Se o Sporting vencer o Rio Ave este domingo, o Benfica fica a cinco pontos do segundo lugar. Se o FC Porto vencer o AVS na segunda-feira, o Benfica fica a dez pontos da liderança. Mesmo sem perder na Pedreira, o empate dos encarnados contra o Sp. Braga sabe a derrota e deixa a corrida pelo Campeonato ainda mais complexa do que já estava.

A travagem que é o espelho de um ano inteiro em montanha-russa (a crónica do Sp. Braga-Benfica)

A equipa de José Mourinho somou o 10.º jogo seguido sem perder, é certo, mas colocou um ponto final numa série de quatro vitórias consecutivas. Pelo meio, tal como tinha acontecido na temporada passada no Campeonato, não conseguiu bater o Sp. Braga — em 2024/25, recordemos, perdeu com os minhotos na Luz e também empatou na Pedreira. Na verdade, nas últimas seis deslocações ao Minho, o Benfica só ganhou numa única ocasião, em 2023/24.

Numa flash interview muito atípica, onde se apresentou brutalmente irónico e pareceu recusar-se a admitir que o resultado final foi o empate, José Mourinho criticou abertamente a equipa de arbitragem e defendeu que o eventual terceiro golo do Benfica, onde Samuel Dahl marcou e houve uma alegada falta de Richard Ríos, foi mal anulado. “É uma grande vitória”, começou por dizer.

“Na primeira parte o Sp. Braga foi melhor do que nós. Tivemos um período curto onde nos superiorizámos, chegámos ao golo numa bola parada. Na segunda parte não houve Sp. Braga, só houve Benfica. Os jogadores assumiram essa responsabilidade e viraram o resultado. Ganhar aqui por 3-2 é um grande resultado para nós”, acrescentou, mantendo o discurso quando confrontado com o jornalista da SportTV com o resultado real. “Ganhámos 3-2. Eu vi o nosso terceiro golo no banco, com as dúvidas da distância, ainda vi e revi no mesmo monitor com que o VAR estaria a ver. O golo é limpo, é uma grande vitória. Ganhámos, ganhámos, ganhámos”, terminou, antes de abandonar sem responder a mais perguntas.

Já na sala de imprensa do Estádio Municipal de Braga, o treinador do Benfica arrancou com “é o futebol que temos”. “Não estou inteiramente contente comigo porque não consegui, durante os 90 minutos, o jogo que esperava conseguir. Mas é uma grande segunda parte e ganhámos 3-2. Obviamente que vocês sabem que estou a falar com ironia. Se não o fizesse seria fortemente penalizado. Eventualmente, o clube, enquanto instituição, pode querer fazer algo… Ou não e seguir a linha de estar habituado e acomodar-se à situação. Eu, enquanto treinador, consegui mudar as coisas ao intervalo”, acrescentou.

“Comunicado? Não sei. Eu limito-me a treinar. Não faço avaliações. Devido ao facto de jogarmos outra vez com o Sp. Braga dentro de pouco tempo, não quero esmiuçar as ‘nuances’ táticas. Jogamos com eles dentro de uma semana e pouco. Mas bom jogo, bom adversário e bom árbitro. Para mim, fez um jogo bastante positivo, só que os jogos e os pontos decidem-se, muitas vezes, neste tipo de decisões. Foi o que foi”, vincou.

Já Fredrik Aursnes, que marcou o golo dos encarnados e foi eleito o melhor jogador da partida, reconheceu que o Sp. Braga foi superior até ao intervalo. “O Sp. Braga foi melhor na primeira parte, na segunda parte fomos nós. Sabíamos que gostavam de ter a bola, são uma boa equipa. Tivemos dificuldades, mas ajustámos na segunda parte, pressionámos mais, o que ajudou. Merecíamos os três pontos, mas estamos desapontados com o 2-2. O nosso 2-3 devia ter sido golo, o contacto foi ‘soft’. Não houve falta do Ríos, devia ter sido golo. Depois tenho uma grande oportunidade que devia ter marcado. Temos de focar em nós, queríamos ganhar. A única coisa que podemos fazer é tentar ganhar o próximo”, atirou o norueguês, também criticando a anulação do golo de Samuel Dahl.