O caso foi destacado pela organização de apoio a estrangeiros no Golfo Pérsico, Detained in Dubai, e constitui apenas uma das 21 detenções que decorreram nos Emirados Árabes Unidos (EAU) motivadas pela captação de imagens de ataques iranianos e publicação das mesmas nas redes sociais. O turista de 60 anos natural de Londres foi condenado por violar a lei de cibercrime, que proíbe a partilha de material capaz de desestabilizar a segurança pública.

Segundo Radha Sterling, fundadora e CEO da Detained in Dubai, o homem, cujo nome não foi divulgado, foi sentenciado depois de as autoridades encontrarem um vídeo no seu telemóvel de um ataque de mísseis iranianos na capital dos EAU, que o próprio alegou ter apagado. Outras 20 pessoas foram acusadas do mesmo crime, desde que começou a retaliação do Irão em vários países do Golfo, desencadeada após os primeiros ataques dos EUA e Israel ao seu território, no passado 28 de fevereiro.

De acordo com o comunicado das autoridades, os acusados usaram ferramentas tecnológicas para “divulgar, publicar, republicar ou difundir notícias falsas, rumores ou propaganda provocativa capaz de incitar a opinião pública ou perturbar a segurança”. Radha Stirling, fundadora e CEO da Detained in Dubai, argumenta que a lei pode penalizar atos tão inocentes como a partilha ou comentário de um vídeo que já circula online. “Compreensivelmente, as pessoas assumem que, se algo já foi amplamente partilhado online ou publicado em meios de comunicação, é aceitável comentar ou republicar esse conteúdo. Nos EAU, essa assunção pode ser extremamente perigosa.”

As sanções aplicadas podem chegar a dois anos de prisão ou constituir multas entre aproximadamente 4.700 e 47.000 euros. Os estrangeiros enfrentam ainda a ameaça da deportação e podem ser submetidos a interrogatórios por extensos períodos de tempo, em infraestruturas alheias aos direitos humanos.”Em tempos de tensão, as autoridade podem tornar-se hipersensíveis e erros inocentes escalam rapidamente para situações extremamente sérias”, acrescenta Stirling. Casos semelhantes foram também identificados noutros países do Golfo, como o Qatar, onde 200 pessoas já foram detidas da mesma acusação.

Rapahela Stirling, gestora de crises da organização, garantiu que a Detained in Dubai deverá continuar a monitorizar casos idênticos, a fim de conhecer todas as pessoas detidas pelas autoridades do país. “A família [do turista britânico] está extremamente preocupada”, reconhece. “É um reflexo natural fotografar o meio envolvente, mas as autoridades estão hipersensíveis e o perigo real podem não ser os mísseis iranianos mas a reação que têm às publicações das pessoas online.”