Membro da Guarda Nacional desde 2023, Sarah Beckstrom foi uma de duas vítimas de um ataque com arma de fogo levado a cabo por um cidadão afegão de 29 anos esta quarta-feira perto da Casa Branca, tendo sido internada em estado muito grave. Esta quinta-feira à noite, a sua morte foi confirmada por Patrick Morrisey, governador do seu estado de origem, a Virgínia Ocidental, e também pelo presidente dos EUA, Donald Trump.
Segundo a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, Beckstrom ofereceu-se para trabalhar em Washington durante o feriado norte-americano de Ação de Graças. Ela e Andrew Wolfe, de 24 anos, foram ambos atacados perto de Farragut Square, sendo que Wolfe permanece vivo, mas em estado considerado crítico.
“Estou a segurar a mão dela neste momento. Ela tem um ferimento mortal. Não vai recuperar”, reagiu o pai, Gary Beckstrom, quando contactado pelo The New York Times esta quinta-feira. A militar passou os últimos momentos rodeada da família, adianta o jornal norte-americano.
Natural de Summersville, pequena cidade da Virgínia Ocidental, Beckstrom atingiu a gradução de especialista no exército norte-americano e iniciou o seu serviço em 6 de junho de 2023 na Guarda Nacional dos EUA, sendo destacada para a 863ª. Companhia da Polícia Militar da 111ª. Brigada de Engenharia da Guarda Nacional do Exército da Virgínia Ocidental.
A militar foi enviada para Washington DC em agosto deste ano, na sequência da decisão de Trump de enviar tropas da Guarda Nacional para a capital com o objetivo de combate ao crime e de ser uma presença dissuasora.
Como escreve o NYT, Beckstrom — que entrou na Guarda Nacional com o sonho de ascender profissionalmente e tornar-se membro do FBI — não ficou entusiasmada por ser mobilizada para Washington e, ao chegar à capital, travou contacto com pessoas que se opunham à presença reforçada da Guarda Nacional na cidade. No entanto, ao longo dos últimos meses, ter-se-á adaptado, tomando o gosto por visitar os museus e os memoriais da capital.
Em declarações ao jornal norte-americano, o seu ex-namorado, Adam Carr, descreve-a como uma “pessoa atenciosa e bondosa”, que gostava de dar passeios pela natureza e de fazer viagens de carro. “Enquanto estivesse com pessoas que se preocupassem consigo, ela estava a divertir-se”, afirmou.
“Sarah serviu com coragem, determinação extraordinária e um sentido inabalável de dever para com o seu estado e a sua nação. Ela respondeu ao chamamento para servir, avançou voluntariamente e cumpriu a sua missão com a força e o caráter que definem o que há de melhor na Guarda Nacional da Virgínia Ocidental”, optou por destacar Patrick Morrisey numa publicação nas redes sociais.
No momento em que anunciou a sua morte, Trump apresentou-a como uma jovem “altamente respeitada”, uma “pessoa magnífica” e “excecional em todos os aspetos”. Já Pete Hegseth, secretário da Defesa dos EUA, reagiu à sua morte classificando-a como “uma heroína norte-americana”.
A escola onde Beckstrom concluiu a escolaridade, a Webster County High School, também fez uma homenagem à militar. “Sarah, membro da turma de 2023, sempre demonstrou a força, o caráter e o compromisso que são motivo de orgulho para a nossa escola e comunidade. A sua decisão de servir o seu país reflete o melhor que esperamos incutir nos nossos alunos da Highlander”, lê-se.