Henrique Gouveia e Melo considera que a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, não tem condições para permanecer no cargo e devia pedir a exoneração após a resposta do Governo às recentes tempestades. Num artigo de opinião publicado no jornal Público esta terça-feira, o ex-candidato presidencial tece duras críticas ao Governo apontando falhas repetidas de liderança, planeamento e coordenação governativa na gestão da intempérie.

No texto, intitulado “Estado do improviso”, o antigo chefe do Estado-Maior da Armada diz que o “Estado falhou” na resposta às tempestades recentes que assolaram o país, apontando deficiências no planeamento, nos avisos à população, na comunicação do risco e na prontidão da resposta. “Falhou na organização da resposta, no tempo da resposta, na inexistência de uma cadeia verdadeira de comando, controlo, coordenação e comunicação. E falhou, acima de tudo, na liderança que se esperava e era necessária”, escreve.

Gouveia e Melo sugere então que “o primeiro-ministro deve refletir se, perante a evidente falta de preparação e capacidade da ministra da Administração Interna, esta tem condições para permanecer no lugar.” E vai mais longe dizendo que poder ser a própria a optar pelo afastamento. “Parecer-me-ia adequado que a senhora ministra pedisse, por sua própria iniciativa, a sua exoneração — a bem do Governo e do país.” Para o ex-candidato presidencial, este seria “um ato de responsabilidade, coragem e honestidade política”.

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Remodelação da Proteção Civil “de alto a baixo” e Estrutura de Missão ( já anunciada)

Depois de tecer duras críticas à ação do poder central (“demasiado distante — por vezes, quase inexistente”, diz), sugere como caminho uma remodelação da Proteção Civil “de alto a baixo”. “Deve ser fortemente profissionalizada, liberta de clientelas políticas e verdadeiramente capacitada”, propõe.

Diz ainda que, perante esta crise, “o primeiro-ministro tem de criar uma task force, ou uma Estrutura de Missão, na sua dependência direta, para colocar todos os ministérios a trabalhar de forma efetivamente coordenada, com unidade de propósito e comando”.

No entanto, a criação de uma Estrutura de Missão já foi anunciada pelo primeiro-ministro a 1 de fevereiro. Paulo Fernandes, antigo autarca do Fundão, foi nomeado por Luís Montenegro para coordenar os trabalhos a partir de Leiria, abrangendo os vários concelhos atingidos, com o objetivo de mitigar os impactos provocados pelo mau tempo.

O Observador pediu uma reação ao Ministério da Administração Interna e aguarda resposta.

Com Miguel Gato