Depois da Liga dos Campeões, restava o Campeonato Nacional. A última semana ficou marcada por mais um desfecho amargurado e com impacto na temporada vermelha e branca, já que, em pleno Santiago Bernabéu, o Benfica despediu-se do futebol europeu com mais uma derrota frente ao Real Madrid (2-1, 3-1). Apesar de até ter começado em vantagem, o que relançou a eliminatória, as águias não conseguiram segurar o 0-1 e quebraram na segunda parte, com mais um golo de Vinicius Júnior. Desta forma, a equipa de José Mourinho tinha apenas a Primeira Liga por disputar, chegando a Barcelos a 11 jogos de se despedir da época 2025/26 que, para já, tem como principal feito a conquista da Supertaça logo a abrir. Para além disso, o Benfica estava obrigado a ganhar antes de um fim de semana com dois clássicos, sob pena de ficar mais longe de FC Porto e Sporting, que venceram na abertura da 24.ª jornada.
Nos últimos dias, a temática da arbitragem voltou a ser bastante criticada pela comunicação benfiquista, bem como pelo treinador, que aproveitou a conferência de imprensa de antevisão ao jogo com os gilistas para lançar um tema que ganhou repercussões nas últimas horas: a diferença entre a “classificação real” e a “classificação virtual”. Inicialmente, o conceito foi abordado por Mourinho, que foi questionado pelo penálti que deu o 2-1 aos dragões na sexta-feira. “Quanto a classificações, há duas: a real e a virtual. Se nos agarrarmos à virtual, há uma diferença fundamental. Enquanto treinador e líder do grupo tenho de me agarrar à virtual porque é uma motivação para nós e sabemos o que tem acontecido”, respondeu o Special One no domingo. Ao final do dia, foi a vez do canal de televisão do clube, a BTV, divulgar a classificação virtual, tendo como base “as análises do especialista em arbitragem da BTV”. De acordo com o clube, o Benfica é o clube mais prejudicado dos três primeiros, chegando a Barcelos com menos seis pontos na “pontuação real”. Por outro lado, o FC Porto tem mais dois pontos e o Sporting mais seis.
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Arbitragens à parte, as águias tiveram pela frente uma difícil deslocação a casa do Gil Vicente, palco onde apenas FC Porto (0-2) e Tondela (0-1) venceram, e em que Sporting (1-1) e Sp. Braga (2-1) perderam pontos. Apesar disso, o histórico recente jogava a favor do Benfica, que não escorregava em Barcelos desde 2014, ainda que os jogos mais recentes tenham mostrado um Gil Vicente mais perigoso e a criar dificuldades. Na antevisão à partida, Mourinho aproveitou para revelar que Bruma e Giorgi Sudakov continuam lesionados, explicando que a lesão do português é “de alguma importância”, ao passo que o ucraniano só esteve no banco em Madrid “para uma situação de emergência”. Nesse sentido, o treinador estava praticamente obrigado a mexer no seu onze, até porque Fredrik Aursnes tem continua limitado em termos físicos.
“O Gil Vicente está em quinto lugar e tem feito um Campeonato extraordinário. Penso que há um grande trabalho a nível de estrutura e um treinador que tem sabido potenciar ao máximo os jogadores. Vai ser um jogo difícil pelo adversário. Esperamos que seja só por isso. Renovação? O que controlo é a minha vontade, a minha motivação e o meu controlo emocional. Fui muito objetivo, fui eu que disse que não queria ir, que queria ficar. Não gosto de jogar o Campeonato real e o Campeonato virtual. Estamos a jogar dois Campeonatos. Quero respeitar o contrato com o Benfica. Se quiser renovar o contrato por mais anos, assino, mas só quero jogar um Campeonato. A equipa está bem, não ótima, porque fomos eliminados da Liga dos Campeões, mas sabe o que fez, o que deu e está bem. Em poucos meses esta equipa passou de ser humilhada em casa contra o Qarabag a fazer três jogos contra o Real Madrid desta forma e de ter saído da competição do modo como saiu”, explicou o setubalense.
