Apesar da relação de Mette-Marit e Jeffrey Epstein já ser conhecida há alguns anos, só na semana passada é que o Departamento de Justiça dos EUA tornou públicos os ficheiros que continham trocas de mensagens entre os dois ao longo de mais de três anos. Alegadamente, o milionário condenado por tráfico sexual e a mulher do príncipe Haakon da Noruega chegaram a encontrar-se várias vezes entre Paris e Nova-Iorque, e Mette-Marit chegou mesmo a ficar hospedada na mansão de Epstein em Palm Beach, na Florida. Em algumas das dezenas de mensagens que enviaram, a princesa apelidou Epstein de “charmoso”, descreve Paris como uma cidade “boa para o adultério” e diz que “escandinavas dão boas esposas”.

A divulgação dos documentos aconteceu dias antes do julgamento em tribunal do filho de Mette-Marit, Marius Borg Høiby, que enfrenta 38 acusações, incluindo violações, agressões e abusos. Høiby assumiu apenas os crimes menos graves, como as violações de ordens de restrição e conduzir em excesso de velocidade, declarando-se inocente em relação aos restantes.

É neste cenário particularmente sensível para a família real norueguesa que foi divulgada uma primeira declaração onde Mette-Marit reconhece ter demonstrado “falta de bom senso”. A princesa expressou “profunda compaixão e solidariedade” para com as vítimas do milionário condenado por violência sexual. “É simplesmente constrangedor”, acrescentou ainda. Esta sexta-feira foi divulgado um novo comunicado, que afirma que a Mette-Marit pretende falar com maior pormenor sobre a sua relação com o milionário que se enforcou na prisão em 2019, mas “ainda não está em condições”.

A nota diz que Mette se encontra numa situação difícil e que “precisa de tempo para refletir”, avança o jornal norueguês Vergens Gang (VG). “Gostaria de expressar o meu profundo arrependimento pela minha amizade com Jeffrey Epstein. É importante para mim pedir desculpa a todos vós que desiludi. Parte do conteúdo das mensagens entre mim e Epstein não representa a pessoa que quero ser. Peço desculpa também pela situação em que coloquei a Casa Real, especialmente o Rei e a Rainha“, admite a princesa herdeira.

Os documentos, agora tornados públicos, vão contra a versão da família real de 2019. A diretora do Palácio emitiu um comunicado nesse ano, no qual informava que Mette-Marit encerrou o contacto com o milionário condenado por tráfico sexual em 2013. “Eu jamais teria tido qualquer envolvimento com Epstein se soubesse da gravidade dos seus crimes”, disse a princesa na altura segundo o VG.  Hoje, sabe-se que as mensagens mais recentes entre Epstein e a princesa são de 2014, mas que o nome de Mette surge em e-mails e agendamentos desde 2011.

Mette-Marit não é o único nome norueguês nos ficheiros de Epstein

A justiça norueguesa abriu uma investigação esta sexta-feira ao antigo primeiro-ministro da Noruega e antigo presidente do comité do Nobel da Paz, Thorbjorn Jagland, depois de o seu nome aparecer nos documentos divulgados na semana passada pelo Departamento de Justiça dos EUA. Jagland e Jeffrey Epstein mantiveram contacto entre 2016 e 2018, e discutiram um investimento imobiliário conjunto. De acordo com os documentos, o político norueguês chegou mesmo a planear uma viagem à ilha do milionário condenado por tráfico sexual, que acabou por não se realizar.

O diretor da unidade de crimes económicos do Ministério Público norueguês, Pal K. Lonseth, disse em comunicado que acredita na existência de “motivos razoáveis para a investigação“. Citado pela EFE, o diretor admitiu também que “Jagland ocupou as posições de líder do Comité Nobel e de secretário-geral do Conselho da Europa durante o período abrangido pelos documentos revelados”.

Também o nome de Borge Brende, o ex-ministo de Negócios Estrangeiros da Noruega o atual diretor do World Economic Forum (WEF), surge nos ficheiros divulgados. Brende esteve em vários jantares de negócios com Jeffrey Epstein, e mantinha contacto com o milionário através do e-mail e mensagens de texto.

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