Ano novo, vida novo, um assunto que já não é tão novo como isso. Na sequência da apresentação pública com pompa e circunstância do projeto, na terceira semana do mês de julho, e da vitória de Rui Costa na segunda volta do sufrágio com maior participação mundial de sempre, o Benfica District voltava a ser um tema em cima da mesa para passar da teoria à prática apesar das críticas que foram sendo feitas por alguns candidatos ao longo das semanas de campanha eleitoral, não tanto pela ideia em si mas pelo financiamento e capacidade de amortização a médio prazo. Era também à procura dessas respostas às questões que os encarnados iam preparando a Assembleia Geral deste sábado, neste caso com uma conferência de imprensa para “prestar esclarecimentos” com três vice-presidentes do clube: Nuno Catarino, José Gandarez e Manuel Brito.
O primeiro, responsável pelas finanças do conjunto da Luz, já tinha apontado na véspera alguns dos pontos principais do projeto, daquilo que poderá aportar em termos de infraestruturas às formas de pagamento de toda a ideia descrita em julho como “o mais ambicioso projeto previsto para Lisboa”. “O estádio vai ter 80 mil lugares, é esse o plano. Há várias pequenas alterações que serão necessárias mas vou centrar nas quatro principais: a primeira é o rebaixamento do relvado que vai permitir novas filas e aproximar bastante os adeptos do próprio jogo, um bocadinho mais à inglesa; a segunda passa pelo piso 1 que permite fazer parte da bancada mais para trás, o estádio do Arsenal tem esse formato, e obriga a mudar toda a forma como se circula nesse espaço”, começou por referir Nuno Catarino, nessa entrevista concedida à BTV.
“No piso 0 é possível ter alguns dos setores em safe standing, já temos isso relativamente estudado para ver quantos lugares poderemos acrescentar. É uma mudança bastante estrutural para além da parte regulamentar, que só em si é um dossiê. No piso 3 é possível fazer algum reforço da estrutura por fora porque a estrutura do estádio não aguenta mais peso. Está confortavelmente nos limites de segurança mas não dá para fazer mais. Passa por alguns daqueles espaços por trás dos ecrãs gigantes, colocar mais umas colunas por fora, o que faz sentido pois servem de apoio do fecho da envolvente do estádio no projeto. Aqui os dois projetos tocam-se pois partilham uma infraestrutura”, prosseguiu, antes de passar para a parte financeira.
“A receita bruta potencial é de 37 milhões de euros, retirando os custos diretos será à volta dos 24 milhões. Será com esse valor que conseguimos pagar o project finance que permita pagar o estádio ao final de 15 anos. É um projeto autossustentável e com o mérito próprio para viver”, referiu, falando de custos de 220 milhões de euros para a parte do Benfica District mais 75 milhões de euros no interior da Luz, um valor que não tinha sido abordado na altura da apresentação pública do projeto feita no final de julho.
“O projeto está bastante bem definido em termos arquitetónicos, temos estudos técnicos de acessibilidades, ruído, tudo o que é necessário para entregar na Câmara de Lisboa a pedir a alteração de loteamento. Temos tido reuniões com a Câmara para validar tudo isto no PDM, fizemos estudos de consulta às comunidades à volta do estádio para perceber as suas preocupações. Estamos prontos para entrar na nova fase, o ano de 2026 passará muito por detalhar e chegar ao pormenor. Procurar os melhores operadores internacionais para várias zonas específicas do District de modo a garantir as receitas e contactos com bancos. O estádio será maior, o que nos permitirá dar uma melhor resposta à lista de espera dos Red Pass. A nossa premissa foi a de não parar a atividade no estádio, ou seja, o projeto está pensado para manter a operacionalidade. Na parte de fora haverá condicionalismos nos acessos, sendo que nas modalidades estamos a estudar várias soluções em termos de aluguer de pavilhões porque vamos ter dois anos sem pavilhões. Quanto ao Museu, à loja e a alguns serviços do clube a solução passará para instalações temporárias”, concluiu o vice-presidente.
???? Assembleia Geral Extraordinária para apreciação do Benfica District. Marca presença ou participa e vota remotamente!
????️ Sábado, 03/01 ???? A partir das 9h
???? Pavilhão n.º 2???????????????? ???????????????? ???????????????? ???? https://t.co/7m9NbU95nM pic.twitter.com/kuRolwiq6b
— SL Benfica (@SLBenfica) January 1, 2026
Agora, numa conferência de imprensa que voltou a deixar o apelo ao voto não só em termos físicos mas pelos meios digitais preparados para o efeito (o clube colocou a possibilidade de todos os sócios interessados terem acesso via remoto à reunião magna, podendo não só votar como colocar questões sobre o projeto), foram abordados novos pontos, nomeadamente a Arena para 10.000 pessoas que será construída ao lado dos dois pavilhões multiusos para as modalidades e a possibilidade de outros voos do… basquetebol.
“Essa lotação permite-nos concorrer à NBA Europa a nível de infraestruturas. No entanto, os requisitos financeiros da NBA são muito elevados e não sabemos se o Benfica os conseguirá cumprir no futuro. O objetivo principal é preparar o clube para grandes eventos internacionais. Tal como na construção do novo estádio, houve dúvidas na altura mas hoje todos reconhecem que foi um salto vital para as receitas do clube. O Benfica District será o próximo passo inovador para manter o clube na vanguarda”, frisou José Gandarez.
O Benfica District não vem para distrair mas sim para construir o futuro. O Benfica não pode parar. O nosso trabalho é dotar o clube das maiores ferramentas possíveis. Propomos um projetfinance a 15 anos e pagamento a 27 ou 28 anos. O orçamento terá contingências a pensar em questões de derrapagem sem nunca colocar em causa os resultados operacionais. Temos espaço para acomodar”, acrescentou numa visão mais geral o vice-presidente dos encarnados.
Foi apresentado o projeto para o 'Benfica District'.pic.twitter.com/4B4itZVxcZ
— B24 (@B24PT) July 22, 2025
“Sobre o impacto financeiro, este projeto foi desenhado para ser autossustentado. As receitas vão fazer o pagamento do financiamento do mesmo. Vai ter sempre um impacto positivo nas contas do Benfica. Espera-se uma receita bruta de 37 milhões de euros, retirando os custos de exploração do dia a dia do projeto. O prazo definido para 15 anos garante uma contribuição positiva. O Benfica vai continuar a investir no plantel de futebol e nas outras modalidades da mesma forma. Nenhuma dessas atividades fica inibida, limitada por este projeto. O próprio projeto tem de ser autossustentável, para que seja aumentada a capacidade desportiva e financeira”, voltou a reiterar Nuno Catarino, responsável pelas finanças do clube.