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76 minutos, 4 camisolas e um nariz partido: a difícil noite de Martim no clássico onde acabou "coroado" pelo ADN FC Porto

Este artigo tem mais de 6 meses

Martim Fernandes fraturou o nariz num choque com Sidny Lopes Cabral no início do jogo, trocou três vezes de equipamento pelo sangue, saiu sem ter hemorragia estancada... e pode ser opção em Guimarães.

Martim Fernandes e Sidny Lopes Cabral saíram lesionados num choque involuntário nos primeiros minutos do encontro mas continuaram a travar um duelo aceso no clássico
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▲Martim Fernandes e Sidny Lopes Cabral saíram lesionados num choque involuntário nos primeiros minutos do encontro mas continuaram a travar um duelo aceso no clássico

Jose Manuel Alvarez

▲Martim Fernandes e Sidny Lopes Cabral saíram lesionados num choque involuntário nos primeiros minutos do encontro mas continuaram a travar um duelo aceso no clássico

Jose Manuel Alvarez

Por norma, os choques de cabeças no futebol são aqueles tipo de lances que “obrigam” de imediato a uma paragem no encontro. Porque todos veem, porque todos sabem o que pode estar em causa. No clássico, logo nos minutos iniciais, o lance que envolveu Martim Fernandes e Sidny Lopes Cabral fugiu um pouco a esse contexto. O embate foi violento mas a bola já tinha saído daquela zona, o que levou a que tivesse de ser Fábio Veríssimo a parar alguns segundos depois o encontro entre FC Porto e Benfica para que os jogadores fossem assistidos. O cabo-verdiano saiu com menos mazelas, o internacional Sub-21 continuava a sangrar sem que nada o conseguisse fazer parar. Em condições normais, era meio caminho andado para sair. Ficou, foi resistindo dentro do possível às dificuldades e saiu ovacionado apenas a dez minutos do final.

Bednarek, o sentido de um Porto que foi da Lello a Rui Veloso para se reerguer (a crónica do FC Porto-Benfica)

Formado nos dragões, clube de coração, desde os Sub-11, após começar no futebol ao serviço do Valonguense, Martim Fernandes voltou a dar uma demonstração do que é o ADN azul e branco, sendo “reconhecido” no final da partida pelo clube que fez questão de colocar uma imagem sua no balneário ainda com a visível ferida no nariz e a frase “Quando é pelo FC Porto, um nariz partido não passa de um mero detalhe”.

[Clique na imagem para ver o choque entre Martim Fernandes e Sidny Cabral em vídeo]

Antes, Martim Fernandes teve de fazer de tudo para permanecer em campo: a assistência foi longa, teve de substituir por três vezes a camisola por continuar com sangue, nem por isso desistiu de estar em campo e a cumprir com o que lhe tinha sido pedido antes de sofrer uma fratura do nariz (que foi corrigida de imediato pela equipa médica dos portistas). Foi também nesse contexto que se destacou uma das figuras carismáticas do futebol do FC Porto: Jardel, que trabalha há largos anos no Dragão, que percebeu o que estava em causa e mandou preparar mais três camisolas para o lateral além das três que estavam antes prontas numa sala de apoio perto do balneário, onde existe uma máquina de estampagem para números.

“Não é a primeira vez que alguém do FC Porto joga com algo partido. Ouvi dizer que alguém antes já jogou com um pé partido ou outra parte do corpo que não estava muito bem. O Martim jogou cerca de 70 minutos com o nariz partido. À parte disso, acho que fez um jogo com grande qualidade, muito confiante com bola e fico muito feliz com isso. Vamos ver como fica o nariz mas faz parte do futebol e certamente ele recuperará rápido”, valorizou Francesco Farioli no final de um encontro que dificilmente Martim Fernandes esquecerá, tendo em conta que, momentos antes de ser substituído por Alberto Costa no clássico, pediu uma toalha ao banco para o nariz e percebeu que a hemorragia ainda não tinha estancado por completo.

Apesar do sucedido, o jovem lateral estará apto para defrontar o V. Guimarães no próximo encontro, para a Liga no domingo (20h30), subsistindo a dúvida sobre se terá de usar ou não uma máscara de proteção (e que tipo de máscara). Também Bednarek, que foi substituído na partida diante do Benfica por queixas na coxa direita, não apresentou qualquer lesão muscular e deverá fazer parte das opções do italiano.

Martim Fernandes é hoje um dos principais símbolos do FC Porto a nível de formação, juntando-se ao lote que tem também Diogo Costa, Rodrigo Mora e Gabriel Brás depois das saídas no último verão de Francisco Conceição, João Mário, Gonçalo Borges e Zé Pedro. O lateral assinou o primeiro contrato como profissional com os azuis e brancos no dia em que cumpriu 16 anos, em 2002, tendo renovado até junho de 2030 no início da presente temporada depois de ter estado nomeado para o prémio Golden Boy e de ser também considerado o melhor lateral direito Sub-21 do mundo pelo Observatário do Futebol (CIES).

“Quero agradecer e dizer que renovar com o meu clube do coração, que apoio desde que nasci, é um orgulho enorme por saber que confiam em mim para representar o FC Porto. Estou muito feliz. Confiam em mim nesta fase positiva que o FC Porto está a viver. Estamos todos a seguir o mesmo caminho com o mesmo espírito, sente-se isso dentro e fora do campo. Todos queremos fazer o melhor pelo clube e dar alegrias aos adeptos. Sinto-me um privilegiado por, na formação, ter podido receber a mística deste clube. Tínhamos o João Pinto e mais recentemente o Jorge Costa, que infelizmente faleceu e era um homem incrível. Adorava o Jorge Costa, ele estava sempre connosco no Olival. Era uma pessoa sempre alegre, divertida, via sempre o lado positivo das coisas. Tinha a sua forma de ser, falava alto, à moda do Porto. É sempre um privilégio ter essas pessoas ao nosso lado”, comentou Martim Fernandes após renovar.

“É um orgulho enorme representar este grande clube a nível mundial. Espero ajudar o FC Porto a conquistar títulos nos próximos anos e quero continuar o meu caminho, sempre com a ajuda do staff, dos meus companheiros e dos meus familiares. Todos me ajudaram a chegar aqui. Não estava à espera de ser chamado para os Sub-19 e notei algumas diferenças quando comecei a jogar mas agora já me sinto adaptado. O meu objetivo é chegar à equipa principal e ter uma carreira igual ou melhor do que a do João Pinto”, tinha destacado o jovem lateral depois de assinar o primeiro contrato como profissional pelos dragões.

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