Mais de 300 pessoas celebraram na noite desta quinta-feira, em Lisboa, o acendimento da quinta vela do Hanucá, uma cerimónia judaica que ficou assinalada pela liberdade religiosa e a solidariedade para com as vítimas do antissemitismo.
“O antissemitismo é um sinal preocupante para toda a sociedade, numa fase inicial afeta os judeus, mas depois afeta as outras comunidades”, alertou o presidente da comunidade israelita de Lisboa, David Botelho, no início do evento também conhecido como “Festa das luzes” ou o Hanucá que começou por volta das 19h00, no alto do Parque Eduardo VII.
Numa iniciativa da comunidade israelita de Lisboa, a “Festa das Luzes” homenageou também as vítimas assassinadas e feridas no ataque que teve lugar no primeiro dia de Hanucá, em Sidney, na Austrália, no passado domingo.
David Botelho disse ainda que o topo do parque Eduardo VII foi o sítio escolhido para a celebração destacando que alguns metros de distância mais abaixo estava a Wonderland Lisboa, onde se comemorava o Natal.
Para o dirigente, as celebrações ocorrerem em simultâneo no “coração da capital” é um sinal de liberdade religiosa.
“Demonstra que podemos viver em paz e respeitar todas as crenças”, acrescentou David Botelho, salientando que é possível combater o antissemitismo com um canal de denúncias, a criação de um programa para as escolas sobre o que foi o holocausto e outro de formação para as forças de segurança, entre outras formas educativas.
O embaixador de Israel em Lisboa, Oren Rozenblat, também esteve presente no evento e disse que este ano é difícil desejar um “feliz Hanucá” devido ao ataque na Austrália, em Sidney que matou 15 pessoas e fez 42 feridos, no primeiro dia do Hanucá.
“Os nossos irmãos queriam acender as velas do Hanucá num evento exatamente como o que nós fazemos esta noite. Foram assassinados só por serem judeus. O nosso coração está com a família das vítimas e com toda a comunidade judaica”, disse Oren Rozenblat.
A cerimónia contou também com a presença do ministro da presidência, António Leitão Amaro, que destacou que ser judeu em Portugal não pode ser razão para ser alvo de discriminação, de ódio e de intolerância.
O ministro disse ainda que o país está pronto para receber de braços abertos todos os judeus que queiram estar em Portugal.
“Não há lugar na sociedade portuguesa para o antissemitismo, não há lugar na comunidade e na sociedade portuguesa para o antissemitismo. Há quem o cultive, mas nós precisamos destes momentos (referindo-se à cerimónia) para sinalizar que não devemos ter medo, não devemos renegar quem somos por causa do medo”, acrescentou António Leitão Amaro.
Antes do acendimento das velas, os rabinos (responsáveis pelo ensino e aplicação dos ensinamentos do judaísmo) Aharon Eitan e Eli Rosenfeld também fizeram discursos em homenagem às vitimas do ataque em Austrália, mas também celebraram as velas do Hanucá.
“As velas que estamos prestes acender são as velas do amor”, disse Aharon Eitan.
Por voltas 20h00, o presidente da comunidade israelita, o embaixador de Israel em Lisboa, o ministro da presidência, os rabinos e outros representantes do povo judaico acenderam as velas até à quinta do Hanucá, um candelabro que pode ter entre oito e nove braços, sendo que o nono serve para acender as velas dos restantes.
Na cerimónia, que relembra a vitória dos judeus contra os gregos, que governavam Israel em 167 antes de Cristo (A.C), estiveram presentes pessoas de todas idades e até cães, destacando que o evento realiza-se há 15 anos em espaços públicos, em Portugal.
A Lusa falou com algumas das pessoas presentes no evento de várias nacionalidades e religiões que foram unânimes em manifestar apoio e solidariedade com a comunidade judaica.
A noite estava fria, mas as temperaturas não impediram as pessoas de dançar no final da celebração, onde foram oferecidos bolos, um espetáculo de bolinhas de sabão e música.
A cerimónia contou ainda com a presença da encarregada de negócio da Embaixada da Austrália em Portugal, Paola Gal’lino, que esteve presente em homenagem às vítimas do ataque em Austrália.