Filho do fundador da OLI, que se assume líder ibérica de autoclismos, António Oliveira morreu, na segunda-feira, 15 de dezembro, aos 72 anos. “A sua liderança, visão estratégica e capacidade de inspirar pessoas marcaram de forma determinante o crescimento e a reputação da OLI, em Portugal e além-fronteiras”, considera a empresa na nota em que comunica o falecimento do seu fundador.
Nascido em 1953, filho de António Rodrigues Oliveira e de Maria Pereira de Moura tinha três irmãos — Rui, Ermelinda e Graça. O pai António Rodrigues Oliveira fundou, um ano depois do nascimento do terceiro filho, a Oliveira & Irmão, uma sociedade constituída com o seu irmão Saul. 50 mil escudos, divididos pelos dois irmãos, que, para isso receberam um empréstimo de três particulares, foram o necessário para criar a empresa para a exploração do comércio de compra e venda de artigos de fundição e outros materiais. Rui, o irmão mais velho, recorda-se de, com cinco anos, ir com o seu pai assinar o contrato de arrendamento para as instalações da empresa, num armazém onde tinha funcionado uma fábrica de pirolitos (bebida gaseificada muito conhecida nesses anos por incluir um berlinde), contou num livro sobre a história da empresa. A sede da OLI ficou aí até ao início dos anos de 1960.
O condicionamento industrial limitava a ação da empresa que, nesses primeiros anos, vendia essencialmente artigos de ferro fundido, como fogareiros e panelas de ferro.
Os filhos, Rui e António, cedo começaram a passar as férias de verão na empresa. Ganhavam 10 tostões por dia. Foi com 14 anos que António fez a sua primeira viagem ao estrangeiro, a Itália, que acabaria a marcar a vida da OLI.
Em 1993 já António liderava a empresa. E a sede já há muito tinha mudado de local. Em 1968 foi comprado o terreno onde seria construído o edifício-sede na Estrada Nacional Porto-Figueira da Foz, junto à zona industrial de Aveiro, para onde se mudaram em 1973. Dois anos depois, Rui entrava na empresa. Três anos depois seria a entrada de António, então com 24 anos, depois de concluir a licenciatura de engenharia mecânica na Universidade de Coimbra. Nesse ano, 1978, António foi apresentado, pelo pai, a Aristide Cappelletti, fundador da Cibiemme Plast, empresa fornecedora dos autoclismos da OLI. E aí começou a cimentar a ideia de construírem juntos uma fábrica em Portugal. Esgueira foi a paragem que se seguiu nessa aliança, com o arranque da fábrica em 1980.
A abertura ao mundo levou o filho António ao topo da empresa, levando, em 1986, à cisão familiar. O pai António morreu a 29 de novembro de 1986. “Os papéis dos dois irmãos estavam bem definidos e não se alteraram: António Oliveira era estratega do negócio e o homem da indústria, enquanto Rui liderava a área administrativa-financeira e, mais tarde, a área comercial. (…) A sucessão era clara e nascia da complementaridade: “o pai [António Rodrigues Oliveira] tinha um faro para reconhecer um negócio que daria dinheiro; o filho [António Oliveira] tinha o faro para antecipar um negócio que fosse dar dinheiro”, escreve-se no livro da empresa.
Em 1989, a OLI “tornou-se numa empresa industrial e comercial: produtora de autoclismos e mecanismos e especialista no comércio por grosso de artigos sanitários, ferragens, tubagens para canalizações, motobombas e eletrobombas, torneiras e eletrodomésticos”, diz-se ainda.
Foi já com António ao leme que, em 1993, a Fondital, do Grupo Silmar, sediado em Itália, com cerca de 3000 colaboradores e presente em quatro setores de atividade (aquecimento; fundição em alumínio; metalização em plásticos e redes de esgotos e águas), ficou com a participação da Cibiemme na OLI. A OLI tem hoje 71 anos, quase tantos como o que o seu presidente tinha.
António Oliveira, colecionador, velejador e um amante de música, levou a OLI a uma expansão internacional que a tornou líder ibérica. Várias crises passaram pela empresa. A terceira geração já lá chegou. Há um ano foi lançada uma biografia de António Oliveira por Ana Aires Duro — “Ousar e Resistir”. Na sinopse fala-se de como o livro “constitui uma lição sobre o valor do trabalho, da inovação, da persistência, da coragem e da capacidade de reinvenção. Os sucessos e desaires relatados nestas páginas também nos convidam a refletir sobre as nossas próprias vidas, dando-nos força e inspiração para enfrentarmos as nossas próprias contrariedades”.
António Oliveira morreu a 15 de dezembro de 2025. A Câmara de Aveiro prestou-lhe a sua homenagem, assim como a Universidade (presidiu ao Conselho Geral da Universidade de Aveiro). A OLI hoje fatura mais de 75 milhões de euros, tendo mais de 450 trabalhadores.