Há 11 dias que a Kristin arrasou o distrito de Leiria e há 11 dias que milhares de pessoas e empresas estão sem abastecimento elétrico. Apesar de reconhecer “a dimensão excecional dos danos causados” e os esforços no terreno, a autarquia e as juntas de freguesia de Leira exigem informação mais detalhada à E-Rede sobre o quando, onde e quais as prioridades na reposição do serviço e alternativas.

Numa carta aberta dirigida ao presidente da empresa do grupo EDP, José Ferrari Careto, que tem a gestão da rede de distribuição elétrica, indicam que há ainda mais de 20 mil contadores sem acesso a energia elétrica, sobretudo nas zonas mais rurais. “Falamos de famílias, de produtores agrícolas, de empresas locais, de lares, de pessoas isoladas e vulneráveis que continuam numa situação de grande fragilidade, muitas vezes sem qualquer informação clara sobre quando será reposta a normalidade”.

O último balanço feito pela E-Redes este sábado de manhã indicava que estavam sem fornecimento elétrico 41 mil clientes no distrito de Leiria, de um total de 57 mil que continuavam sem serviço na zona mais atingida pela tempestade Kristin. O universo total de pontos sem abastecimento era de 63 mil a nível nacional.

Mais do que a reposição física do serviço, a carta questiona a “ausência de informação clara, regular e territorializada, mas também “a insuficiência de medidas de mitigação que permitam minimizar o impacto prolongado da interrupção do fornecimento de energia elétrica.”

Sublinhando que a E-Redes é um operador de serviço público essencial, a missiva defende que a “necessidade de comunicação, a proximidade e o respeito pelas populações são responsabilidades tão relevantes quanto a intervenção técnica”. E nessa medida insiste que as populações têm direito a saber qual o ponto de situação concreto em cada freguesia, nomeadamente que prazos previsíveis estão a ser considerados para a reposição do serviço, que critérios orientam as prioridades de intervenção, que constrangimentos técnicos subsistem e que soluções estão a ser adotadas para os ultrapassar, e ainda que medidas de mitigação estão a ser acionadas para apoiar as populações enquanto a reposição não é possível, designadamente no que respeita à disponibilização de geradores ou a outras soluções temporárias.

Nesta carta, os autarcas assinalam que para além dos prejuízos causados pela interrupção do fornecimento de energia elétrica,”impõe-se que os lesados sejam devidamente ressarcidos pelos danos sofridos, em moldes a clarificar pela entidade responsável, de forma justa, célere e transparente”. E alertam que a falta de informação objetiva, atualizada e acessível, associada à inexistência de respostas visíveis de compensação em muitas situações, tem vindo a gerar ansiedade, indignação e um sentimento crescente de abandono. Consideram por isso indispensável que a E-Redes promova:

  • A divulgação diária de informação pública, por freguesia, com indicação do número de contadores repostos e estimativas de normalização;
  • A criação de um canal direto, permanente e operacional de comunicação com o Município e com as Juntas de Freguesia, que permita partilha de informação em tempo útil e resposta coordenada às situações mais críticas;
  • A definição e comunicação clara de medidas de mitigação, nomeadamente a disponibilização de geradores ou outras soluções temporárias, priorizando as situações de maior vulnerabilidade;
  • A presença regular de responsáveis da E-REDES no território, para esclarecimento público e articulação com os representantes locais