Luigi Mangione regressa esta sexta-feira ao tribunal de Nova Iorque para mais uma audiência pré-julgamento, tal como tem decorrido ao longo desta semana. A sessão ocorre quando se cumpre um ano do homicídio do CEO da UnitedHealthcare Brian Thompson, alegadamente cometido pelo jovem de 27 anos, formado em tecnologia na Universidade da Pennsylvania, uma das que integra o prestigiado lote da ‘Ivy League’ nos Estados Unidos.
Para a audiência desta sexta-feira, segundo a ABC News, está prevista a audição de um dos agentes da polícia responsáveis pela revista da mochila de Mangione, na qual foram apreendidas diversas provas consideradas fundamentais para a acusação, entre as quais uma arma e um diário.
Contudo, e se esses elementos já foram abordados ao longo dos últimos dias, a sessão de quinta-feira resultou na divulgação de outras provas e elementos relevantes no caso contra o jovem. Uma dessas revelações foi a chamada efetuada pelo gerente do restaurante McDonald’s em Altoona, no qual Mangione veio a ser detido dias depois do homicídio.
“Tenho aqui um cliente sobre o qual outros clientes têm suspeitas, pois ele parece-se com o atirador do CEO de Nova Iorque“, ouve-se o gerente dizer na chamada telefónica para o número de emergência.
Também o depoimento de um dos agentes que estava de patrulha e foi mobilizado para o restaurante em Altoona contribuiu para reforçar o caso contra Mangione. Tyler Frye, de 26 anos e que se encontrava ainda em período experimental na altura da detenção, não hesitou na identificação do suspeito em tribunal. “É o senhor sentado entre a mulher e o homem. Parece que está a usar um fato”, afirmou, enquanto apontou com a mão esquerda para Luigi Mangione.
Imagens e depoimentos reforçam caso contra Mangione
Simultaneamente, foram exibidas em tribunal imagens da ‘bodycam’ do agente, enquanto Mangione permanecia sentado e sem reagir à transmissão das gravações. “Ele está lá atrás”, ouve-se alguém a falar para os agentes à chegada ao restaurante.
A conversa entre Mangione e os agentes prolonga-se por quase 20 minutos, até que lhe são lidos os seus direitos no momento da detenção, no dia 9 de dezembro de 2024. Por diversas vezes, o suspeito de 27 anos mostra-se relutante em falar com os agentes, mas não deixa de ir respondendo às várias questões que lhe são colocadas.
O diário de Luigi Mangione. Da viagem pela Ásia até aos planos para matar CEO da UnitedHealthcare
Um outro agente chegou a perguntar-lhe se sabia a razão para “toda esta confusão”, ao que Mangione respondeu: “Acho que vamos descobrir”. O jovem veio a apresentar uma identidade falsa de Nova Jérsia, sob o nome de Mark Rosario, a mesma identificação que, segundo a NPR, terá sido usada pelo alegado atirador quando se instalou num alojamento em Nova Iorque dias antes do homicídio do CEO da UnitedHealthcare.
Os agentes informaram então Mangione que estava sob “investigação policial oficial” e pediram o nome verdadeiro. No vídeo, Tyler Frye é visto a escrever o nome Luigi Mangione num pequeno caderno e a fornecer a sua data de nascimento. De seguida, Mangione foi, por fim, informado dos seus direitos e detido.
Já durante esta semana, um outro agente ouvido em tribunal assegurou ter identificado logo o suspeito quando chegou ao restaurante. “Soube que era ele imediatamente“, afirmou o polícia Joseph Detwiler.
Defesa contesta admissibilidade das provas
Os advogados de Mangione esperam convencer o tribunal a excluir as provas, incluindo a arma e um caderno no qual, segundo a acusação, ele descreveu um possível motivo para o homicídio do CEO da United Healthcare — que Mangione alvejou mortalmente em Nova Iorque, em dezembro de 2024.
Em causa estão ainda algumas das declarações que Mangione fez à polícia, incluindo a alegação de que teria fornecido um nome falso. A equipa jurídica que representa o arguido argumenta que Mangione deu um nome falso, mas que isso aconteceu antes que a polícia lhe lesse os seus direitos.
Os advogados também esperam que o juiz não considere como prova a arma — uma pistola de 9 mm — que, segundo a procuradoria, corresponde à usada no assassinato.
EUA. Luigi Mangione declara-se inocente das acusações de homicídio. Defesa tenta anular provas
Também irão tentar que o caderno encontrado na mochila de Mangione — no qual o arguido escreveu sobre “o cartel mortal de seguros de saúde movido pela ganância” — não seja considerado no julgamento que vai decorrer no Tribunal de Manhattan. No caso do caderno, os advogados de Mangione argumentam que a mochila foi revistada sem mandado judicial.
Até agora Luigi Mangione declarou a sua inocência relativamente às acusações de homicídio, quer no caso estadual, quer no caso federal. As audiências desta semana — e que podem prolongar-se para a próxima semana — dizem respeito ao caso do estado de Nova Iorque.
Já na quinta-feira, dia em que se cumpriu um ano da morte de Brian Thompson num passeio de Manhattan, a UnitedHealthcare colocou a bandeira a meia haste nas instalações da empresa no Minnesota.