O Porto tem aval do Governo para os pesados de mercadorias saírem da VCI quando a CREP for desportajada, e quer limitar o trânsito automóvel no centro “de forma ordeira e gradual”, disse o presidente da Câmara à Lusa.
Em entrevista à Lusa a propósito dos 100 dias de mandato que se assinalam na sexta-feira, Pedro Duarte disse que a proposta da Área Metropolitana para proibir pesados de mercadorias na Via de Cintura Interna (VCI) no mesmo horário em que se isentarem de portagens na Circular Regional Exterior do Porto (CREP/A41) teve “uma resposta afirmativa do Governo” no sentido “de concordar”.
Porém, ainda se está, “do ponto de vista técnico, a perceber quando é que ela é efetivada”, apontando para março, mês em que já estava prevista entrar em vigor a isenção de portagens para pesados na CREP nas horas de ponta, algo anunciado pelo Governo em novembro.
Porto. Pedro Duarte admite “portajar e portajar bastante” a VCI, que é “um cancro no meio da cidade”
Na entrevista à Lusa, Pedro Duarte disse também que quer limitar o trânsito automóvel no centro da cidade, mas “de forma ordeira e de forma gradual”, para ir “testando e para as pessoas também se irem habituando”.
No curto prazo vamos começar já, e o primeiro caso será o da Praça da Batalha, que em alguns dias da semana – vamos começar talvez por fins de semana – vamos começar a limitar o trânsito automóvel”, disse Pedro Duarte.
Segundo o autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, a mudança será faseada para que do “ponto de vista cultural as pessoas se vão acostumando a uma nova forma de viver a cidade”, cuja “qualidade de vida” é afetada pelo trânsito após “décadas consecutivas em que se incentivou (…) a utilização de carro individual”.
Frisando que não tem ilusões e que o problema do trânsito só será resolvido a médio prazo, “isso não significa que não haja medidas que tenham de ser tomadas no curto prazo”, afirmou o autarca, citando uma das suas ‘bandeiras’ eleitorais, os transportes públicos gratuitos, que são “um sinal (…) para mudar do ponto de vista quase cultural, aquilo que é uma abordagem que as pessoas têm da mobilidade dentro da cidade”.
“Faltam níveis intermédios” regionais de “coordenação e liderança política”
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O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, considerou que a resposta às tempestades mostrou que “faltam níveis intermédios” regionais de “coordenação e liderança política”, convidando quem não o defende a “ir viver para o território” e opinar depois.
“Eu acho que se há lição que devemos retirar todos do que aconteceu nos últimos dias em Leiria é precisamente que nós temos de pensar o modelo de desenvolvimento regional do país. Faltam-nos, de facto, níveis intermédios”, disse o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, em entrevista à Lusa a propósito dos primeiros 100 dias de mandato.
Para o autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, apesar do “esforço hercúleo e muito intenso” dos governantes se deslocarem às zonas afetadas pelo mau tempo, “é difícil depois haver uma coordenação de resposta entre todos os municípios, porque naturalmente os autarcas olham para o seu município em primeira instância” e os governantes “vão sair daquele território mal o problema de emergência se dilua” porque “não podem estar a olhar para aquele território em permanência”.
“Falta-nos um nível intermédio de coordenação. Nem é tanto só a nível da Proteção Civil”, mas é “uma questão política”, defendeu, considerando que “falta legitimidade política para haver uma liderança naquele território”, pois “haver coordenação política e liderança política, nesses momentos, nota-se mais”.
Pedro Duarte considera até que o Governo “reconheceu isso ao criar uma estrutura de missão” para a reconstrução da região Centro após a tempestade Kristin, sendo essa “a melhor prova de que faz sentido haver estruturas intermédias”.
O também presidente da Área Metropolitana do Porto (AMP) lembrou ainda que “muitos automóveis que estão na cidade são de cidadãos que vêm de fora da cidade do Porto” não abrangidos pelos transportes gratuitos e, após essa política ser implementada, poderão ser adotadas medidas mitigadoras para quem vem de fora, algo a “trabalhar com os concelhos vizinhos”.
Autarca admite dar lugares de estacionamento em parques subterrâneos
Questionado sobre se o objetivo da Câmara de reduzir automóveis no centro não colide com a existência de vários parques de estacionamento que induzem a sua utilização, o social-democrata reconheceu que “sim, em certo sentido”, mas “também é necessário [haver] parques no centro, até porque há moradores, às vezes, que não têm [lugar] hoje em dia”, pretendendo conceder-lhes lugares em parques subterrâneos.
Falou ainda na necessidade de criação de “parques na periferia do centro” para “aqueles que necessitam de trazer carro individual poderem deixar o carro e depois transitar na cidade ou pedonalmente, ou com bicicletas, ou com transportes públicos”.
Nós gostávamos de limitar o mais possível o estacionamento em superfície, porque é espaço que se está a roubar às pessoas”, disse à Lusa, mas “do ponto de vista prático e concreto”, é necessário “avaliar onde é que isso é possível ser feito”.
Sobre a maioria dos parques não estar atualmente concessionada a privados e estar sob gestão da STCP Serviços, cuja maioria do capital pertence à Câmara do Porto, Pedro Duarte disse que irá “fazer contas do ponto de vista da eficiência e perceber qual é a melhor solução da gestão de dinheiros públicos”.
Porém, “se a Câmara acha que num determinado local o parque de estacionamento deve servir os moradores para poder intervir na área pública ou no espaço público”, a autarquia “não pode prescindir dessa capacidade”, reconhecendo que “há uma tendência para a própria Câmara internalizar, talvez, essa gestão” e, “mesmo que haja uma concessão, o contrato até pode prever isso tudo”.
Sobre novos investimentos no Metro do Porto, Pedro Duarte descartou que as linhas do Campo Alegre e Circular, recentemente mencionadas pelo presidente da transportadora, passem à frente de investimentos como a linha de São Mamede ou Maia II, que ainda não têm financiamento assegurado, ou Gondomar – que já tem -, pois “também vão beneficiar muito” o Porto, cumprindo o objetivo de haver “menos carros a entrar na cidade”.
Pedro Duarte quer tirar sala de consumo assistido da zona da Pasteleira no Porto
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O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, quer que a sala de consumo assistido junto ao Bairro da Pasteleira saia deste local “entre duas escolas” e avançou à Lusa que está a ser estudada uma nova localização.
“Nós temos trabalhado bastante nesse dossiê da toxicodependência (…) com o Ministério da Saúde e com o consórcio responsável pela gestão da sala de consumo assistido, e a nossa intenção é repensarmos a sua localização e, eventualmente, encontrarmos novas valências que possam dar melhor resposta do que aquela que existe atualmente”, revelou em entrevista à Lusa.
Para o presidente da autarquia, é inaceitável ter um equipamento como este “colado ao muro de uma instituição como a Fundação de Serralves — visitada por escolas, turistas e cidadãos — e entre duas escolas”, assumindo que as condições da própria sala fazem com que haja proliferação de consumos “num perímetro muito curto à volta”.
Questionado pela futura localização, o social-democrata remeteu para uma avaliação que está a ser feita por especialistas, mas reconheceu que a sala “não pode ficar num local absolutamente isolado” e sem acessos.