A Associação Distrital de Agricultores de Coimbra (ADACO) acusou esta sexta-feira o Governo de anunciar uma compensação financeira pela morte de javalis, esquecendo-se de medidas para pagar os prejuízos sofridos pelos lesados que veem as suas culturas devastadas.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a ADACO sustentou ainda que o Ministério da Agricultura está a preparar um projeto-piloto “que prevê uma compensação financeira por cada javali abatido em zonas onde seja identificada uma população excessiva”, argumentando que uma medida dessa natureza “não vai resolver o problema”.
Segundo a nota, assinada por Isménio Oliveira, coordenador da associação, os agricultores “não podem continuar a suportar sozinhos os enormes prejuízos causados à agricultura familiar pelos javalis”, que têm devastado hortícolas, milharais, outros cereais, pomares, estufas ou olival, entre outras culturas e produções agrícolas.
O coordenador da ADACO considerou “urgente a atribuição de indemnizações” aos lesados, defendendo um levantamento dos prejuízos a realizar pelos serviços do Ministério da Agricultura e do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.
Sobre o projeto da tutela, a ADACO revelou que o valor apurado será de 50 euros por macho e de 70 euros por fêmea e que a iniciativa “visa reduzir em pelo menos 10% a população da espécie”.
“A ADACO considera que esta medida é um lenitivo que não vai resolver o problema, dado o excesso de animais e a redução do número de caçadores ano após ano. Deixar nas mãos dos caçadores e das suas organizações a redução dos efetivos de javalis não irá mudar o cenário que temos atualmente”, argumentou Isménio Oliveira.
Outros dados avançados pela associação distrital situavam a população de javalis em Portugal nos 100 mil exemplares em 2019, “valor que, em 2024, segundo um estudo da Universidade de Aveiro, andaria perto dos 400 mil”.
“Em 2026, o número já ultrapassará estes valores, dada a facilidade de procriação destes animais. Aos prejuízos sofridos pelos agricultores que aumentam ano após ano, soma-se o perigo real de se precipitarem problemas graves com a sanidade destes animais, com destaque para a peste suína africana, e são cada vez mais os acidentes rodoviários com os javalis, já com várias mortes”, alertou.
Assim, para a ADACO, o que o país precisa é de medidas que alterem este cenário radicalmente: “O que é preciso é que o Governo implemente um controlo de densidade eficaz, de forma a reduzir drasticamente a sobrepopulação de javalis. O Governo tem que encetar esforços no sentido de aumentar a taxa de extração (abate de animais ou outras medidas), de forma a reduzir em 60% o efetivo. De outra forma o problema não se resolve”.
Sem as medidas preconizadas, acrescentou Isménio Oliveira, “continuará a aumentar o número de javalis e a agricultura familiar deixará de existir”.
“E os principais culpados são os sucessivos Governos (incluindo o atual) que, desde 2017, não tomaram medidas concretas de combate a este flagelo”.