Os Primal Scream foram alvo de queixa às autoridades após exibir imagens consideradas antissemitas durante um concerto esta segunda-feira em Londres para celebrar os 25 anos do seu álbum XTRMNTR. A sala de espetáculos já pediu desculpa pelo sucedido.

Em causa está o facto de, durante o tema Swastika Eyes, o conjunto escocês exibir a Estrela de David sobreposta com suásticas sobre os olhos de figuras como Benjamin Netanyahu, Javier Milei, Keir Starmer e Donald Trump nas projeções gráficas a acompanhar a atuação.

A Community Security Trust (CST), uma instituição de caridade e que se destina a proteger os direitos dos judeus britânicos, anunciou ter denunciado a banda britânica à polícia pelo incidente, escreve o Telegraph.

Afirmando que o CSR ficou “chocado com os vídeos grosseiramente antissemitas” exibidos no concerto, um porta-voz alertou ao jornal que “entrelaçar uma estrela de David com uma suástica implica que os judeus são nazis e corre-se o risco de incentivar o ódio aos judeus”.

“É necessária uma investigação urgente por parte do local do evento e do promotor sobre como isto aconteceu e iremos denunciar o caso à polícia”, completou.

O Roundhouse, a sala do norte de Londres onde decorreu o concerto, já reagiu ao sucedido, com um porta-voz a admitir o “choque com a exibição de imagens antissemitas” no local e acrescentando que tal ocorreu sem o conhecimento prévio dos responsáveis do espaço.

“Lamentamos profundamente que estas imagens altamente ofensivas tenham sido apresentadas no nosso palco e pedimos desculpas inequívocas a todos que assistiram ao espetáculo e à comunidade judaica em geral. O conteúdo, que foi usado inteiramente sem o nosso conhecimento, vai contra todos os nossos valores”, afirmou, citado pelo The Guardian, adiantando que o Roundhouse “condena veementemente o antissemitismo em todas as suas formas”.

O Creative Community for Peace, um grupo pró-Israel de combate ao antissemitismo na indústria do entretenimento e contra os boicotes culturais ao país do Médio Oriente, também se pronunciou quanto a este incidente.

“A Estrela de David é um símbolo sagrado da identidade judaica; a suástica é o emblema de um regime genocida responsável pelo assassinato de 6 milhões de judeus. Fundir estes dois símbolos é um ato de profunda malícia, profanação e crueldade. É antissemitismo na sua forma mais crua”, lamentou.

Além disso, o grupo recorda que “esta exibição não é um incidente isolado”, acusando os Primal Scream de ter “repetidamente divulgado conteúdo extremista que glorifica o terrorismo, distorce a memória do Holocausto e difama o povo judeu e o Estado de Israel”.

Fundada em 1982, a banda liderada por Bobby Gillespie tem um longo historial de apoio à causa palestiniana e de oposição à atuação de Israel. Em setembro, por exemplo, constaram entre os mais de 400 artistas e grupos que assinaram uma petição para remover as suas músicas das plataformas de streaming do país. Durante o concerto desta segunda-feira, além dos símbolos acima descritos, foram também exibidas imagens da destruição em Gaza, terminando o vídeo com as palavras “o nosso governo é cúmplice de genocídio”.