Continua a crescer o número de médicos estrangeiros a trabalhar em Portugal, mas apenas uma minoria deles está no Serviço Nacional de Saúde (SNS), noticia este sábado o jornal Público citando números relativos às inscrições na Ordem dos Médicos.
Em 2025, um total de 434 médicos estrangeiros inscreveram-se na Ordem dos Médicos — um novo recorde anual de novas inscrições de profissionais estrangeiros. Este número tem vindo a crescer consistentemente desde 2021, segundo o Público.
No total, a 31 de dezembro de 2025, havia 4.808 médicos estrangeiros inscritos na Ordem dos Médicos, dos quais apenas 969 — ou seja, cerca de 20% — se encontravam a trabalhar no SNS. A estes somam-se ainda 333 internos que estão a fazer a especialidade no país. No SNS, a esmagadora maioria dos médicos estrangeiros (439) é de nacionalidade espanhola. No que toca às especialidades, a Medicina Geral e Familiar é aquela em que mais médicos estrangeiros trabalham (341), seguida da Medicina Interna (150).
A nacionalidade mais representada entre os médicos estrangeiros a trabalhar em Portugal continua a ser a espanhola (com 1.649 profissionais, correspondendo a 34% do total), seguida da brasileira (1.602 profissionais, que correspondem a 33%). Em terceiro lugar, mas muito longe dos números relativos ao Brasil, surge a nacionalidade italiana (303 médicos, ou 6%). O top-10 completa-se com Angola, Alemanha, Ucrânia, Cuba, Colômbia, Cabo Verde e Roménia.
Contudo, olhando apenas para o ano de 2025, é possível ver uma tendência diferente: com 138 profissionais novos, o Brasil estava em primeiro lugar com uma longa distância para o segundo lugar, Angola, com 22. De acordo com o Público, a presença dos médicos brasileiros está a crescer consideravelmente em Portugal, com o reconhecimento das suas qualificações profissionais a abrir as portas da Europa aos clínicos brasileiros.
Em declarações ao Público, o bastonário da Ordem dos Médicos considera que o aumento do número do médicos estrangeiros está alinhada com o aumento da imigração e diz que estes números revelam que “a medicina portuguesa tem atratividade a nível internacional”, mas também deixa em evidência a “falta de atratividade do SNS”. Por essa razão, a maioria dos médicos estrangeiros em Portugal estão a trabalhar no setor privado e social — ou pretendem aproveitar a entrada em Portugal para seguir para outros países da União Europeia.