O vereador na Câmara de Barcelos e antigo deputado Carlos Eduardo Reis venceu as eleições para a liderança da distrital de Braga do PSD, disse fonte do partido à Lusa.
A sufrágio apresentou-se uma outra lista, encabeçada pelo eurodeputado Paulo Cunha, que era o presidente da distrital desde 2020.
“Aceito democraticamente o resultado, já felicitei o novo presidente [Carlos Eduardo Reis] e espero que tenha um excelente mandato”, referiu Paulo Cunha.
Sem ainda ter números definitivos, Paulo Cunha admitiu que a sua derrota tenha sido por “duas, três ou quatro centenas de votos”.
A Lusa tentou também ouvir Carlos Eduardo Reis, mas ainda sem sucesso.
Carlos Eduardo Reis entrou no parlamento durante a liderança de Rui Rio e suspendeu o mandato em fevereiro do ano passado, por ter perdido a confiança política da direção da bancada, depois de ter sido acusado pelo Ministério Público na operação judicial Tutti Frutti, que investiga desde 2018 alegados favorecimentos a militantes do PS e do PSD, através de avenças e contratos públicos.
Nessa ocasião, em entrevista à SIC Notícias, Carlos Eduardo Reis afirmou que por sua vontade, cumpriria o estatuto de deputado e aguardaria pela acusação definitiva do processo e só suspenderia o mandato se fosse pronunciado, ou seja, após a fase de instrução, dizendo não trocar “a presunção da inocência pela presunção da culpa”.
No entanto, dias antes, o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, tinha anunciado publicamente que iria pedir a Carlos Eduardo Reis que suspendesse o mandato de imediato.
Carlos Eduardo Reis está acusado de duas dezenas de crimes, incluindo corrupção ativa, prevaricação e tráfico de influências.
Em declarações à Lusa na semana passada, Carlos Eduardo Reis recusou nacionalizar a disputa pela liderança da Distrital de Braga, negando tratar-se de uma candidatura “contra o Governo”, que até elogia.
Salientou que já tinha sido desafiado e ponderou uma candidatura ao PSD/Braga nas anteriores eleições, e só não avançou então devido à proximidade das autárquicas do ano passado.
Defendeu que a distrital de Braga deve ter “uma voz própria” e um perfil “menos notarial, menos administrativo e muito mais de intervenção”.
“O meu entendimento das estruturas regionais e distritais é que têm de ter uma intervenção no plano político, porque se não servem para pouco. Tem de ser uma estrutura pensante, que promove o debate, que tenha uma opinião que reflita aquilo que a grande parte dos nossos militantes pensa, mas que influencie positivamente as políticas do Governo”, disse.
Por outro lado, defendeu ser também tempo de “renovar os quadros do distrito”, recordando que Paulo Cunha já cumprido praticamente o tempo dos três mandatos e exerce atualmente funções de eurodeputado em Bruxelas.
Paulo Cunha era líder da distrital de Braga desde 2020, mas também já tinha exercido o cargo entre 2010 e 2014.