O PS juntou-se à parte, na noite desta terça-feira, para marcar os 50 anos do 25 de Novembro numa cerimónia na sede do partido, na qual o líder José Luís Carneiro aproveitou para criticar o Governo por ter escolhido “um método reducionista”, “um espartilho”, para celebrar a data. Os socialistas não rejeitam a celebração, mas contestam os moldes em que aconteceu.
Numa reunião especial da Comissão Política Nacional do PS, Carneiro juntou Manuel Alegre, Isabel Soares e também Manuel Pedroso Marques, para recordarem a data e sobretudo o Verão Quente de 75. Alegre enumerou episódios, nomeadamente o comício do Pavilhão dos Desportos e o caso República, para lembrar a presença socialista nesses momentos e a ausência de outros: “Nunca vi um representante da direita, sobretudo dos que agora se querem apoderar do 25 de Novembro contra o 25 de Abril.”
Como Carneiro havia de fazer na intervenção logo a seguir, também o histórico socialista colocou o PS como “o partido dominante” na “resistência ao projeto totalitário”, que ficou por terra com o 25 de Novembro. Foi o PS, repetiu, que “desde o princípio levantou a bandeira da resistência contra o projeto totalitário e fê-lo durante muito tempo sozinho”.
“O PS bateu-se pela liberdade e pelos valores democráticos” não só “durante a ditadura” como “durante a transição para a democracia”, sublinhou também o líder do partido, puxando no mesmo sentido de Alegre. “Sempre que esses valores estiveram em risco, o PS saiu à rua para mobilizar o país em sua defesa”, disse lembrando, entre outros, o comício da Fonte Luminosa em 75 — que o histórico socialista tinha classificado de “decisivo”.
Já sobre a comemoração da data, ambos concordam que deve existir, embora Alegre advirta “que não substitui o 25 de Abril, que derruba um regime. O 25 de Novembro derrotou a linha política dos gonçalvistas e do PCP”, defendeu. Colocou o combate que culminou nesse dia como “uma correção dos desvios do 25 de Abril” e onde se cumpriu a “derrota dos que, mais à direita, pensavam fazer de Portugal um novo Chile ou um Pinoestado”.
José Luís Carneiro, também não se opõe à celebração, mas deixa críticas ao Governo sobre a que decorreu neste ano. Disse que o 25 de Novembro “deve ser comemorado como momento decisivo para a institucionalização da democracia portuguesa e com base num amplo consenso nacional”. Prometeu que o PS “continuará a celebrar” a data, mas “liberta do espartilho em que a quiseram colocar este ano”.
Acusou o Governo de ter “escolhido” um “método reducionista” para a celebração deste ano que diz ter sido feita “com sectarismo”. “A comemoração apareceu com a tentação revisionista de ajuste de contas e de prejuízo ao próprio espírito que presidiu ao 25 de novembro”, afirmou na sede do partido na noite desta terça-feira. Saiu convencido de que o PS pode dar “garantias de um contributo para o amplo consenso político em torno da conquista, transição, consolidação e defesa dos direitos, liberdades de garantias democráticas”.
A reunião acabou por servir apenas para os socialistas contarem a sua versão da data num momento mais controlado. A reunião da Comissão Política do partido não foi além disto e acabou pouco depois da sessão que tinha decorrido à porta aberta.