Virgílio Lima foi nesta sexta-feira reeleito presidente do conselho de administração da associação mutualista Montepio, onde não tinha oposição – mas conseguiu, também, uma maioria absoluta nas eleições (simultâneas) para a assembleia de representantes. No voto para preencher esse “mini-parlamento”, composto por 30 membros, elegeu 19 pessoas (o padre Vítor Melícias era cabeça de lista), com única lista opositora a eleger 11 representantes.

De acordo com os dados oficiais do ato eleitoral, que decorreu ao longo da semana de forma eletrónica e com voto presencial nesta sexta-feira, votaram 39.740 pessoas para o conselho de administração e 40.439 para a assembleia de representantes, ambos valores significativamente maiores do que na dupla eleição de 2021 (em que os votos não chegaram a 25 mil).

Se em 2021 houve quatro listas, desta vez Virgílio Lima foi o único que concorreu à administração, congratulando-se por nos últimos anos ter “acabado com o ruído à volta do Montepio“. Mas a lista incumbente teve oposição noutro processo eleitoral, que aconteceu em simultâneo, para a assembleia de representantes – a lista B.

Montepio. Atual líder diz ter “acabado com ruído” à volta da mutualista, oposição quer afastar quem “só vai para ganhar o seu”

O líder da lista B, Tiago Mota Saraiva, tinha dito ao Observador que estava confiante de que a lista que encabeçou tinha todas as condições para “vencer estas eleições“, o que significava eleger pelo menos 16 representantes e passar a ter maioria numa assembleia onde nos últimos quatro anos o poder esteve dividido entre os 15 assentos da lista de Virgílio Lima e os restantes 15 repartidos pelas outras três listas que concorreram em 2021.

Apesar de não ter conseguido esse resultado, a lista B disse em comunicado de imprensa que obteve um “resultado histórico”, num “ato eleitoral
marcado por um aumento significativo da participação dos associados por comparação com as eleições de 2021”.

“A nossa candidatura desenvolveu um debate público ativo e construtivo em torno dos temas do mutualismo e sobre a forma como esta associação pode dar respostas aos problemas de habitação dos seus associados. Alimentámos o interesse pela associação e conseguimos juntar diferentes pessoas e sensibilidades dispostas a construir uma alternativa de futuro no seio da assembleia de representantes”, afirmou Tiago Mota Saraiva, após serem conhecidos os resultados.