Noventa mais oito minutos de jogo e o tempo ficou suspenso no Estádio da Luz. Trubin subiu à grande área contrária para o último lance da partida, cabeceou sozinho depois de um livre de Fredrik Aursnes e tornou-se o primeiro guarda-redes a marcar pelo Benfica para levar o clube até ao playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.

Não se pode falar em milagres quando tudo se fez para que fosse real (a crónica do Benfica-Real Madrid)

O ucraniano foi o primeiro guarda-redes da história do Benfica a marcar um golo, mas o sétimo a fazê-lo na Liga dos Campeões, juntando-se a Hans-Jörg Butt, Sinan Bolat ou Vincent Enyeama. Os encarnados apuraram-se para o playoff por um golo, terminando a fase de liga no 24.º e último lugar que dá acesso à fase seguinte e depois de ter perdido nas primeiras quatro jornadas, somando depois três vitórias nas últimas quatro.

Numa análise mais particular, o Benfica somou a terceira vitória em quatro jogos oficiais disputados contra o Real Madrid, juntando triunfo desta quarta-feira aos de 1962, na final da Liga dos Campeões, e de 1965. Depois do apito final, na zona de entrevistas rápidas, José Mourinho estava naturalmente satisfeito com o quase milagre a que tinha acabado de assistir.

“Ganhar ou perder na última jogada já me tinha acontecido, mas nesta situação em que estás a ganhar, mas não chega, e depois pensas que chega, mas não chega, e tens de mudar e correr riscos… Esta bola no final podia dar o 3-3 e éramos eliminados. Ganhar ao Real Madrid tem sempre um peso significativo, mas naquele momento temos de ir com tudo. Já no Dragão, o Trubin cabeceou na última jogada, mas o árbitro não deu canto. Não somos fortes no jogo aéreo, mas o grandão foi lá e faz um golo espetacular. Independentemente do futuro na prova, esta vitória é histórica. Sob o ponto de vista económico também é importante e o prestígio ainda mais”, disse o treinador português.

Mais à frente, Mourinho garantiu que não sabia que só era preciso um golo para carimbar o playoff. “Quando faço a substituição do António Silva e do Ivanovic não tenho a mínima ideia se o 3-2 é suficiente. Quando eles entram, entram obviamente para segurar a vitória. Mas quando percebemos que não chega e eles com um a menos, mandei o Nico [Otamendi] jogar na frente. Quando a falta chega, mando o Trubin ir para a frente e o Dahl ficar na linha média, ficou o pequenino cá atrás. Uma noite histórica na Luz”, acrescentou.

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“O que é que esta vitória dá? A única coisa de que gostava que desse era um bocadinho de respeito. Eu sei e faço o apelo para que muita dessa gente neste momento não se esteja a suicidar, não estejam a saltar das varandas, tenham calma porque o Benfica vai perder e eles vão poder matar-nos outra vez. Mas a única coisa de que gostava era um bocadinho de respeito para com o Benfica e para com os jogadores do Benfica”, concluiu Mourinho, que nunca tinha conseguido vencer o Real Madrid em toda a carreira, carimbando o primeiro triunfo ao sexto jogo.

Também Andreas Schjelderup, que bisou pela primeira vez pelo Benfica e já não marcava desde agosto, sublinhou que a noite foi “espetacular”. “É disto que os sonhos são feitos. Jogar neste estádio lindo e vencer o Real Madrid é inacreditável. Quero dedicar isto à minha avó, que morreu este ano. Que descanse em paz”, começou por dizer o jovem avançado, que não escondeu que cumpriu uma das melhores exibições pelos encarnados.

“Foi, de certeza. Até estou um pouco desapontado, podia ter marcado quatro golos. Tenho de continuar a trabalhar muito. É uma grande vitória, é excelente, ter esta noite é fantástico. Estou muito feliz”, concluiu, recusando comentar o próprio futuro e se vai ou não deixar o Benfica ainda neste mercado de inverno.

Já Trubin, que também passou pela zona de entrevistas rápidas, explicou que só se apercebeu de que faltava um golo para o apuramento quando José Mourinho o mandou subir para a grande área contrária. “Não percebi. No campo, o Tomás Araújo e o António Silva apontavam para dizer ‘um’, mas eu não percebi. Toda a gente estava a dizer-me para me despachar. Depois fui à área e marquei. Não sei o que dizer. Foi um momento louco. Tive um momento parecido frente ao FC Porto, mas agora fiz mesmo golo. Não sei o que dizer. Não sou o Pavlidis, não estou habituado a marcar. É a primeira vez que faço isto. Inacreditável”, disse o guarda-redes.

“Somos o Benfica, jogámos para vencer. Estivemos muito bem. Não tivemos medo e eles têm jogadores incríveis, alguns dos melhores do mundo. Podíamos ter melhores resultados. O Benfica só pensa em ganhar títulos. Foi importante para nós seguir em frente para o ‘playoff’. Temos de estar focados. Podemos celebrar, mas depois há jogo. Todos sabemos em que posição estamos no campeonato. Temos de nos focar e continuar o nosso caminho”, explicou o ucraniano.

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