Uma associação de produtores agropecuários promove, na sexta-feira, no concelho de Serpa, distrito de Beja, uma marcha lenta contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul e a proposta para a Política Agrícola Comum (PAC), foi nesta quinta-feira anunciado.

Organizado pela Associação de Produtores do Concelho de Serpa (APROSERPA), o protesto arranca, às 08h00, com uma concentração em Vila Nova de São Bento.

A seguir, às 08h30, segue-se a marcha lenta de tratores pela Estrada Nacional 260 (EN260), até à ponte sobre o Rio Guadiana, terminando o percurso no Parque de Feiras e Exposições de Serpa.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da APROSERPA, João Revez, afirmou que os produtores agropecuários estão insatisfeitos e querem demonstrá-lo com a adesão à ação, estimando a presença de, “no mínimo, 50 tratores” na coluna que vai compor a marcha lenta.

Além dos tratores, a iniciativa vai contar com “outros veículos, como carrinhas”, e com “pelo menos cerca de 100 produtores, essencialmente, do concelho de Serpa“, mas também de outros concelhos do distrito, adiantou.

João Revez admitiu que o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul até “pode ser positivo para alguns” setores da agricultura, mas alegou que “não vai ser positivo para todos e a agricultura tem que ser vista globalmente“.

“A maior área onde se desenvolve a agricultura ainda é a agropecuária extensiva e de sequeiro na nossa região e essa vai ficar amplamente prejudicada por este acordo“, considerou.

O dirigente argumentou que haverá “uma concorrência desleal e, logo, um desequilíbrio“, porque “a forma como a produção é feita na América do Sul é diferente” da que é desenvolvida pelos produtores europeus, que “está sujeita a regras”.

“Dizem que vão poder fiscalizar, mas a fiscalização não vai ser efetiva em cada carregamento“, disse o dirigente, exemplificando ainda que, em relação às cláusulas de salvaguarda, “se acontecer como no caso do arroz em 2018-2019, só foram aplicadas quando o preço do arroz já tinha descido para valores incomportáveis para os produtores”.

O presidente da APROSERPA indicou ainda que os produtores criticam a atual proposta para a reforma da  PAC, aludindo ao “corte à volta de 20% dos apoios diretos” em relação aos do quadro anterior.

“E, se atendermos à inflação, no período entre 2028 e 2034, que vai ser o período de duração da próxima PAC, vamos ter uma perda de rendimento na ordem dos 30%“, sublinhou.

Segundo o programa do protesto, a marcha lenta deverá chegar ao Parque de Feiras e Exposições de Serpa, às 13h00, estando a desmobilização prevista para as 17h00.

O acordo comercial entre a UE e o Mercosul foi assinado neste mês, na capital do Paraguai, após 25 anos de negociação.

Porém, ainda não está em vigor e, na quarta-feira, o Parlamento Europeu decidiu remeter este acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) para verificar se é compatível com os tratados comunitários.

O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores.

Para o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Álvaro Mendonça e Moura, o acordo é “globalmente positivo” para Portugal.