O Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky admitiu este domingo, na Alemanha, deixar cair a candidatura do país à NATO como contrapartida por garantias de segurança do Ocidente, mas rejeitou a pressão dos EUA para ceder territórios à Rússia.
“Alguns parceiros nos Estados Unidos e na Europa não apoiam” a adesão da Ucrânia à NATO, constatou Volodymyr Zelensky, numa conversa com jornalistas através do WhatsApp à chegada à Berlim para uma reunião, ladeado pelo chanceler alemão, Friedrich Merz, com os enviados dos EUA Steve Witkoff e Jared Kushner para as negociações de paz na Ucrânia.
Por causa disso, a Ucrânia faz um “compromisso”, em troca da adesão à NATO: “Garantias de segurança bilaterais entre a Ucrânia e os Estados Unidos — especificamente o artigo 5.º [do Tratado de Washington que prevê que um ataque a um Estado-membro é um ataque a todos] — juntamente com garantias de segurança dos parceiros europeus, Canadá, Japão e outros”.
O Presidente da Ucrânia referiu que o objetivo destas garantias de segurança consiste em “prevenir outra agressão russa”. Ceder à adesão à NATO já é, de acordo com Volodymyr Zelensky, “um compromisso” da Ucrânia. Aliás, no documento de 28 pontos feito entre a Rússia e os Estados Unidos, já havia referência a que Kiev nunca entraria na Aliança atlântica.
O Presidente ucraniano referiu também que estas garantias de segurança teriam de ser legalmente vinculadas e aceites pelo Congresso norte-americano.
No entanto, Volodymyr Zelensky rejeitou, sem hipóteses de ser trabalhada, a proposta dos EUA para que a Ucrânia se retire da região oriental de Donetsk e seja ali criada uma zona económica livre desmilitarizada.
“Não considero justo, porque quem vai gerir esta zona económica”, frisou, questionando: “Se as tropas ucranianas recuarem cinco, dez quilómetros, por exemplo, então por que é que as tropas russas não recuam mais profundamente nos territórios ocupados na mesma distância?”
O chefe de Estado reiterou que a questão é” muito sensível” e insistiu num congelamento ao longo da atual linha de contacto no território.
As conversações deste domingo decorrem antes da realização na segunda-feira de uma cimeira convocada pelo chanceler alemão entre vários líderes europeus, das instituições comunitárias e da NATO.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022 e, desde então, a guerra já custou dezenas de milhares de vidas civis e militares aos dois países, segundo várias fontes.