Os últimos dias trouxeram algum otimismo ao universo do Benfica. Depois do empate na Luz com o Sporting, que deixou as contas do segundo lugar do Campeonato exatamente na mesma e só beneficiou a liderança do FC Porto, a equipa de José Mourinho venceu o Nápoles e somou o segundo triunfo na Liga dos Campeões, mantendo viva a esperança de ainda chegar ao playoff de acesso aos oitavos de final. Este domingo, portanto, era necessário dar continuidade a esse otimismo. 

Em Moreira de Cónegos, o Benfica realizava uma deslocação que há mais de um ano culminou no despedimento de Roger Schmidt, que não foi além de um empate com o Moreirense. Depois da vitória do Sporting frente ao AVS em Alvalade, os encarnados sabiam que tinham de ganhar não só para manter a distância de três pontos para os leões como também para não deixar fugir o FC Porto, que só recebe o Estrela da Amadora esta segunda-feira.

Ficha de jogo

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Moreirense-Benfica, 0-4

14.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos

Árbitro: Hélder Carvalho (AF Santarém)

Moreirense: André Ferreira, Dinis Pinto, Maracás, Gilberto Batista, Francisco Domingues (Álvaro Martínez, 82′), Stjepanovic (Afonso Assis, 45′), Vasco Sousa (Rodrigo Alonso, 45+6′), Diogo Travassos, Benny (Kiko Bondoso, 66′), Landerson, Guilherme Schettine (Luís Hemir, 66′)

Suplentes não utilizados: Caio Secco, Cédric Teguia, Jimi Gower, Marcelo

Treinador: Vasco Botelho da Costa

Benfica: Trubin, Amar Dedic, Tomás Araújo, Otamendi, Samuel Dahl (José Neto, 85′), Richard Ríos, Enzo Barrenechea (Manu Silva, 82′), Fredrik Aursnes, Leandro Barreiro (Rodrigo Rêgo, 45′), Sudakov (Schjelderup, 77′), Pavlidis (Ivanovic, 77′)

Suplentes não utilizados: Samuel Soares, António Silva, João Rego, Tiago Freitas

Treinador: José Mourinho

Golos: Pavlidis (36′, 57′ e 70′), Fredrik Aursnes (76′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Stjepanovic (28′), a Vasco Sousa (33′)

Tal como já tinha acontecido antes da visita ao Casa Pia, devido à segunda volta das eleições para os órgãos sociais do clube, e da deslocação à Madeira para defrontar o Nacional, José Mourinho não realizou a habitual conferência de imprensa de antevisão da partida e limitou-se a falar à BTV — garantindo que o Benfica tinha de manter a assertividade demonstrada a meio da semana contra o Nápoles. “Corremos muitos quilómetros na passada quarta-feira. Não só os quilómetros que corremos, mas também o desgaste emocional, a pressão inerente ao jogo, a concentração necessária durante o mesmo. Mas temos de ir com a vitória no pensamento. Espero que consigamos transportar a vontade de… A concentração, a motivação, a responsabilidade, esse sentido da responsabilidade que penso que é fundamental que nós consigamos transportar”, indicou.

Assim, de forma natural, o treinador encarnado recuperava a titularidade de Pavlidis e deixava Ivanovic no banco, com Tomás Araújo a manter-se ao lado de Otamendi em detrimento de António Silva. Do outro lado, num Moreirense que começou muito bem a temporada mas vinha de três jornadas seguidas sem ganhar, Vasco Botelho da Costa não podia contar com o castigado Alanzinho e lançava Landerson e Diogo Travassos no apoio mais direto a Guilherme Schettine.

O Moreirense criou a primeira grande oportunidade de golo, com Gilberto Batista a obrigar Trubin a uma defesa a dois tempos com um cabeceamento na área ainda dentro dos dez minutos iniciais (7′). O Benfica teve muita bola no meio-campo contrário no primeiro quarto de hora, empurrando o adversário para o último terço e procurando caminhos rumo à baliza de André Ferreira, mas não demonstrava a criatividade necessária para inventar ocasiões para marcar.

