Em condições normais, num encontro com outro grau de importância e havendo possibilidade de uma troca direta por outro avançado que não existia perante a ausência por lesão de Fotis Ioannidis (Rafael Nel esteve no banco mas não foi utilizado), Luis Suárez não teria acabado o clássico frente ao FC Porto. Por questões físicas, pelo desgaste que os constantes choques com os centrais Bednarek e Kiwior iam provocando, pelo acumular de minutos que fez com que cumprisse os 120 minutos na última partida com o AVS ao contrário de outros elementos habitualmente titulares. No entanto, ficou. E, ao ficar, tornou-se uma das principais figuras do clássico, tendo mesmo recebido o prémio de MVP pela interferência direta no empate.

Nunca é avisado recolher tudo contra esta equipa com desconto (a crónica do FC Porto-Sporting)

Apesar de ter falhado a grande penalidade no nono e último minuto de descontos (ampliado depois de haver a verificação da mão de Francisco Moura após cruzamento de Iván Fresneda pelo VAR), Suárez aproveitou a recarga após defesa de Diogo Costa para fazer o 1-1 final, manter a “tradição” dos golos leoninos no epílogo dos encontros com cinco dos últimos seis encontros a marcar do minuto 90 para a frente e chegar aos 30 golos na presente temporada, entre 26 pelo Sporting e mais quatro pela seleção da Colômbia. Com isso, e mesmo falhando aquele que foi o primeiro penálti a favor do Sporting no Estádio do Dragão inaugurado em 2003, o sul-americano empatou com Pavlidis no topo da lista dos melhores marcadores com 19 golos e fica na história por ser o primeiro jogador do Sporting a marcar na recarga a um penálti num clássico.

“Foi importante resgatar este ponto mas não saímos satisfeitos. Queríamos vir cá ganhar e recuperar muito mais pontos do que conseguimos no final. Sabíamos que iria ser uma partida dura e esperamos que agora façamos as coisas bem no que resta da temporada para conseguirmos o objetivo final. Jogo fechado? Sim, foi. Acho que rematámos pouco à baliza. Foi o penálti, já está. Sabíamos que o jogo deles era defender muito bem, têm jogadores atrás muito fortes. Sabíamos que iríamos encontrar um jogo assim mas fomos muito superiores em grande parte do jogo e eles só conseguiram fazer transições entre defesa e ataque”, começou por apontar o avançado colombiano na SportTV, depois de ter recebido o prémio de MVP.

“Eles têm jogadores muito fortes, creio que quando ficam todos atrás são como qualquer equipa que defrontamos em casa, que ficam a defender em 5x4x1 e à espera de uma transição. É respeitável o jogo deles mas acho que hoje fizemos um grande jogo. Golo num clássico? O importante é que a equipa somou um ponto e, como disse antes, não era o que queríamos. Queríamos ganhar. Não vamos satisfeitos e um pouco sérios porque não conseguimos os três pontos”, apontou, antes de lançar as últimas 14 jornadas da Liga.

“São quatro pontos mas ainda falta muitos jogos para o final da Liga e vamos fazer o nosso trabalho, esperando que eles se enganem em algum momento. Mas concentramo-nos no nosso trabalho e vemos o que acontece depois”, concluiu o avançado sul-americano, que vai falhar o próximo encontro em Alvalade para o Campeonato frente ao Famalicão por castigo depois de ter visto o quinto amarelo na prova no Dragão.