A nova Sociedade de Garantia Mútua (SGM) foi formalmente constituída na quinta-feira, com a fusão das quatro sociedades do sistema português de garantia mútua, que passa a ter um único operador de garantias às empresas, foi anunciado esta sexta-feira.

Em comunicado, a SGM destaca que o processo de concentração conduzido pela administração única das quatro sociedades, que tomou posse há um ano, permite “otimizar recursos e atuar de forma mais articulada, potenciando e integrando as 22 agências existentes numa verdadeira rede nacional de apoio ao investimento e à competitividade, com soluções impactantes para as empresas de todos os setores da economia”.

“A operação concretiza uma reorganização profunda na forma de atuação do sistema português de garantia mútua, cujo primeiro operador, a SPGM – Sociedade de Investimento, foi instituído, por iniciativa governamental, há 31 anos”, sustenta.

A partir daí, o sistema foi-se expandindo, com a criação das quatro sociedades de garantia mútua maioritariamente privadas e agora integradas numa única entidade.

Citado no comunicado, o presidente do Conselho de Administração da SGM, Joaquim Pinheiro, considera que esta “ganha agora mais eficácia na sua atuação, atinge dimensão relevante e reforça a proximidade às empresas”.

O capital social do novo operador português de garantias supera os 216 milhões de euros, tendo sido acautelada a correspondência direta entre ações das sociedades incorporadas (Lisgarante, Garval e Agrogarante) e ações da sociedade incorporante (Norgarante).

Segundo a SGM, a fusão foi conduzida “num ambiente de consenso e cooperação” entre todos os stakeholders (acionistas, reguladores, colaboradores, parceiros financeiros, associações empresariais e empresas) e com o acionista de referência Banco Português de Fomento, “o que permitiu que a garantia mútua voltasse a ter um papel fundamental no financiamento das empresas e, em particular, junto das PME [pequenas e médias empresas] e microempresas”

Este ano, o volume de garantias financeiras prestadas correspondeu a 5.000 milhões de euros de financiamento, praticamente 10 vezes mais do que tinha sido efetuado em 2024.

Também citado no comunicado, o presidente da Comissão Executiva da SGM, José Furtado, realça “o legado de duas décadas das sociedades que consolidaram a sua credibilidade e competência junto das empresas e empresários, afirmando-se como parceiros financeiros de referência, em bons e maus momentos”.

“Reinventar o sistema de garantia mútua significa hoje ganhar escala, robustez e eficiência para melhor corresponder aos novos desafios na economia”, sustenta, destacando como “maior ativo” a “confiança e o conhecimento que advém da proximidade às empresas, aos territórios e à especificidade dos setores de atividade”.

A nova entidade mantém a sua identidade mutualista, com cerca de 80% do capital detido por empresas privadas, acentuando a sua natureza enquanto sistema criado “de empresas para empresas”.

Desde 1994 até final de outubro passado, o sistema português de garantia mútua apoiou mais de 155.000 empresas portuguesas no acesso ao financiamento para investimento em equipamento produtivo, modernização, inovação, expansão, internacionalização, concentração e competitividade, entre outras finalidades.

Ao longo destes 31 anos contratou mais de 387.000 garantias num montante agregado superior a 28.000 milhões de euros, que diz ter ajudado a criar e a manter “mais de dois milhões de postos de trabalho”.

“Com o respaldo da garantia mútua e condições de financiamento mais favoráveis, 12.830 entidades, maioritariamente pequenas e médias empresas, mas também empresários em nome individual e agentes da economia social, arrancaram até outubro com investimentos que, no seu conjunto, mobilizam mais de 4.000 milhões de euros, prevendo-se atingir os 5.000 milhões em finais de 2025”, detalha a SGM.

“Desta forma – acrescenta – as soluções de garantia mútua estão a contribuir para a manutenção ou criação de mais de 245.000 de postos de trabalho.”

A 31 de outubro, o valor da carteira viva da garantia mútua ascendia a 3.700 milhões de euros, contabilizando então 75.968 garantias ativas contratadas por 55.512 entidades, sobretudo PME.