Dois atiradores abriram fogo na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália, este domingo, provocando a morte de pelo menos 11 pessoas e deixando várias feridas. O tiroteio ocorreu quando várias pessoas celebravam o início do Hanucá, ou Festa das Luzes, o festival anual judaico que comemora a reabertura do Templo de Jerusalém no século II a.C. Desde então, vários líderes mundiais lamentaram mais um episódio de violência antissemita.
Marcelo Rebelo de Sousa publicou uma mensagem no site da Presidência da República em que se lê que “recebeu com profunda consternação as notícias sobre o violento ataque terrorista levado a cabo em Bondi Beach, que provocou inúmeras vítimas mortais e feridos, incluindo crianças”. “O Presidente da República reafirma a sua condenação da violência especialmente originada pelo ódio, nomeadamente o anti-semitismo, o racismo, a xenofobia, a intolerância, que nos lembra os tempos mais negros da nossa história recente, que atenta contra a dignidade humana e o respeito pelo outro. Neste momento de grande dor, transmite toda a solidariedade fraterna e sentido pesar às famílias das vítimas, bem como às autoridades australianas e ao povo da Austrália.”
Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal emitiu uma nota em nome do Governo português a condenar “veementemente o ataque contra a celebração de Hanukkah na praia de Bondi, na Austrália — um ato hediondo de antissemitismo”. “Expressa sentidas condolências às famílias das vítimas, ao povo e às autoridades australianas, bem como a toda a comunidade judaica”, indica o texto, repartilhado pelo ministro, Paulo Rangel.
O Governo português condena veementemente o ataque contra a celebração de Hanukkah em Bondi Beach, na Austrália - um acto hediondo de anti-semitismo.
— Negócios Estrangeiros PT (@nestrangeiro_pt) December 14, 2025
Expressa sentidas condolências às famílias das vítimas, ao povo e autoridades australianas, bem como a toda a comunidade judaica.
António Costa também partilhou uma mensagem no X a lamentar o ataque. O presidente do Conselho Europeu disse estar “profundamente chocado com o horrível ataque contra aqueles que celebravam a primeira noite de Hanucá na Bondi Beach. Os meus sentimentos estão com as vítimas, as suas famílias e amigos. Manifesto minha solidariedade à Austrália e às comunidades judaicas em todo o mundo. A Europa está unida contra o antissemitismo.” A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, diz-se “absolutamente horrorizada ao ver as imagens que estão a surgir do ataque horrível contra tantas pessoas na Praia de Bondi, no momento em que se iniciavam as celebrações de Hanucá em Sydney”. “Todos os meus pensamentos estão com as vítimas e com a comunidade judaica em geral, na Austrália e além-fronteiras. Esta luz não será apagada”, lê-se, na mensagem partilhada no X.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, publicou nas redes sociais que está “profundamente chocada com as imagens perturbadoras do tiroteio durante as celebrações de Hanucá na praia de Bondi, na Austrália”: “Este ato de violência horrível contra a comunidade judaica deve ser condenado de forma inequívoca. Os meus pensamentos estão com todos os afetados, com as suas famílias e com os primeiros socorristas que agiram com coragem. A Austrália é um dos amigos mais próximos da Europa, e estamos em plena solidariedade com o povo australiano”. Também o secretário geral da ONU, António Guterres, partilhou uma mensagem. “Estou horrorizado e condeno o hediondo ataque mortal de hoje contra famílias judaicas reunidas em Sydney para celebrar o Hanucá. O meu coração está com a comunidade judaica em todo o mundo neste primeiro dia de Hanucá, um festival que celebra o milagre da paz e da luz a vencer a escuridão.”
I am horrified and condemn today’s heinous deadly attack on Jewish families gathered in Sydney to celebrate Hannukah.
— António Guterres (@antonioguterres) December 14, 2025
My heart is with the Jewish community worldwide on this first day of Hannukah, a festival celebrating the miracle of peace and light vanquishing darkness.
O Rei Carlos III, que é chefe de Estado da Austrália, como parte da Commonwealth, publicou um comunicado nas redes sociais com uma mensagem ao povo australiano. “Eu e a minha mulher estamos chocados e profundamente entristecidos com o mais terrível ataque terrorista antissemita contra os judeus que participavam na celebração da Hanucá em Bondi Beach. Os nossos pensamentos estão com todos os que foram tão gravemente afetados, incluindo os agentes da polícia que ficaram feridos enquanto protegiam membros da sua comunidade. Louvamos a polícia, os serviços de emergência e os cidadãos cujas ações heroicas, sem dúvida, evitaram um horror e uma tragédia ainda maiores. Em momentos de dor, os australianos unem-se sempre com espírito de união e determinação. Sei que o espírito de comunidade e de amor que brilha tão intensamente na Austrália — bem como a luz que está no coração do Festival de Hanucá — triunfará sempre sobre a escuridão de um mal desta natureza”, escreveu o monarca britânico.
Entre os líderes de países europeus, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, também escreveu nas redes sociais. “Notícias profundamente perturbadoras vindas da Austrália. O Reino Unido envia os seus pensamentos e condolências a todos os afetados pelo ataque horrível na Praia de Bondi. Estou a ser mantido informado sobre a evolução da situação”, partilhou. Também Emmanuel Macron, Presidente francês, fez uma partilha: “Em Sydney, um ataque terrorista antissemita atingiu famílias reunidas para celebrar o Hanucá. A França dirige os seus pensamentos às vítimas, aos feridos e aos seus entes queridos. Partilhamos a dor do povo australiano e continuaremos a combater incansavelmente o ódio antissemita, que nos fere a todos, onde quer que atinja.” O chanceler alemão, Friedrich Merz, também reagiu através do X. “O ataque antissemita em Bondi Beach durante o Hanucá me deixou profundamente chocado. Meus pensamentos estão com as vítimas e suas famílias. Este é um ataque aos nossos valores partilhados. Devemos combater o antissemitismo — aqui na Alemanha e em todo o mundo”, disse.