Ficha de jogo
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Gil Vicente-Benfica, 1-2
24.ª jornada da Primeira Liga 2025/26
Estádio Cidade de Barcelos
Árbitro: João Gonçalves (AF Porto)
Gil Vicente: Lucão; Zé Carlos (Hevertton Santos, 83’), Marvin Elimbi, Jonathan Buatu, Ghislain Konan; Facundo Cáseres (Martín Fernández, 83’), Luís Esteves; Murilo Souza, Santi García, Agustín Moreira (Joelson Fernandes, 68’); Héctor Hernández (Carlos Eduardo, 68’)
Suplentes não utilizados: Dani Figueira; Zé Carlos Ferreira, Sergio Bermejo, Antonio Espigares e Rodrigo Rodrigues
Treinador: César Peixoto
Benfica: Anatoliy Trubin; Amar Dedic (Alex Bah, 81’), António Silva, Nico Otamendi, Samuel Dahl; Leandro Barreiro (Richard Ríos, 68’), Fredrik Aursnes (Enzo Barrenechea, 50’); Gianluca Prestianni (Dodi Lukebakio, 68’), Rafa Silva, Andreas Schjelderup; Vangelis Pavlidis
Suplentes não utilizados: Samu Soares; Sidny Lopes Cabral, Tomás Araújo, José Neto e Anísio Cabral
Treinador: José Mourinho
Golos: António (35’), Héctor (51’) e Schjelderup (73’)
Ação disciplinar: Otamendi (39’), Peixoto (45’), Cáseres (57’), Schjelderup (76’), Elimbi (87’) e Bah (90+1’), vermelho a Pedro Miranda (treinador gr., 45+1’)
O galo tem sido uma das equipas sensação deste Campeonato, pelo que chegava a este mês de março no quinto lugar, que poderá dar acesso às pré-eliminatórias da Liga Conferência. Em fase de afirmação com César Peixoto ao leme, o Gil Vicente tem apresentado uma solidez defensiva e uma capacidade de lutar contra qualquer equipa. “Vamos olhar para este jogo como olhamos para todos os outros, com a nossa identidade, com a nossa forma de jogar, com a nossa humildade mas, ao mesmo tempo, com a nossa arrogância com bola. Acredito que vamos impor o nosso futebol, jogar de igual para igual, seja contra quem for. Acredito muito no que estamos a fazer e no caminho que estamos a percorrer. Temos de estar fortes os 90 minutos, pois vai ser um jogo que vai exigir muito de nós, seja mentalmente, seja taticamente, seja defensivamente, seja ofensivamente. Arbitragem? Na conferência do mister Mourinho, a única pergunta que existiu sobre o Gil Vicente foi da BTV. Por isso, vou falar sobre o Gil Vicente e não vou falar sobre o Benfica”, realçou Peixoto.
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Contrariamente ao que se esperava e ao que tinha sido noticiado durante o dia, Fredrik Aursnes foi mesmo titular, atuando ao lado de Leandro Barreiro no miolo. Ainda assim, José Mourinho promoveu duas alterações em relação ao jogo de Madrid, com António Silva e Gianluca Prestianni, que falhou os dois jogos anteriores por estar suspenso, a regressarem ao onze, de onde saíram para o banco Tomás Araújo e Richard Ríos. Já César Peixoto mudou quatro peças na sua equipa, mexendo em todos os setores. Na defesa, Marvin Elimbi voltou a fazer dupla com Jonathan Buatu, com Antonio Espigares a sair para o banco. No meio-campo, Facundo Cáseres foi titular em detrimento de Zé Carlos Ferreira, ao passo que, no ataque, Agustín Moreira e Héctor Hernández juntaram-se a Murilo Souza. Joelson Fernandes foi suplente, enquanto que Gustavo Varela não jogou por pertencer ao Benfica.
