O número de utentes sem médico de família atribuído voltou a aumentar em novembro, à semelhança do que já tinha acontecido em outubro. Neste momento, há 1.557.148 utentes a descoberto, uma subida de cerca de 14 mil pessoas em relação ao mês de outubro, mostram os dados do Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários, consultados pelo Observador.

O número de utentes sem médico de família está em crescimento desde o verão, apenas com exceção do mês de setembro, quando se registou uma ligeira descida. Em junho, havia 1.669.681 utentes sem médico de família. No mês seguinte, com a colocação nos centros de saúde de dezenas de médicos recém-especialistas de Medicina Geral e Familiar, registou-se uma diminuição, tendo o valor total passado para 1.508.414 pessoas sem médico. No entanto, desde aí que o valor está novamente em crescendo, com exceção do mês de setembro.

Nos últimos dois meses (outubro e novembro), o número de utentes a descoberto aumentou em cerca de 47 mil pessoas. Ao mesmo tempo, o número de utentes inscritos no SNS não pára de aumentar: em outubro, este indicador bateu um novo máximo histórico, com 10.706.983 pessoas inscritas, segundo o Portal da Transparência do SNS.

Percentagem de utentes com médico de família atribuído deve manter-se até 2027

No que diz respeito à distribuição geográfica dos utentes sem médico atribuído, a larga maioria continua a concentrar-se na zona de Lisboa e Vale do Tejo. Esta região é responsável por 71,3% do total de utentes a descoberto (1,11 milhões). Segue-se a região a região Centro, com 10,5% do total (163 mil pessoas), a região do Algarve com 6,6% (103 mil pessoas), e depois a região Norte e o Alentejo.

Na divisão por Unidades Locais de Saúde, a ULS do Estuário do Tejo (com sede em Vila Franca de Xira) continua a ser a que regista pior cobertura a nível nacional, com apenas 52,9% da população coberta por médico de família: cerca de 116 mil pessoas não têm médico, mais do que o total da região do Algarve ou da região Norte. Segue-se a ULS do Oeste (com sede em Torres Vedras), em que apenas 53,7% dos utentes tem médico atribuído.