Chanukah should be a time of celebration and joy.
— Keir Starmer (@Keir_Starmer) December 14, 2025
The news that the Bondi beach attack was an antisemitic terrorist attack against Jewish families at a Chanukah event is sickening.
My thoughts are with the victims and their families.
The United Kingdom will always stand with…
Da mesma forma reagiu a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. “Acompanho com profunda dor as notícias dramáticas que chegam de Sydney. Ao condenar mais uma vez com firmeza todas as formas de violência e de antissemitismo, a Itália expressa o seu pesar pelas vítimas e associa-se aos seus entes queridos, aos feridos e às comunidades judaicas, renovando também a sua amizade para com o povo australiano.” O Presidende da Finlândia, Alexander Stubb, também partilhou uma mensagem no X: “O ataque terrorista desta noite à celebração do Hanucá em Bondi Beach é chocante e devastador. Os nossos pensamentos estão com as famílias e entes queridos das vítimas assim como com toda a comunidade judaica da Austrália. A Finlândia está com a Austrália a condenar o antissemitismo, ódio religioso e terrorismo em todas as usas formas”.
Volodymyr Zelensky fez questão de reagir, à margem do encontro que se prevê para as próximas horas com líderes europeus e os enviados norte-americanos, Steve Witkoff e Jared Kushner, em Berlim. “A Ucrânia está solidária com a Austrália perante o ataque terrorista brutal na Praia de Bondi, em Sydney, que teve como alvo a comunidade judaica no início da Hanucá. Apresentamos as nossas condolências às famílias e aos entes queridos dos que perderam a vida e desejamos uma rápida e plena recuperação a todos os feridos. O terror e o ódio nunca devem prevalecer — devem ser derrotados sempre e em todo o lado”, escreveu, numa mensagem publicada no X.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, também fez uma publicação no X. “Condeno veementemente o ataque terrorista macabro levado a cabo hoje na Praia de Bondi, na Austrália, contra pessoas que celebravam o primeiro dia do festival judaico da Hanucá. Em nome do povo da Índia, apresento as minhas sinceras condolências às famílias que perderam os seus entes queridos. Estamos solidários com o povo da Austrália nesta hora de luto. A Índia tem tolerância zero em relação ao terrorismo e apoia o combate contra todas as formas e manifestações de terrorismo.”
Da América do Norte, o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, enviou uma mensagem através das redes sociais. “Horrorizado com o ataque terrorista antissemita que tirou a vida de 11 pessoas num evento de Hanucá em Bondi Beach, na Austrália, o Canadá se solidariza com o povo australiano e com o povo judeu em todo o mundo, expressando sua tristeza e determinação em jamais se curvar ao terrorismo, à violência, ao ódio e à intimidação. O Hanucá é um tempo de luz em meio à escuridão e uma lembrança da resiliência do povo judeu. Que todos nós possamos apoiar e fortalecer essa resiliência para proteger as nossas comunidades judaicas e, fundamentalmente, garantir que todas as pessoas possam prosperar em todos os aspetos da nossa sociedade.”
Num discurso para a imprensa, Donald Trump fez questão de prestar condolências às famílias das vítimas. “É uma situação terrível”, afirmou o Presidente norte-americano, que diz que “este é um ataque puramente antissemita”. Anteriormente, Trump já tinha afirmado a um jornalista da Fox News que o povo judaico norte-americano podia continuar a “celebrar com orgulho” o Hanucá, apesar do ataque na Austrália. Também Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, fez uma partilha no X a transmitir a mensagem do Governo Trump. “Os EUA condenam fortemente o ataque terrorista na Austrália que teve como alvo uma celebração judaica. O antissemitismo não tem espaço neste mundo. As nossas orações estão com as vítimas deste ataque terrível, a comunidade judaica e o povo da Austrália”.
The United States strongly condemns the terrorist attack in Australia targeting a Jewish celebration.
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) December 14, 2025
Antisemitism has no place in this world. Our prayers are with the victims of this horrific attack, the Jewish community, and the people of Australia.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelita, ainda não enviou uma mensagem pública oficial, mas reagiu ao ataque em declarações aos jornalistas antes da reunião semanal em Dimona. Netanyahu afirmou que enviou uma carta em agosto ao primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, a chamar a atenção para as políticas do chefe de Governo, que incluem o reconhecimento formal do Estado palestiniano, encorajaram “o ódio aos judeus que agora assola as ruas. O antissemitismo é um cancro. Espalha-se quando líderes ficam em silêncio. Deve substituir a fraqueza por ação”, afirmou, citado pelo Times of Israel. Netanyahu ainda classificou o ataque como “assassínio a sangue frio. O número de mortos está infelizmente a subir a cada minuto. Vimos a profundidade do mal. E também vimos o auge o heroísmo judaico”, disse o primeiro-ministro israelita, sobre um homem que conseguiu desarmar um dos atiradores. O homem foi entretanto identificado como Ahmed el Ahmed, o dono de uma frutaria no subúrbio de Sydney que a imprensa australiana avança como sendo muçulmano.