A Toyota tem na Hilux uma das pick-ups mais reputadas do mercado, ou não fosse há muito a campeã de vendas a nível mundial. Este veículo de trabalho e de lazer, que já tinha sido apresentado na Ásia (Tailândia) em Novembro de 2025, foi agora mostrado ao mercado europeu durante o Salão de Bruxelas. Face à geração anterior, a 9.ª versão do modelo perde o ar mais volumoso e “durão”, mantendo contudo as dimensões e a motorização diesel. A novidade é a adopção de duas versões eléctricas com tecnologias distintas.

As primeiras Hilux a chegar ao mercado — em Setembro de 2026 — serão as equipadas com a mecânica mais popular para este tipo de veículos, ou seja, os motores a gasóleo, no caso acoplados a uma caixa automática. Não abundam os dados técnicos sobre a nova pick-up a gasóleo, mas tudo indica que a Toyota vai pegar nas motorizações da geração anterior, descartar a menos potente, equipada com o motor 2.4 com quatro cilindros e 150 cv, e manter o motor mais possante e simultaneamente (um pouco) menos poluente e mais económico, o quatro cilindros com 2,8 litros e 204 cv, complementado com um sistema mild hybrid a 48V, que fornece uns adicionais 16 cv e é alimentado por uma pequena bateria com 0,21 kWh de capacidade.

6 fotos

Simultaneamente, vai chegar ao mercado a primeira das Hilux eléctricas, precisamente a equipada com dois motores que totalizam 196 cv, alimentado por uma bateria com uma capacidade de 59,2 kWh. O construtor nipónico não avança a potência a que é possível recarregar o acumulador, nem a velocidade máxima, a rapidez no arranque ou o peso total do conjunto, sabendo-se contudo que a Hilux eléctrica é capaz de transportar na caixa de carga 715 kg, o que se fica um pouco aquém da tonelada que a versão diesel mild hybrid consegue movimentar, não deixa de ser um valor interessante para um veículo eléctrico. O mesmo acontece com a capacidade de reboque, com a pick-up a bateria a ser capaz de puxar 1600 kg, menos do que as 3,5 toneladas da versão equipada com motor a gasóleo, mas ainda assim um valor muito aceitável.

Curiosamente, a Toyota manteve o chassi de longarinas que utiliza neste tipo de veículos mais robustos, tendo instalado a bateria entre as travessas, motivo pelo qual a capacidade do acumulador não é superior. Para garantir a mesma capacidade para trabalhar no duro das Hilux com motor a combustão, a versão eléctrica limita-se a trocar o quatro cilindros e a caixa de velocidades por dois motores eléctricos, mantendo as suspensões originais e os eixos, com destaque para o rígido posterior. Distinguir a Hilux EV da versão a gasóleo é fácil, uma vez que se a primeira apresenta as mesmas soluções estéticas, tem contudo a grelha frontal fechada, ao não necessitar de tanta entrada de ar para refrigeração e alimentação do motor.

10 fotos

A última versão da nova Hilux a chegar ao mercado, o que deverá acontecer só em 2028, é a segunda eléctrica da família, a equipada com uma fuel cell a hidrogénio para produzir a bordo a electricidade de que o modelo necessita para se locomover, em vez de realizar carregamentos de energia a partir da rede eléctrica, como acontece na versão a bateria. A Toyota é o construtor com mais experiência nesta tecnologia, utilizando as células de combustível para equipar os autocarros eléctricos que fabrica na Caetano Bus, em Gaia, além de automóveis como o Mirai, que comercializa em vários mercados europeus — aqueles que possuem uma rede de postos de abastecimento de hidrogénio, o que (lamentavelmente) não é o caso de Portugal.

8 fotos

Tal como acontece por fora, onde a Toyota desenhou a Hilux com formas mais modernas e atraentes, com linhas mais angulosas e superfícies planas, também o interior é diferente do habitual e em sintonia com as mais recentes criações da marca no capítulo dos SUV. No habitáculo é ainda possível encontrar um painel de instrumentos digital com 12,3” e um segundo ecrã com as mesmas dimensões a permitir controlar os sistemas de infoentretenimento e navegação.