A equipa de Moreira de Cónegos aproveitou a exibição cinzenta dos encarnados, cresceu na partida e subiu as linhas, passando a ter mais posse de bola no meio-campo oposto e dispondo até de longos períodos em que podia ir de um corredor ao outro com alguma tranquilidade. A estratégia de Vasco Botelho da Costa estava bem montada, numa espécie de teia de pressão que anulava as jogadas do Benfica numa fase ainda muito embrionária, e José Mourinho parecia preocupado no banco de suplentes.

Sudakov protagonizou a primeira situação de perigo dos encarnados, com um cabeceamento na área que esbarrou em Dinis Pinto (21′), e os minutos iam passando com muito equilíbrio e dezenas de duelos na zona do meio-campo. Ainda assim, acabou por imperar a eficácia: logo depois de rematar por cima na sequência de um erro do Moreirense na saída de bola (36′), Pavlidis apareceu completamente sozinho na área após cruzamento de Aursnes na direita e cabeceou para abrir o marcador (36′).

Tomás Araújo ainda poderia ter aumentado a vantagem até ao fim da primeira parte, com outro cabeceamento que André Ferreira segurou (42′), e Vasco Botelho da Costa ainda foi forçado a realizar a primeira substituição por lesão de Vasco Sousa, que foi rendido por Rodrigo Alonso. Ao intervalo, apesar de não estar a cumprir uma exibição de encher o olho, o Benfica estava a vencer o Moreirense em Moreira de Cónegos.

Vasco Botelho da Costa continuou o que tinha começado nos descontos da primeira parte e voltou a mexer no início da segunda, lançando Afonso Assis ao intervalo, enquanto que José Mourinho tirou Leandro Barreiro, que tinha estado em dificuldades e sido assistido pela equipa médica, para colocar Rodrigo Rêgo, com Aursnes a ocupar o lugar mais central nas costas de Pavlidis. O Benfica recomeçou claramente com a intenção de tomar conta do jogo através da posse de bola e uma estratégia que congelava as ocorrências, enquanto que o Moreirense parecia ter os setores mais distantes e não conseguia ligar-se para chegar perto da área contrária.

Tal como tinha acontecido na primeira parte, porém, os encarnados demonstraram uma eficácia acima da média. O Moreirense voltou a errar na saída de bola, o Benfica aproveitou e Aursnes descobriu Pavlidis na área, com o avançado grego a rematar contra um adversário e o desvio a trair André Ferreira (57′). A equipa de Vasco Botelho da Costa reagiu, até porque o conjunto de José Mourinho recuou e permitiu outro protagonismo do lado contrário, e Benny assustou com um pontapé de fora de área que Trubin encaixou (63′).

O treinador da equipa de Moreira de Cónegos procurou navegar essa reação e realizou mais duas substituições, lançando Luís Hemir e Kiko Bondoso, mas voltou a ser traído pela saída de bola dos próprios jogadores: erro inadmissível de Gilberto Batista na saída de bola, com Pavlidis a recuperar ainda dentro da grande área contrária e a atirar forte e cruzado para assinar o hat-trick (70′). Pouco depois, numa nova oferta da defesa do Moreirense, André Ferreira errou um passe numa tentativa de saída curta e Aursnes aproveitou para tirar um chapéu perfeito ao guarda-redes e carimbar a goleada (76′).

Mourinho ainda lançou Schjelderup, Ivanovic, Manu Silva e José Neto, sendo que este último cumpriu a estreia absoluta na Primeira Liga, mas já nada mudou até ao fim. O Benfica goleou o Moreirense em Moreira de Cónegos, manteve a distância para o segundo lugar do Sporting e está agora a cinco pontos à condição da liderança do FC Porto, que só joga esta segunda-feira. Num dia em que alcançou o segundo hat-trick da temporada e chegou aos 42 golos em 2025, algo que não acontecia nos encarnados desde Eusébio nos anos 60, Pavlidis só precisou de se lembrar das melhores manhãs de Natal da infância para aproveitar os presentes do adversário.