Dia de Liga dos Campeões é sinónimo de grandes confrontos entre os gigantes do continente europeu. Como não podia deixar de ser e é apanágio da prova milionário, França recebeu, esta quarta-feira, um embate entre duas equipas que já venceram a competição no passado e juntas contam com sete Champions (uma para os franceses e seis para os ingleses). Ainda assim, foi preciso esperar mais de 17 anos para se voltar a ver um duelo entre Marselha e Liverpool, duas equipas que se encontraram seis vezes entre 2004 e 2008, com o saldo global a sorrir aos reds, que tinham vencido os últimos três jogos, depois de duas vitórias dos olympiens e de um empate na “estreia”. Agora as contas eram outras e a vitória podia traduzir-se no apuramento para a fase a eliminar.

“A preparação futebolística é mais difícil. A preparação mental é mais simples. Temos de progredir. Temos de pensar que todos os jogos devem ser preparados da mesma forma, porque podemos ganhar contra qualquer adversário e podemos perder contra qualquer adversário. Este jogo pode mudar a nossa temporada porque podemos apurar-nos. Um só resultado não pode mudar uma temporada. A derrota no Kuwait [na Supertaça de França] ainda nos dói, mas sabemos que podemos lutar contra qualquer adversário. Tenho uma equipa forte. No futebol, há uma equipa que ganha e outra que perde. Sabemos onde podemos melhorar. Queremos ganhar troféus. O Marselha tenta ser competitivo, respeitando o adversário. Não podemos pensar em jogar de forma diferente contra o Nantes e o Liverpool. É assim que poderemos ganhar troféus. Faltaram 13 segundos para ganharmos um troféu. Estamos muito preparados”, perspetivou Roberto de Zerbi.

“Xabi Alonso? Ligou-me a perguntar pela equipa porque vai assumir o cargo daqui a seis meses [risos]. Estou no Liverpool há mais de um ano e meio e gosto muito do meu trabalho aqui. Ganhámos a Premier League na época passada, embora esteja a ser mais difícil este ano. Quanto aos assobios dos adeptos, é normal que ninguém fique contente com um empate em casa contra o Burnley, mas quando as emoções acalmam, percebe-se que criámos mais oportunidades do que nunca. Salah? Estou muito feliz por ele estar de volta. Na sua ausência, a equipa portou-se bem e criou muitas oportunidades, mas ter o Mo ajuda imenso. Ele é um jogador que marca muitos golos e, contra o Burnley, com ele em campo, provavelmente teríamos marcado mais. A relação é tão normal como sempre foi. A única exceção foi o jogo contra o Inter Milão, onde optei por não o utilizar, mas em todos os outros ele esteve presente”, aludiu Arne Slot.

Com Benjamin Pavard de regresso após lesão, De Zerbi juntou o internacional francês a Leonardo Balerdi Facundo Medina no centro da defesa, à frente de Gerónimo Rulli. O setor intermédio ficou a cargo de Timothy Weah, Pierre-Emile Hojbjerg, Geoffrey Kondogbia e Michael Murillo, ao passo que, no ataque, Hamed Traorè juntou-se a Mason Greenwood e Amine Gouiri. Do outro lado, Conor Bradley juntou-se recentemente a Alexander Isak e Giovanni Leoni no lote de ausências de longa data do Liverpool, que ficou ainda privado de Ibrahima Konaté, que falhou o último treino antes do duelo europeu. Deste modo, Joe Gomez fez parceria com Virgil van Dijk, ao passo que Alexis Mac Allister e Mo Salah voltaram ao onze.

Depois de um início mais fulgoroso da equipa da casa, a primeira oportunidade pertenceu aos ingleses, com Mac Allister a receber dentro da área e a rematar ligeiramente ao lado da baliza de Rulli (19′). No lance seguinte, Dominik Szoboszlai ganhou espaço na direita e cruzou rasteiro para o desvio certeiro de Hugo Ekitiké, mas o golo acabou anulado por fora de jogo do avançado (23′). Na resposta, Gouiri apareceu a completar um lance mal cortado dos reds, mas Alisson Becker respondeu com uma boa intervenção (27′). Na reta final da primeira parte, Jeremie Frimpong cruzou para um desvio de calcanhar de Salah, só que a bola saiu por cima (40′). Na cobrança de um livre no tempo de compensação, Szoboszlai desferiu um remate forte e rasteiro e inaugurou o marcador, com a bola a entrar junto ao poste (45+1′).

Na etapa complementar, o Marselha tentou entrar com mais bola, mas a forte pressão do Liverpool traduziu-se numa série de erros e passes falhados dos franceses. Ainda assim, Mason Greenwood teve nos pés a primeira tentativa de perigo, mas o seu remate de fora da área acabou travado por Alisson Becker (52′). Na resposta, Dominik Szoboszlai construiu por dentro e serviu Hugo Ekitiké que, com um remate forte de pé direito, acertou em cheio no poste (59′). A bola não saiu e, num contra-ataque, Hamed Traorè apareceu sozinho na área contrária, mas rematou por cima (59′). Pouco depois, Florian Wirtz apareceu com perigo na meia-esquerda e rematou colocado para mais uma defesa de Gerónimo Rulli (63′). Na oportunidade seguinte, Ekitiké isolou-se nas costas dos centrais e desferiu mais um remate forte para uma defesa incrível de Rulli que, ainda não assim, não se traduziu em canto (66′).

Já dentro dos últimos 20 minutos, Frimpong rompeu pela direita, deixou Igor Paixão pelo caminho e cruzou à procura de um desvio que acabou por aparecer, mas por intermédio de Facundo Medina, que colocou a bola no fundo da sua baliza, com Rulli ainda a tocar (72′). Com o resultado consumado, o Marselha ainda teve uma ocasião de perigo nos instantes finais, mas Alisson voltou a aparecer com mais uma grande defesa, desta feita a remate de Aubameyang. Na resposta, Ryan Gravenberch conduziu a transição rápida pelo meio e, dentro da área, tocou à esquerda para Cody Gakpo que, com muita calma, atirou colocado para o 0-3 final (90+3′). Desta forma, o Liverpool carimbou o apuramento e está bastante perto de entrar diretamente nos oitavos de final.