Com as duas equipas a partirem de um esquema tático muito semelhante — 4x3x3 ou 4x2x3x1 —, o Benfica começou dominador e a trocar a bola no seu meio-campo ofensivo, frente a um Gil Vicente determinado a defender de forma compacta, com todos jogadores, e a atacar a baliza de Anatoliy Trubin através de transições rápidas. Foi assim que surgiu a primeira oportunidade do jogo, com Agustín Moreira a fletir da direita para o meio e a desferir um remate forte, à entrada da área, para defesa incompleta do guarda-redes ucraniano (2′). A partir daí, os gilistas tentaram dividir o jogo, mas também acabaram surpreendidos por um contra-ataque de Barreiro, a bola chegou a Vangelis Pavlidis que, já na área, colocou rasteiro para o remate de primeira de Rafa Silva, para uma grande defesa de Lucão com o pé esquerdo (18′).
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???? Gil Vicente 0 – 0 Benfica ????◉ Não houve entrada de Galo ou Águia: 2-1 em remates (mas com pouco perigo, 0.11 xG somados) e posse repartida e equilibrada (49-51%)#GVFCSLB #SLBenfica pic.twitter.com/I6NZiJCXQj
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No último quarto de hora da primeira parte, o Benfica acabou por somar mais ocasiões quando teve a necessidade de acelerar, e quase chegou ao golo num lance pela esquerda, em que Andreas Schjelderup colocou em Samuel Dahl que, de ângulo fechado, atirou para defesa de Lucão (34′). Logo a seguir, Aursnes cobrou um canto na esquerda para António que, com um cabeceamento de cima para baixo, inaugurou o marcador, com Pavlidis ainda a fazer-se à bola e a dificultar a ação de Marvin Elimbi (35′). Pouco depois, o lateral sueco cruzou tenso para o grego que, depois de fugir aos centrais, desviou com o ombro à trave da baliza gilista (38′). Os primeiros 45 minutos acabaram por chegar ao fim numa fase estranha do jogo, com os jogadores a envolverem-se em momentos de confusão, em particular no banco da turma da casa (0-1).
Os papéis inverteram-se no arranque da etapa complementar, na qual o Gil Vicente começou bastante forte, frente a um Benfica que parecia ainda estar em tempo de intervalo e que contou com uma contrariedade logo a abrir: Aursnes saiu tocado e cedeu o seu lugar a Enzo Barrenechea. Já com o argentino em campo, Zé Carlos cobrou um lançamento para Santi García, o médio fugiu a Leandro Barreiro e cruzou de pronto para a zona do primeiro poste, onde Héctor Hernández, também de primeira, apareceu a desferir um remate rasteiro para o empate (51′). Logo a seguir, o avançado espanhol quase bisou num canto, valendo uma grande estirada de Anatoliy Trubin a travar o remate (56′). A partir daí, as águias reagiram e voltaram a aproximar-se da baliza adversária, mas sem criar perigo.
No jogo dos bancos, José Mourinho optou por lançar Dodi Lukebakio e Richard Ríos, que entraram para os lugares de Barreiro e Gianluca Prestianni. Já César Peixoto continuou a tentar lutar pela vitória, com Joelson Fernandes e Carlos Eduardo a saltarem para o ataque, de onde saíram Agustín Moreira e Héctor. Nessa condição, o Benfica voltou a ganhar vantagem, num lance que começou nos pés de Amar Dedic, passou por um remate em escorpião falhado de Rafa Silva e acabou em Andreas Schjelderup que, depois de partir para cima de Zé Carlos, fuzilou as redes de Lucão com um grande remate de pé esquerdo, de baixo para cima, que entrou no ângulo superior (73′). Na resposta, Joelson deambulou para o meio e desferiu um remate cruzado, de fora da área, que saiu perto do poste mais distante (80′). Já com Alex Bah, por troca com o autor do golo, Hevertton Santos (Zé Carlos) e Martín Fernández (Facundo Cáseres) em campo, Ghislain Konan apareceu à entrada da área encarnada a desferir um remate forte que só foi parado pelas mãos de Trubin, que segurou o triunfo (90′).
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