O ‘partner’ e ‘head of technology consulting’ da KPMG Portugal Rui Gonçalves considera aplicarem-se “claramente a Portugal” os resultados do Global Tech Report 2026 ao concluirem que metade das empresas espera maturidade tecnológica em 2026, mas somente 11% a atingiu.
Metade das empresas espera atingir maturidade tecnológica este ano, mas apenas 11% diz estar nesse patamar, o que evidencia um fosso entre ambição e realidade, conclui o estudo Global Tech Report 2026 da KPMG, hoje divulgado.
“Acho que Portugal está muito alinhado com os outros países europeus, tanto em termos daquilo que são a ambição como a maturidade”, refere Rui Gonçalves, salientando que estes resultados “aplicam-se claramente a Portugal”.
O fosso que existe entre ambição e maturidade “acontece em Portugal e acontece também noutros países da Europa”, aponta.
“E aí claramente a ambição está à frente da maturidade”, salienta.
“Tomei aqui nota de alguns dados do estudo do ‘Global Tech Report’ associado-se ao ‘CEO Outlook 2025’ [que inclui dados sobre Portugal] e 79% das empresas que foram entrevistadas estão a apontar para os níveis mais elevados de maturidade tecnológica, mas apenas 11% já lá estão“, reforça.
Um dos principais desafios “em Portugal é a escala. Ou seja, a escala tanto para a capacidade de mobilizar capital para fazer investimentos massivos em inteligência artificial, como a capacidade para desenvolver em escala pessoas e tecnologia”, mas tal “não significa que não haja também algumas oportunidades”, refere o parceiro da KPMG.
Sobre a perspetiva mais alargada e mais abrangente do estudo, “não há muitas diferenças do que está a acontecer em Portugal e em outros países, nomeadamente na Europa”.
“Porque a regulação na Europa, a funcionar aqui um pouco para pautar alguns dos temas relacionados com a utilização de dados e a própria utilização de inteligência artificial, está a servir para criar algumas ‘ring fencing’ [delimitação]”, ou seja, “alguns desafios adicionais a quem quer utilizar a digitalização para transformar os seus negócios em escala”, refere.
“Quando nós perguntamos aos decisores das empresas sobre onde estão hoje e o valor que estão a tirar da transformação digital, há claramente uma evolução e muitos dos temas que eram ambições há 20 anos, nomeadamente a automação digital de processos, hoje são claramente standards de mercado”.
Além da escala, há a necessidade de investir “cada vez mais” em competências “diferenciadoras em tecnologia”, diz.
“Acho que o investimento em talento e em upskilling das nossas capacidades das empresas para prepararem para competir no mercado global é super relevante, até porque com a evolução da inteligência artificial o que está a acontecer é que cada vez é menos importante as competências técnicas indiferenciadas e é cada vez mais relevante as competências técnicas integradas num conjunto de skillset“, sublinha.
Ou seja, “de um skillset mais de inteligência emocional e de orquestração do que propriamente a execução”, aponta Rui Gonçalves.
“E isso levanta aqui uma oportunidade para países e para empresas como as empresas portuguesas de poderem desempenhar” um papel nisso.
Por outro lado, “acho que tem que haver investimentos em infraestruturas também. Há muita necessidade de infraestruturas tecnológicas, de arquiteturas tecnológicas escaláveis, que em Portugal, em média, até por uma questão de investimento e de foco de investimento, estão menos evoluídas”, prossegue.
Por outro, “temos aqui algum papel relevante e, digamos, aqui, mais dinamizador naquilo que é a governança, a ética e o compliance da utilização de inteligência artificial, que a prazo será um fator diferenciador”, diz.
“Diria que o maior desafio não é a tecnologia. O maior desafio é a capacidade de escalar com o talento que temos e com o governance e com a maturidade tecnológica que as empresas portuguesas têm“, considera o responsável.
“Acho que Portugal já pensa e investe como os pares” europeus, remata.