Tudo o que podia ter corrido bem ao Benfica correu melhor, tudo o que podia ter corrido mal ao Sporting correu ainda pior. O primeiro e único dérbi na temporada de 2025/26 terminou com um autêntico “atropelo” dos encarnados no Pavilhão João Rocha, com um triunfo por 103-66 que deixava pouca margem para haver dúvidas sobre a diferença do tetracampeão nacional e os restantes candidatos – até porque o início de época do FC Porto mostrou todas as fragilidades de uma equipa ainda em (re)construção. O que mudou da segunda semana de outubro para cá? Pouco ou nada. O Benfica foi eliminado de forma surpreendente na Taça pelo Sp. Braga na Luz mas somou por triunfos todos os encontros na Liga. Já o Sporting, apesar desse início titubeante, conseguiu chegar à segunda fase da FIBA Cup (com tudo o que isso traz a nível de experiência e desgaste), teve apenas um deslize com o Esgueira e chegava ao dérbi com cinco triunfos seguidos.

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“Na altura referi que o jogo da primeira volta foi atípico, de início de época. Isto pode acontecer a qualquer equipa e pode acontecer agora; há jogos assim. O Sporting é uma equipa bem treinada, bem preparada, defende bem, ataca bem, gosta de correr. Não é por ser um dérbi que é diferente para nós. É bom termos esta ligeira vantagem na classificação mas há várias equipas com muito talento e, se nos focarmos nisso, estamos a cometer um erro grave. Às vezes podemos não ganhar um jogo – não há equipas invencíveis –, mas nunca pode ser porque relaxamos. É uma equipa que quer também, de alguma maneira, mostrar que aquele jogo foi atípico. Temos de estar muito focados no que temos de fazer”, comentara o técnico Norberto Alves.

“Vai ser uma partida disputada com muita intensidade, como é normal num dérbi. A isso, acrescenta-se o facto de ser um jogo entre o primeiro e segundo classificados. Chave? Coesão defensiva e o ressalto defensivo, porque o Benfica ataca muito o ressalto ofensivo, e depois tomar boas opções no ataque. Descobrir os melhores lançamentos é meio caminho andado para não sofrermos contra-ataques, outro ponto forte do Benfica. Temos de ter uma transição defensiva exemplar. Na primeira volta tudo correu mal e queremos dar uma imagem diferente, mostrar que podemos competir com qualquer equipa. Vamos entrar com a cabeça limpa, estamos agora num bom momento, temos jogadores que conseguiram perceber o clube onde jogam e tentaremos prolongar o bom momento”, frisara o base e capitão Diogo Ventura.

Era neste contexto que chegava novo dérbi, numa altura em que o Benfica levava cinco triunfos consecutivos frente ao Sporting entre Liga e Taça da Liga (era preciso recuar a novembro de 2023 para se encontrar um triunfo dos leões após prolongamento no Pavilhão João Rocha) e que podia praticamente sentenciar de vez o primeiro lugar da fase regular, com a vantagem que isso traria depois para o playoff. No entanto, tudo o que na teoria se poderia pensar foi contrariado pela prática: com Diogo Ventura a ter uma exibição de sonho (23 pontos) entre um autêntico festival de lançamentos exteriores, os leões conseguiram devolver a derrota da primeira volta, somaram o sexto triunfo seguido na Liga e ficaram mais perto dos encarnados na Liga, impondo também aquela que foi a primeira derrota do Benfica na prova (segunda no plano interno).

O encontro começou a um ritmo NBA, com uma espécie de concurso de triplos em andamento que caiu por completo para o Sporting: Diogo Ventura converteu três triplos consecutivos, Justice Sueing respondeu com a mesma arma, Francisco Amarante juntou-se depois à festa com um triplo e um lançamento de dois que foi ganho… simulando um triplo. Com apenas três minutos e meio decorridos, Norberto Alves pedia a primeira paragem técnica a perder por 14-4, querendo sobretudo encontrar outras soluções no plano ofensivo que era o grande problema no início. Betinho Gomes foi a jogo mas nem por isso houve uma significativa melhoria, aparecendo depois a capacidade de roubos de bola para tentar equilibrar um primeiro quarto que acabou por ficar marcado pela exclusão de Betinho por um braço na cara sobre Stephan Swenson (26-15).

Os lançamentos triplos faziam a diferença, com o Sporting a ter quase 50% (seis em 13) contra apenas 10% dos encarnados (um em dez). Mesmo sem Betinho, esse era um dos pontos que Norberto Alves queria ver mudado, com Geno Crandall a dar o mote para a recuperação a marcar e a assumir a batuta do jogo ofensivo. Ainda assim, e mesmo com algumas dificuldades extra no ataque, os leões continuavam por cima, com Diogo Ventura a ter um lance individual que recolocou a vantagem nos 11 pontos de diferença (33-22), levando a nova paragem técnica dos encarnados a meio do segundo período sem efeito: três triplos de Swenson, Robby Robinson e Ventura colocaram a vantagem em 20 pontos de diferença ao intervalo (49-29).

O papel das estatísticas que os treinadores fazem questão de ir buscar quando acaba qualquer período dizia tudo: 50% de triplos do Sporting (11 em 22) contra apenas 13% do Benfica (três em 23), 26-21 nos ressaltos com os leões particularmente fortes na tabela ofensiva, 11-8 em assistências. Os números eram diferentes, a lógica do primeiro dérbi ao contrário estava lá: tudo o que podia correr mal aos encarnados, corria ainda pior. E o terceiro período não foi muito diferente, com os leões rapidamente a fazerem mais três triplos que chegaram a colocar a vantagem quase nos 30 pontos (64-36) sem que Brandon Johns, em média o melhor marcador dos verde e brancos, tivesse sequer um ponto. O terceiro período terminou com 67-47, o que deixava o quarto final com poucos motivos de interesse e mais incaracterístico com vitória leonina por 86-78 entre uma grande recuperação dos encarnados no final quando o Sporting já se tinha “desligado” do jogo.