Transformar a Aston Martin numa equipa de primeira linha foi o objetivo traçado Lawrence Stroll, dono da equipa com sede em Silverstone e pai do piloto Lance Stroll, juntamente com Andy Cowell, que em 2o25, substituiu Mike Krack como chefe de equipa. Contudo, os resultados menos positivos, que colocaram a Aston Martin no penúltimo lugar do Mundial de construtores, com apenas 72 pontos (40 de Fernando Alonso e 32 de Stroll), levou a scuderia a proceder a alterações na sua estrutura, com Adrian Newey a subir para o cargo de chefe de equipa, cargo que acumulará com a parte do desenho dos monolugares. Por outro lado, Cowell vai passar a ser o diretor de estratégia responsável pela parceria entre a Aston Martin e a Honda a partir de 2026.

“Tens de saber dizer ‘não’ quando não estás a ir na direção certa”: Adrian Newey “regressou” à Fórmula 1 pela porta da Aston Martin

De acordo com a imprensa britânica, estas mudanças terão sido provocadas pelas alegadas desavenças que Cowell manteve com Newey, que foi contratado na esperança de desenhar o carro vencedor em 2026, ano em que o regulamento técnico da Fórmula 1 vai voltar a sofrer uma grande mudança. Tudo aconteceu praticamente um ano depois de Andy Cowell ter chegado à Aston Martin como o grande impulsionador dos títulos de campeão de Lewis Hamilton e da Mercedes, entre 2014 e 2020, durante a era híbrida da prova rainha do automobilismo. Garantida a manutenção de Cowell na estrutura da equipa, inicialmente chegou a presumir-se que o inglês assumisse o cargo de diretor de estratégia, algo que se veio confirmar. Christian Horner, que levou a Red Bull à glória com Sebastian Vettel e Max Verstappen, terá sido sondado para o cargo.

Desta forma, Adrian Newey mantém o estatuto de pessoas de confiança de Lawrence Stroll, tendo agora a seu cargo a parte organizativa e técnica da equipa. Para lá de desenhar o monolugar com base no novo regulamento, o engenheiro de 66 anos vai, assim, assumir as operações estratégicas na pista e o cargo de diretor de equipa. “Durante os últimos nove meses vi um grande talento individual na nossa equipa. Estou desejoso de assumir o novo posto, já que nos posiciona na melhor posição possível para competir em 2026, onde teremos um cenário completamente novo, agora com a Aston Martin como equipa oficial, e o desafio considerável que representam as novas regras”, disse Newey no comunicado da equipa.

No processo de renovação que tem acontecido ao longo de 2025, desde a chegada de Adrian Newey, tendo baixado de posto sete engenheiros de desenho, entre eles Eric Blandin, que foi contratado à Mercedes em 2022. Outra das contratações feita pela Aston Martin passa por Enrico Cardile, antigo diretor técnico de chasis da Ferrari. Nesta altura também se fala da possível entrada do fundo soberano da Arábia Saudita no capital da Aston Martin, que estará a negociar a venda total. De recordar que o PIF já possui mais de 20% das ações da equipas inglesa.

Para já ainda não é certo que Newey marque presença em todos os Grandes Prémios do próximo ano, estando a ser estudada a hipótese do engenheiro ter um número dois, uma espécie de assistente que esteja presente na sua ausência. O monolugar de 2026 começou a ser desenhado desde cedo por Adrian, que tem agora em mãos a tarefa de desenvolvê-lo em pista, priorizando atualizações e a resolução da agilidade, num trabalho conjunto com a box. Caso o monolugar tenha um baixo rendimento, ficando aquém do pressuposto, a ideia passar por ter Newey em pista a identificar os problemas e a propor soluções.