Nos primeiros dias da depressão Kristin, nenhum doente respiratório crónico ou renal — dependente de hemodiálise — ficou sem tratamento. A garantia de que o serviço foi prestado apesar da interrupção do fornecimento de eletricidade é dada pela Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Leiria ao Observador, e decorreu de um esforço conjunto entre o hospital, a Direção Executiva do SNS (DE-SNS), a Proteção Civil e as empresas de dispositivos médicos que permitiu identificar todos os utentes crónicos em situação de vulnerabilidade e encontrar soluções para garantir a continuidade dos tratamentos.

Segundo a atualização da E-Redes às 12 horas de dia 6 de fevereiro, 49 mil pessoas continuavam sem energia elétrica na região de Leiria. “Do que é do nosso conhecimento, nenhum utente ficou sem fazer o tratamento“, assegura a diretora clínica da ULS da Região de Leiria, Catarina Faria, explicando que esses doentes foram sempre uma preocupação “desde a primeira hora” para os responsáveis da ULS.

Nesse sentido, explica a responsável, a ULS atuou “em várias frentes de forma a fechar o circuito” e encontrar o maior número de doentes que pudessem estar numa situação de vulnerabilidade, não só devido à falta de energia elétrica mas também devido à falta de comunicações. Desde as primeiras horas de 28 de janeiro — dia em que a depressão Kristin se abateu sobre a região — que a ULS mobilizou os recursos do hospital e também dos Cuidados de Saúde Primários e da Saúde Pública para contactarem todos os doentes crónicos seguidos na ULS.

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Equipas da ULS foram até casa dos doentes crónicos que não conseguiam contactar

“As equipas dos centros de saúde e da Saúde Pública [compostas por médicos e enfermeiros] ajudaram a identificar esses doentes e foram até aos domicílios para saber como estavam, nomeadamente nas situações em que não era possível contactar as pessoas”, salientou Catarina Faria, acrescentando que as empresas que fornecem os dispositivos de cuidados respiratórios (nomeadamente de oxigenoterapia) também ajudaram na identificação dos doentes — mais de mil em toda a área de influência da ULS da Região de Leiria.

“Envolvemos as empresas através da DE-SNS, que esteve em articulação com o nosso serviço de Pneumologia. A partir daí, começou o trabalho na comunidade, foram ativados os planos de emergência e todos os doentes foram identificados”, frisa a responsável da ULS, explicando que foram indicados aos doentes os pontos de carregamento dos dispositivos existentes em cada freguesia, e que permitiram que os os doentes afetados pela falta de eletricidade pudessem ter acesso a energia elétrica, e, desse modo, continuarem a realizar os respetivos tratamentos respiratórios domiciliários.

A maioria dos carregamentos de dispositivos de apoio respiratório foi feita “nos bombeiros e centros de saúde e a divulgação foi feita pela comunidade logo nos primeiros dias”, detalha a diretora clínica da ULS, explicando também que foi criada, no Serviço de Pneumologia do Hospital de Santo André, um espaço onde os “doentes podem permanecer durante um curto espaço de tempo para carregar o seu dispositivo”.

Em relação aos doentes renais, a realizarem hemodiálise, Catarina Faria refere que a ULS contactou os doentes (alguns apenas presencialmente, com a ajuda da Proteção Civil), tendo identificado todas as situações nas “primeiras 24 a 48 horas” após a intempérie. “Essa é uma situação que já está normalizada”, frisa a responsável, acrescentando que as clínicas de diálise foram uma prioridade para a Proteção Civil no que diz respeito ao restabelecimento de energia elétrica, de forma a que os “doentes mantivessem o seu tratamento”, pelo que não encerraram portas.

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Aparelhos respiratórios foram carregados através de geradores em Vieira de Leiria

Na Vieira de Leiria, uma das zonas mais atingidas pela Kristin, uma das primeiras preocupações foi com estes doentes. “Temos duas ou três situações dessa natureza, nomeadamente com apneia do sono”, relata ao Observador o presidente da Junta de Freguesia, Álvaro Cardoso, que também frisa que a situação foi resolvida. “Precisavam de um equipamento que alimentasse os aparelhos, e arranjámos o gerador para alimentar a máquina.”

O presidente da junta adianta ainda que a informação sobre estes doentes também foi partilhada numa das reuniões de coordenação pós-Kristin em que estavam presentes os autarcas, a Proteção Civil e elementos da ULS de Leiria. Após a tempestade, a hemodiálise também foi assegurada através de energia elétrica fornecida por geradores entregues às clínicas especializadas, que na sua maioria se situam em Leiria.

A área de influência da ULS de Leiria abrange os concelhos de Alcobaça, Batalha, Leiria, Marinha Grande, Nazaré, Ourém, Pombal e Porto de Mós, num total de cerca de 250 mil habitantes.

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