A Caixa Geral de Depósitos confirmou, em comunicado enviado à CMVM, que foi formalizada nesta quinta-feira a venda da participação de controlo (59,8%) que detinha no BCA de Cabo Verde – o comprador é o grupo Coris, do Burkina Faso. O ativo, um dos dois bancos que a Caixa tem na ex-colónia, foi vendido por um preço global de 82 milhões de euros, gerando uma mais-valia para a Caixa de 19,3 milhões de euros e um impacto positivo de 40 pontos base nos rácios de capital do banco português.
“A Caixa Geral de Depósitos formalizou hoje, na Cidade da Praia em Cabo Verde, a venda de ações representativas de 59,81% do capital social do Banco Comercial do Atlântico (BCA), instituição cotada na Bolsa de Valores de Cabo Verde, à Coris Holding S.A., na sequência do processo anunciado a 14 de março de 2024 e após a decisão de não oposição do Banco de Cabo Verde, conhecida a 24 de novembro de 2025”, indica o banco em comunicado que foi difundido através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Este período permitiu às autoridades de Cabo Verde esclarecer todos os aspetos que entendeu relevantes, e também ao comprador aprofundar o seu conhecimento sobre o BCA”, acrescenta a CGD.
Este é um processo que se arrastava há vários anos, desde finais de 2018. Depois de atrasado pela pandemia, houve uma primeira tentativa de alienação do BCA, ainda em 2020, que não se concretizou. Na altura, “a Caixa entendeu que não estavam reunidas as condições para prosseguir com a venda desta participação em termos que defendessem os interesses da Caixa e do BCA”, diz o banco público. Mais tarde, “o processo foi retomado noutro contexto, assegurando o respeito pelas melhores práticas de compliance e de governance, e sujeito às necessárias aprovações regulatórias”.
A Caixa Geral de Depósitos, que vai continuar presente no mercado de Cabo Verde através do Banco InterAtlântico, garante que, por essa via, mantém “o compromisso de continuar a contribuir para o desenvolvimento económico e social do País, através do apoio aos seus clientes e agentes económicos”.
O comprador, a Coris Holding, é uma instituição financeira que tem nove filiais. Além do Burkina Faso, está na Costa do Marfim, Mali, Togo, Benim, Senegal, Níger, Guiné-Bissau e Guiné-Conacri.