A saída inopinada de Cristiano Ronaldo da seleção tornou-se num assunto de Estado. “Estou, sim, Cristiano, daqui fala o primeiro-ministro”. Luís Montenegro fez três chamadas para os principais protagonistas da crise da equipa das quinas e um conhecido comentador desportivo, Rui Santos, disse ter a “informação que o Presidente da República está preocupado com esta situação”. A Presidência da República ainda não desmentiu esta novidade mas, após questionada pelo Observador, mantém o silêncio. Já o Governo regional da Madeira saiu em defesa de CR7 e Marcelo tentou ser pacificador, mas avisou que o mais importante é a seleção.

Começando pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro conversou com Pedro Proença e Jorge Jesus por telefone sobre a situação em torno de Cristiano Ronaldo. O primeiro-ministro ligou primeiro para o presidente da Federação Portuguesa de Futebol e pediu também para falar com o selecionador. A informação foi avançada inicialmente pela SIC Notícias e pelo jornal Record e confirmada pelo Observador. Vários órgãos de comunicação avançaram também que o primeiro-ministro também fez questão de falar com o histórico capitão da seleção nacional, Cristiano Ronaldo.

O Observador sabe que Montenegro está preocupado com o impacto da saída de Ronaldo na seleção, mas também com o impacto que esta rutura, sobretudo nos termos em que aconteceu, pode ter para a imagem internacional da equipa, para a própria federação e, em último caso, para o país.

Quanto à Presidência da República continua em silêncio, apesar das declarações do comentador Rui Santos a dar conta da preocupação presidencial com o assunto logo na quarta-feira. Já o ex-presidente da República, que em junho foi distinguido como o sócio honorário da Federação Portuguesa de Futebol, começou por dizer que não queria comentar a polémica. Marcelo Rebelo de Sousa, que se encontrava na ilha galega de La Toxa para receber um prémio, afirmou: “Não iria falar aqui [sobre a saída de Cristiano Ronaldo do estágio da seleção], o que importa é aquilo que nos deve unir”.

Apesar de não criticar Ronaldo, Marcelo Rebelo de Sousa colocou o foco no sucesso da seleção e não no legado do jogador ou nas razões da rutura. “Aquilo que nos deve unir é que temos uma seleção num momento crucial. Tem de ganhar hoje, tem de ganhar domingo. E portanto temos de estar todos juntos para que isso aconteça”.

Já o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque tomou o lado de Ronaldo na contenda com Jorge Jesus de uma forma muito clara: “Nós, aqui na Madeira, apoiamos o Ronaldo. Foi um jogador que promoveu e prestigiou Portugal ao longo de uma carreira com mais de 25 anos. Ou seja, é um dos portugueses que mais prestigiou Portugal. Durante todos estes anos foi o melhor jogador do mundo, ganhou tudo o que havia para ganhar, deu um contributo à seleção portuguesa”.

Miguel Albuquerque relativizou mesmo os acontecimentos, sempre no sentido de defender Cristiano Ronaldo: “Tudo isto são mesquinhices, paroladas no sentido de minimizar a obra dele, aquilo que ele é. O que interessa, neste momento, é ele manter aquilo que sempre foi: um jogador de primeira linha e um português que representou o nome do País e projetou o País para além das fronteiras de uma maneira que nenhum outro o fez”.

O Partido Socialista também reagiu — através do seu líder parlamentar — mas para criticar o envolvimento do seu primeiro-ministro. “Esta intromissão do primeiro-ministro num assunto da bola, a ser verdade, é de um primeiro-ministro que se centra em assuntos que não lhe dizem respeito nem ao quotidiano das pessoas”, disse Eurico Brilhante Dias, citado pelo Diário de Notícias. O presidente da bancada socialista diz que o primeiro-ministro se deve concentrar nos problemas que os portugueses enfrentam, dando como exemplo: “As pessoas acordaram hoje sabendo que Portugal foi o país onde o preço da habitação mais cresceu em toda a União Europeia no segundo trimestre, em termos homólogos, 16,5%. O preço dos combustíveis continua elevadíssimo. O preço da eletricidade e do gás vai aumentar, a prestação das casas vai aumentar de forma severa”.