Noventa mais oito minutos de jogo e o tempo ficou suspenso no Estádio da Luz. Trubin subiu à grande área contrária para o último lance da partida, cabeceou sozinho depois de um livre de Fredrik Aursnes e tornou-se o primeiro guarda-redes a marcar pelo Benfica para levar o clube até ao playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.
O ucraniano foi o primeiro guarda-redes da história do Benfica a marcar um golo, mas o sétimo a fazê-lo na Liga dos Campeões, juntando-se a Hans-Jörg Butt, Sinan Bolat ou Vincent Enyeama. Os encarnados apuraram-se para o playoff por um golo, terminando a fase de liga no 24.º e último lugar que dá acesso à fase seguinte e depois de ter perdido nas primeiras quatro jornadas, somando depois três vitórias nas últimas quatro.
Numa análise mais particular, o Benfica somou a terceira vitória em quatro jogos oficiais disputados contra o Real Madrid, juntando triunfo desta quarta-feira aos de 1962, na final da Liga dos Campeões, e de 1965. Depois do apito final, na zona de entrevistas rápidas, José Mourinho estava naturalmente satisfeito com o quase milagre a que tinha acabado de assistir.
Trubin é o 7.º guarda-redes a ⚽ marcar na Taça/Liga Campeões:
Pantelic
Piot
Butt (3)
Enyeama
Bolat
Provedel
Trubin pic.twitter.com/nFRfzqHbfS— Playmaker (@playmaker_PT) January 28, 2026
“Ganhar ou perder na última jogada já me tinha acontecido, mas nesta situação em que estás a ganhar, mas não chega, e depois pensas que chega, mas não chega, e tens de mudar e correr riscos… Esta bola no final podia dar o 3-3 e éramos eliminados. Ganhar ao Real Madrid tem sempre um peso significativo, mas naquele momento temos de ir com tudo. Já no Dragão, o Trubin cabeceou na última jogada, mas o árbitro não deu canto. Não somos fortes no jogo aéreo, mas o grandão foi lá e faz um golo espetacular. Independentemente do futuro na prova, esta vitória é histórica. Sob o ponto de vista económico também é importante e o prestígio ainda mais”, disse o treinador português.
Mais à frente, Mourinho garantiu que não sabia que só era preciso um golo para carimbar o playoff. “Quando faço a substituição do António Silva e do Ivanovic não tenho a mínima ideia se o 3-2 é suficiente. Quando eles entram, entram obviamente para segurar a vitória. Mas quando percebemos que não chega e eles com um a menos, mandei o Nico [Otamendi] jogar na frente. Quando a falta chega, mando o Trubin ir para a frente e o Dahl ficar na linha média, ficou o pequenino cá atrás. Uma noite histórica na Luz”, acrescentou.
“O que é que esta vitória dá? A única coisa de que gostava que desse era um bocadinho de respeito. Eu sei e faço o apelo para que muita dessa gente neste momento não se esteja a suicidar, não estejam a saltar das varandas, tenham calma porque o Benfica vai perder e eles vão poder matar-nos outra vez. Mas a única coisa de que gostava era um bocadinho de respeito para com o Benfica e para com os jogadores do Benfica”, concluiu Mourinho, que nunca tinha conseguido vencer o Real Madrid em toda a carreira, carimbando o primeiro triunfo ao sexto jogo.
Também Andreas Schjelderup, que bisou pela primeira vez pelo Benfica e já não marcava desde agosto, sublinhou que a noite foi “espetacular”. “É disto que os sonhos são feitos. Jogar neste estádio lindo e vencer o Real Madrid é inacreditável. Quero dedicar isto à minha avó, que morreu este ano. Que descanse em paz”, começou por dizer o jovem avançado, que não escondeu que cumpriu uma das melhores exibições pelos encarnados.
“Foi, de certeza. Até estou um pouco desapontado, podia ter marcado quatro golos. Tenho de continuar a trabalhar muito. É uma grande vitória, é excelente, ter esta noite é fantástico. Estou muito feliz”, concluiu, recusando comentar o próprio futuro e se vai ou não deixar o Benfica ainda neste mercado de inverno.
José Mourinho venceu pela 1.ª vez na carreira o Real Madrid, ao 6.º jogo
⚠ O treinador do Benfica já tinha defrontado os merengues por 5 vezes e somava um empate (pelo FC Porto) e 4 derrotas pic.twitter.com/eR3dDUMgBv
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Já Trubin, que também passou pela zona de entrevistas rápidas, explicou que só se apercebeu de que faltava um golo para o apuramento quando José Mourinho o mandou subir para a grande área contrária. “Não percebi. No campo, o Tomás Araújo e o António Silva apontavam para dizer ‘um’, mas eu não percebi. Toda a gente estava a dizer-me para me despachar. Depois fui à área e marquei. Não sei o que dizer. Foi um momento louco. Tive um momento parecido frente ao FC Porto, mas agora fiz mesmo golo. Não sei o que dizer. Não sou o Pavlidis, não estou habituado a marcar. É a primeira vez que faço isto. Inacreditável”, disse o guarda-redes.
“Somos o Benfica, jogámos para vencer. Estivemos muito bem. Não tivemos medo e eles têm jogadores incríveis, alguns dos melhores do mundo. Podíamos ter melhores resultados. O Benfica só pensa em ganhar títulos. Foi importante para nós seguir em frente para o ‘playoff’. Temos de estar focados. Podemos celebrar, mas depois há jogo. Todos sabemos em que posição estamos no campeonato. Temos de nos focar e continuar o nosso caminho”, explicou o ucraniano.
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