Manuel João Vieira tem esta sexta-feira destaque na primeira página do jornal britânico The Guardian. O artigo salienta uma candidatura satírica, num título claramente exagerado ao afirmar que o músico tem “agitado as eleições presidenciais” portuguesas, que têm lugar este domingo, 18 de janeiro.
“Numa eleição presidencial invulgar, com 11 candidatos – e com as sondagens a mostrarem pouca diferença entre os cinco candidatos mais votados e sem que se espere que alguém vença à primeira volta –, a campanha caricatural de Vieira reflete o crescente sentimento anti-elite e anti-establishment que domina a política portuguesa“, pode ler-se no texto.
As promessas do vocalista dos Ena Pá 2000 também não foram esquecidas pelo jornal britânico: “Ferraris para todos”, “vinho a correr das torneiras em todas as casas” ou a “criação de uma cidade chamada Vieirópolis, onde a IA libertaria as pessoas da necessidade de trabalhar”.
No artigo surge o depoimento de dois eleitores que reconhecem que “Vieira é um máximo” e que, “se fosse eleito, faria o mesmo que os outros, passeava por aí e tirava umas selfies com as pessoas”. “Vou votar nele”, afirma outro. A campanha de Vieira é também mencionada por ser realizada principalmente nas redes sociais, com a criação de dezenas de memes e vídeos de Inteligência Artificial intencionalmente mal feitos.
“Eu uso linguagem metafórica e estou interessado em misturar fantasia com realidade”, afirma Manuel João Vieira, acrescentando: “A fantasia faz parte da vida, e a utopia costumava fazer parte da política, mas desapareceu há anos. Quero mobilizar a imaginação das pessoas, porque é através da imaginação que criamos soluções que levam à felicidade. Hoje em dia, há muito lixo. Se as pessoas querem apostar no absurdo, pelo menos que apostem no absurdo e no surrealismo dos seus sonhos e desejos. Essa é uma das coisas mais honestas que existem.”
Por sua vez, o cientista político António Costa Pinto considera que as eleições presidenciais de 2026 “marcam o fim de uma tradição em que a presidência era disputada por figuras políticas fortes, associadas ao regime e à elite”.