O Tribunal de Beja condenou esta quinta-feira nove pessoas, sete delas a prisão efetiva, com penas entre os três e os nove anos e meio, num processo relacionado com a exploração de trabalhadores imigrantes no Alentejo. No mesmo processo foram absolvidas outras três pessoas.

Na sessão de leitura do acórdão, que decorreu esta quinta-feira à tarde no Tribunal de Beja, a presidente do coletivo de juízes que julgou o caso, a juíza Ana Batista, indicou que a pena de prisão efetiva mais alta, em cúmulo jurídico, de nove anos e meio, foi aplicada ao arguido que teve “papel central” neste esquema. O homem, de nacionalidade romena, foi condenado por um crime de auxílio à imigração ilegal, um crime de tráfico de pessoas, outro de branqueamento de capitais e um de detenção de arma proibida.

Os outros seis arguidos com penas de prisão foram condenados, na generalidade, pela prática de crimes idênticos (embora alguns não tenham respondido pelos de detenção de arma proibida ou branqueamento de capitais). Condenadas, mas com penas suspensas, ficaram uma peruana, pela prática do crime de auxílio à imigração ilegal e uma moldava, por detenção de arma proibida, cada uma a dois anos de prisão, suspensas na execução por igual período.

O processo resultou de uma ação da Polícia Judiciária — a “Operação Espelho” — que decorreu em novembro de 2023. Da mega operação contra a exploração de trabalhadores imigrantes no Alentejo resultaram dois processos distintos: o que culminou esta quinta-feira na condenação de nove pessoas, avança a agência Lusa; e outro em que estão a ser julgadas 22 pessoas e 13 sociedades comerciais.

Tribunal de Beja começou a julgar 35 arguidos por exploração de imigrantes no Alentejo

No processo desta quinta-feira estavam em causa 30 crimes de tráfico de pessoas, assim como crimes de auxílio à imigração ilegal, associação criminosa de auxílio à imigração ilegal, branqueamento de capitais, entre outros. Quando o julgamento arrancou, a 20 de outubro de 2025, tinham sido constituídos 20 arguidos, mas o tribunal acabou por decidir julgar três deles num processo à parte.