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A remoção de lamas provenientes da Serra de São Mamede, em Portalegre, na sequência dos danos causados pela depressão Leonardo, quinta-feira, tem sido uma das principais dificuldades nas operações de limpeza das zonas mais afetadas.
Em declarações esta sexta-feira à agência Lusa, a presidente da Câmara de Portalegre, Fermelinda Carvalho, sublinhou que os operacionais no terreno têm “tentado de tudo” para separar a água que continua a surgir da serra, desobstruindo esgotos e outros sistemas de drenagem.
“Estamos a garantir que o escoamento funcione porque estamos também a prevenir problemas para o dia de amanhã (sábado). Mas aquilo que tem aqui levado mais mão-de-obra são os quintais das pessoas, completamente cheios de lama e só se consegue tirar as mesmas a baldes e carros de mão”, disse.
A autarca, que enaltece o empenho dos profissionais e voluntários nas ações de limpeza, pretende retirar até ao final do dia desta sexta-feira a maior quantidade de lamas daquelas zonas para prevenir eventuais situações que possam ocorrer nas próximas horas provocadas pela precipitação.
“O que estamos a fazer é desentupir tudo para que a água amanhã (sábado), quando chegar, seja muita ou seja pouca, escoe normalmente“, acrescentou.
O trânsito vai continuar interdito nas zonas mais afetadas pelo mau tempo em Portalegre para trabalhos de limpeza, “pelo menos” até segunda-feira às 12h00, divulgou também esta sexta-feira a PSP.
A Câmara de Portalegre indicou, por sua vez, na quinta-feira que o ‘mar de lama’, com pedras à mistura, vindo da Serra de São Mamede, provocou danos em 52 automóveis, tendo também sido registados prejuízos em edifícios.
Fonte do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alto Alentejo especificou que os locais mais atingidos na cidade foram a avenida de Santo António e a entrada principal do Hospital de Portalegre, tendo o alerta sido dado às 6h49.
“A ribeira galgou as margens e essa inundação fez literalmente os carros virem barreira abaixo”, arrastando veículos, detritos e pedras, disse a mesma fonte, revelando que a entrada principal do hospital “ficou inoperacional”.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 8 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.
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