderson Moreira e Tiago Feiteira no meio-campo, por trocas com Tomás Lacerda e Pipas. O primeiro remate sintrense até saiu dos pés de Anderson, mas pouco perigo criou (60′). Com o jogo em aberto, Farioli respondeu com William Gomes e Rodrigo Mora, retirando Pepê e Borja Sainz. Pouco depois, os dragões resolveram a questão com um remate de longe de Alan Varela, que obrigou Rodrigo Santos a uma defesa apertada e incompleta para a frente, com Gül a emendar de pronto para o 2-0 (70′). Já com Duarte Bonito em campo, William arrancou pela direita e cruzou atrasado para corte de Romário, mas a bola ficou dentro da área e Martim atirou para defesa apertada do guarda-redes português (74′).
Para a reta final, Luuk de Jong voltou aos relvados e foi ovacionado pelo Dragão e, no primeiro ataque em que participou, viu Stephen Eustáquio rematar de longe e a bola sair a rasar o poste direito (77′). Logo a seguir, Gabri Veiga encontrou Mora solto de marcação à entrada da área, o “menino” enquadrou-se e desferiu um grande pontapé, em arco, ao ângulo superior mais distante, com a bola a entrar na baliza (80′). Depois de Rodrigo Conceição e Henrique Henriques saírem do banco do Sintrense, Rodrigo Mora voltou a aparecer com perigo à entrada da área, mas a sua finalização rasteira saiu ao lado (83′). Seguiu-se nova oportunidade para Eustáquio, que atirou de longe, ao poste mais distante, mas a sua tentativa teve o mesmo desfecho (85′). Mora continuou endiabrado e, depois de De Jong se ter isolado e perdido o ângulo para o remate, atirou para a baliza deserta, mas um defesa colocou-se no caminho e impediu o bis (88′). Deste modo, o FC Porto apurou-se para os oitavos de final da Taça de Portugal.