A Fundação Jornada, responsável por distribuir os fundos que resultaram da organização, por parte da Igreja Católica, da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa, recebeu mais de 600 candidaturas a apoios na primeira fase do projeto, de acordo com um comunicado enviado esta quarta-feira pela fundação.

No total, chegaram 612 propostas, que se traduzem “no montante global de mais de 14 milhões de euros em pedidos de financiamento”, esclarece a fundação.

Lucros da JMJ vão servir para apoiar projetos de juventude com 800 mil euros por ano. Primeiro concurso arranca em outubro

“O período de apresentação de candidaturas decorreu entre 16 de outubro e 16 de dezembro de 2025 e é o primeiro ensaio piloto de um modelo regular de financiamento, pela Fundação Jornada para aproximar, capacitar e impulsionar a juventude em Portugal”, garante o organismo, liderado pelo bispo auxiliar de Lisboa Alexandre Palma, acrescentando que as candidaturas recebidas “apresentam uma grande diversidade de áreas de intervenção, com maior destaque na Educação, Espiritualidade, Arte e Cultura, assim como Inclusão Social, Cidadania e Saúde Mental”.

“A organização destaca ainda que foram recebidas candidaturas de todos os distritos do Continente, assim como das Regiões Autónomas, reforçando a diversidade geográfica das propostas. O valor médio pedido pelos projetos apresentados é de 24 mil euros”, lê-se na nota. “A grande maioria das candidaturas apresentadas (mais de 70%) são de jovens para jovens, sendo os públicos-alvo muito diversos, abrangendo adolescentes, universitários, jovens em acolhimento, jovens com deficiência, jovens de contextos vulneráveis.”

Neste primeiro programa, intitulado “Jovens, Agentes de Esperança”, a fundação tem um montante global de 360 mil euros para distribuir por projetos organizados por jovens entre os 15 e os 35 anos de idade.

A Fundação JMJ foi a entidade criada pela Igreja Católica em Portugal para organizar a Jornada Mundial da Juventude de 2023, em Lisboa, um evento que reuniu cerca de 1,5 milhões de jovens de todo o mundo na capital portuguesa para uma semana de eventos com o Papa Francisco. A organização foi tripartida entre a Igreja, o Governo e as autarquias envolvidas (com Lisboa e Loures à cabeça). Da parte da Igreja, a organização teve um lucro de cerca de 35 milhões de euros, que a hierarquia eclesiástica prometeu desde o início destinar a projetos de juventude.

O modelo escolhido foi o de uma fundação clássica, com o dinheiro a ser investido e a fundação a distribuir anualmente os proveitos desse investimento sob a forma de bolsas e apoios.

Os projetos vão agora ser avaliados num processo com várias etapas e um júri independente. Os resultados finais deverão ser conhecidos a partir do dia 25 de março de 2026.