A ministra para os Refugiados e para a Integração do estado alemão de Renânia do Norte-Vestfália apresentou esta terça-feira a sua demissão na sequência da comissão parlamentar que investiga o ataque terrorista que matou três pessoas em Solingen e ainda provocou cinco feridos graves. Segundo o jornal Die Zeit, Josefine Paul, a deputada d’Os Verdes justificou a sua decisão com a “crescente polarização” a envolver a sua pessoa. A governante tem sido alvo de várias críticas pela gestão do acidente de 23 de agosto de 2024.
Tudo porque o autor do ataque, um homem sírio — condenado em setembro de 2025 a prisão perpétua —, devia ter sido deportado para a Bulgária em 2023, de acordo com as regras de asilo da União Europeia. A expulsão não aconteceu porque não foi possível encontrá-lo no abrigo para refugiados, levando à criação de uma comissão de inquérito para perceber o que falhou.
O ataque, a uma sexta-feira, antecedeu uma viagem oficial de Josefine Paul a França, no fim de semana. Esse foi um dos principais motivos alegados pela ex-governante para não prestar declarações publicamente logo depois do ocorrido. Foi precisamente esse silêncio que espoletou a tal “crescente polarização” sobre Paul, que admitiu ter falhado ao dirigir-se à imprensa apenas na terça-feira seguinte ao ataque.
“Reconheço hoje que uma comunicação mais precoce, após o fim de semana do ataque, teria sido preferível, mesmo que, nesse momento, ainda não estivesse disponível um quadro completo dos aspetos da lei do asilo. Faço esse reconhecimento de forma autocrítica“, disse Paul esta terça-feira, citada pelo mesmo jornal.
Os partidos da oposição, SPD e FDP, consideraram a decisão de Paul um passo há muito esperado, conta o mesmo jornal. Além disso, Frederick Cordes, secretário-geral do SPD da Renânia do Norte-Vestfália, acusou o governo local de viver uma “profunda crise de confiança” e Hendrik Wüst, primeiro-ministro estadual, de não cumprir com as suas responsabilidades.
As críticas já não são novas e focam-se alegados bloqueios deliberados nas investigações. “Se um membro do governo estadual, nomeadamente a ministra para os Refugiados e para a Integração, Josefine Paul, bloquear e atrasar regularmente e de forma consciente este comité de inquérito [sobre o ataque de Solingen], então espero que se oponham a esta conduta indigna“, disse ao governo, em novembro passado, a presidente do SPD, Lisa-Kristin Kapteinat, citada pelo Die Ziet.
Josefine Paul estava na tutela desde 2022 — ano em que tomou posse como ministra da Infância, Juventude, Família, Igualdade, Refugiados e Integração na região — e será agora substituída por Verena Schäffer, entretanto nomeada pelo primeiro-ministro do estado da Renânia do Norte-Vestfália, Hendrik Wüst.
*Texto editado por Cátia Andreia Costa